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Conforme publicado pelo Jornal Mundo Esportivo em 28 de fevereiro de 1947, Caieira estava muito feliz na Sociedade Esportiva Palmeiras, clube onde também tinha planos para encerrar sua caminhada pelos gramados.

Nas primeiras linhas da referida reportagem, uma apresentação que dispensa maiores comentários:

– Caieira é um verdadeiro higienista da área. Um autêntico elemento profilático das perigosas investidas dos adversários. Sério e dedicado, o bom mineiro definia assim seu papel dentro das quatro linhas: Zagueiro bom não usa batina!

Mais conhecido como “Caieira”, José João Perozzi Bonfim nasceu no município de Ouro Preto (MG), em 28 de maio de 1915. (*) Algumas fontes apontam seu nascimento em Belo Horizonte (MG).

Na tenra idade, o pequeno Zezinho já dava trabalho. Seduzido pelos encantos do futebol, o rendimento escolar do menino era o principal motivo de preocupação para sua genitora.

Caieira chegou ao Botafogo depois de brilhar no cenário mineiro. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 182 – 2 de outubro de 1941.

Em 1929, quando a família Perozzi Bonfim decidiu mudar de mala e cuia para Sabará (MG), o futebol entrou de vez no destino do inquieto Zezinho!

Encaminhado aos quadros amadores do Alves Nogueira Football Club (MG), o rapazola recebeu dos companheiros o apelido de “Caieira”.

Caieira ganhou fama e respeito nas fileiras do Alves Nogueira até o ano de 1931, quando a família novamente precisou mudar de endereço e acabou em Belo Horizonte.

Na capital mineira, Caieira logo recebeu um convite para treinar nos quadros do Clube Atlético Mineiro. Com uma permanência curta no “Galo”, o jovem zagueiro ainda teve tempo de participar do elenco que faturou o título mineiro de 1932.

Em 1933, Caieira firmou compromisso com o Palestra Itália – atual Cruzeiro, uma fase de muita representatividade em sua afirmação no mundo da bola.

Mesmo sem títulos importantes com a camisa do Botafogo, Caieira formou boas linhas defensivas no time de General Severiano. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 230 – 3 de setembro de 1942.

Reconhecido pelos jornais como o melhor zagueiro mineiro, Caieira logo foi transformado em sonho de consumo para os grandes times do Rio de Janeiro, principalmente o América e o Botafogo.

O América até saiu na frente, inclusive acertando os pormenores financeiros para sua transferência. Contudo, o representante do clube rubro não apareceu em Belo Horizonte na data combinada.

Foi então que um emissário do Botafogo repentinamente bateu na porta. Em pouco tempo o acordo foi devidamente firmado, restando apenas acertar os últimos detalhes junto aos dirigentes do Palestra Itália.

Assim, em uma bonita tarde de 1941, Caieira foi apresentado aos jornalistas e torcedores em General Severiano.

No Botafogo, Caieira continuou apresentando um futebol de primeira linha, ainda que o tão esperado título carioca insistisse em escorrer pelas mãos.

Caieira foi um dos zagueiros mais respeitados de sua época. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Partindo da esquerda; Geninho, Caieira e Heleno de Freitas. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

No segundo semestre de 1943, os direitos de Caieira foram negociados com os “cartolas” da Sociedade Esportiva Palmeiras.

De acordo com o site “palmeiras.com.br”, sua primeira participação aconteceu na vitória de 3×1 diante da Portuguesa de Desportos, compromisso válido pelo campeonato paulista.

Pelo alviverde, Caieira faturou o título paulista nas edições de 1944 e 1947; além do Torneio Início de 1946 e o Torneio Campeões do Rio-São Paulo de 1947.

Especialmente na temporada de 1947, a experiência do mineiro Caieira foi um elemento determinante no excelente rendimento do esquadrão comandado pelo técnico Oswaldo Brandão.

Assim como nos regulamentos anteriores, o campeonato paulista de 1947 contou com 11 agremiações em confrontos por pontos corridos, com turno e returno.

Com a camisa do selecionado paulista, Caieira aparece ao lado do goleiro Oberdan Cattani. Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado.

Caieira e Dacunto no selecionado paulista. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva.

Abaixo, os detalhes da partida que decidiu o certame paulista de 1947 em favor do Palmeiras. O jogo foi contra o Santos, que também foi derrotado na partida do primeiro turno por 1×0 no Pacaembu:

28 de dezembro de 1947 – Campeonato Paulista segundo turno – Santos 1×2 Palmeiras – Estádio Vila Belmiro – Árbitro: Francisco Kohn Filho – Gols: Arturzinho e Turcão para o Palmeiras; Oldair para o Santos.

Santos: René; Dinho e Expedito; Nenê, Dacunto e Alfredo; Odair, Zeferino, Adolfrizes, Antoninho e Leonaldo. Técnico: Abel Picabéa. Palmeiras: Oberdan Cattani; Caieira e Turcão; Zezé Procópio, Túlio e Waldemar Fiume; Lula, Arturzinho, Oswaldinho, Lima e Canhotinho. Técnico: Oswaldo Brandão.

Ao todo foram 178 jogos disputados com 100 vitórias, 39 empates, 39 derrotas e apenas 1 gol marcado. Os números foram publicados pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Sua última partida aconteceu em 11 de dezembro de 1949, na derrota para o Nacional (SP) por 1×0, compromisso válido pelo campeonato paulista. José João Perozzi Bonfim faleceu na cidade de São Paulo (SP), em 24 de novembro de 1970.

Caieira aparece na página do Palmeiras, no famoso álbum de figurinhas das Balas Futebol. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Uma das formações do Palmeiras entre 1943 e 1944. Em pé: Caieira, Og. Moreira, Oberdan Cattani, Osvaldo, Gengo e Dacunto. Agachados: Gonzales, Villadoniga, Caxambu, Lima e Jorginho. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista Esporte Ilustrado, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista O Cruzeiro, revista O Globo Sportivo, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal dos Sports, Jornal Mundo Esportivo, Jornal O Esporte, botafogo.com.br, campeoesdofutebol.com.br, globoesporte.globo.com, palmeiras.com.br, site do Milton Neves, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Livro: A História do Campeonato Paulista – André Fontenelle e Valmir Storti – Publifolha, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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