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Sempre que perguntado sobre o que achava da cidade de São Paulo, o cantor e compositor Adoniran Barbosa respondia de pronto: “São Paulo é um inferno que anda”.

Provavelmente, esse foi um dos primeiros sentimentos de Bino ao desembarcar na capital paulista para defender o Corinthians em 1943. Em pouco tempo, o jovem forasteiro também foi tragado pelo ritmo frenético da grande metrópole!

Naqueles tempos, o alvinegro iniciava o primeiro jejum de títulos paulistas, um flagelo que durou entre 1941 e 1951, embora naquele período, o Corinthians tenha conquistado com brilho o importante Torneio Rio-São Paulo de 1950.

Também conhecido como “Bino – O Gato Selvagem”, Setembrino da Costa Alves nasceu no município de Antonina (PR), em 1º de setembro de 1920.

Bino iniciou sua trajetória esportiva em meados de 1936, nas fileiras do Clube Atlético Antoninense (PR), agremiação que defendeu até 1938, quando firmou compromisso com o Club Athletico Paranaense (PR), equipe que defendeu até 1939.

Caxambu da Portuguesa de Desportos e Bino do Corinthians no gramado do Pacaembu. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva.

O Corinthians em 1944 no Pacaembu. Em pé: General, Domingos da Guia, Bino, Brandão, Begliomini e Dino. Agachados: Augusto, Servílio, Milani, Nandinho e Hercules. Crédito: revista Placar – 50 times do Corinthians.

Em seguida, Bino voltou ao mesmo Atlético Antoninense, onde permaneceu até receber uma boa proposta do Coritiba Foot Ball Club (PR) em 1941.

Campeão paranaense de 1942, o promissor goleiro Bino vivia uma grande fase quando foi pretendido por representantes do Sport Club Corinthians Paulista.

Apresentado aos dirigentes e torcedores na “Fazendinha”, Bino passou por um compreensível período de adaptação, até ser confirmado como titular da equipe somente na temporada de 1944.

Sem muita sorte no disputado certame paulista, o nome de Bino foi lembrado no selecionado paulista, época em que também foi bem cotado para fazer parte do escrete nacional.

Arrojado, Bino costumava se apresentar vestido de preto. Era um goleiro seguro e sempre pronto para oferecer o próprio corpo em divididas quase suicidas!

Bino e Servílio. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva – 1947.

Guarda-metas arrojado e seguro, Bino foi determinante na boa campanha do Corinthians na temporada paulista de 1947. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva número 1370 – 13 de setembro de 1947.

Conforme reportagem do Jornal Mundo Esportivo em 8 de outubro de 1948, Bino contava com grande cartaz na respectiva temporada, uma realidade totalmente diferente de quando chegou como um mero desconhecido na “Terra da Garoa”:

– “Seu estilo é algo que entusiasma o torcedor! Com saltos espetaculares, Bino é seguramente um dos guarda-redes mais aplaudidos no cenário paulista”.

Abaixo, uma das importantes participações do goleiro Bino na vitoriosa campanha do Corinthians no Torneio Rio-São Paulo de 1950:

22 de janeiro de 1950 – Torneio Rio-São Paulo – Corinthians 2×1 Vasco da Gama – Estádio do Pacaembu (SP) – Gols: Cláudio aos 56‘ e Baltazar aos 68′ para o Corinthians; Tesourinha aos 13‘ para o Vasco da Gama.

Corinthians: Bino; Nilton e Belfare; Idário, Touguinha e Hélio; Cláudio, Luizinho, Baltazar, Nelsinho e Noronha. Vasco da Gama: Barbosa; Augusto e Jorge; Eli do Amparo, Danilo e Alfredo; Tesourinha, Maneca, Ipojucan, Ademir e Chico.

No empate pelo placar de 1×1 entre Corinthians e Boca Juniors da Argentina no Pacaembu, o goleiro Bino é vencido no primeiro gol da partida. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 512 – 29 de janeiro de 1948.

Também conhecido como “O Gato Selvagem”, Bino foi um dos nomes bem cotados para fazer parte do escrete nacional. Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 118 – Sexta Feira, 26 de novembro de 1948.

Integrante do elenco que faturou o título paulista de 1951, Bino continuou absoluto na meta alvinegra até o amadurecimento do jovem companheiro Cabeção, que aos poucos foi conquistando seu merecido lugar como titular.

Pelo Corinthians, Bino disputou ao todo 232 compromissos. Foram 133 vitórias, 44 empates, 55 derrotas e 383 gols sofridos. Os números foram publicados pelo reconhecido Almanaque do Corinthians, do autor Celso Dario Unzelte.

Bino voltou ao futebol paranaense em 1952. Experiente, o consagrado goleiro acertou suas bases financeiras com a Associação Atlética Cambaraense (PR) em 1952.

Passou depois pelo Rio Branco Sport Club de Paranaguá (PR) e encerrou sua caminhada no início da década de 1960, jogando pela Associação Atlética 29 de Maio de Antonina (PR).

Setembrino da Costa Alves – o Bino – faleceu em Antonina (PR), no dia 30 de agosto de 1979.

Os goleiros Oswaldo Baliza e Bino antes do confronto entre Corinthians e Botafogo no Pacaembu. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 568 – 24 de fevereiro de 1949.

Torneio Rio-São Paulo de 1950. Em tarde de gramado muito castigado pela chuva, o Corinthians venceu o Vasco da Gama por 2×1 no Pacaembu. No lance, o goleiro Bino salta corajosamente nos pés do dianteiro “cruzmaltino” Ademir. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por José Eugênio), revista do Corinthians, revista Esporte Ilustrado (por Levy Kleiman e Luís Mendes), revista Grandes Clubes Brasileiros, revista O Globo Sportivo, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal dos Sports, Jornal Mundo Esportivo, campeoesdofutebol.com.br, corinthians.com.br, coritiba.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti e Waldemar Micheletti), Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, Livro: A História do Campeonato Paulista – André Fontenelle e Valmir Storti – Publifolha, Livro: Timão 100 Anos – Celso Dario Unzelte – Editora Gutenberg, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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