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Ary Barroso foi um respeitado radialista e também um reconhecido compositor. Ficou famoso por composições de grande sucesso, entre elas “Aquarela do Brasil” e “Na baixa do sapateiro”.

Sua paixão desmedida pelos assuntos do Flamengo era o gatilho responsável por incontáveis e indigestos dissabores. Foi um verdadeiro símbolo do Rubro-Negro, um personagem místico e quase intocável.

Filho de João Evangelista Barroso e Angelina de Resende Barroso, Ari ou Ary Evangelista Barroso nasceu no município de Ubá (MG), em 7 de novembro de 1903. Estudou inicialmente na escola da professora Rosa Guido Solero. Depois foi transferido para o Externato Mineiro, onde concluiu o curso primário.

Passou em seguida pelo conceituado e tradicional Ginásio São José, momento esse que desenvolveu uma enorme facilidade para brincar com o sentido das palavras em suas primeiras composições musicais.

Conforme publicado nas páginas da revista do Esporte número 261, Ary Barroso desembarcou no Rio de Janeiro pela primeira vez em 1919, como decorrência de um noivado frustrado que o causou muitos dissabores em família.

Equipe esportiva da Rádio Tupi nas Laranjeiras. Partindo da esquerda; Ary Barroso, Alberto Figueiredo Santos, Antônio Maria e Domingos Manuel Valentim de Araújo. Crédito: revista do Rádio número 23 – 1º de abril de 1950.

Um momento de descontração entre Ary Barroso e o presidente do Flamengo Gilberto Cardoso. Crédito:museudosesportes.blogspot.com.br.

A segunda viagem ao Rio de Janeiro, agora como destino definitivo, aconteceu em agosto de 1921. Com o propósito de continuar os estudos, o rapazola trazia nos bolsos o montante de 40 Contos de Reis, uma considerável quantia que herdou do tio, o advogado e político Sabino Barroso.

Na bagagem, além da esperança, Ary Barroso carregava também um grande amor pela música, uma paixão que foi transmitida por sua tia “Ritinha”, com quem morou desde o falecimento dos pais na tenra idade.

Aprovado no vestibular da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro em 1921, Ary Barroso precisou desembolsar 150 mil Réis mensais para morar na Rua Corrêa Dutra, no bairro do Flamengo.

Com enormes dificuldades financeiras para continuar na faculdade, Ary Barroso abandonou os bancos acadêmicos por algum tempo. Só voltou efetivamente aos livros de Direito em 1926 e foi diplomado em 1929.

Como pianista profissional, o jovem mineiro adotou o bigode e engordava o orçamento dedilhando seu talento no antigo Cinema Irís. Em seguida fez parte da “Orquestra do Sebastião”, quando tocava na sala de espera do Teatro Carlos Gomes.

Partindo da esquerda; Esquerdinha, Índio e Jordan com a faixa de campeão carioca de 1953. Ary Barroso aparece de camisa marrom e óculos escuros. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 425 – 28 de janeiro de 1954.

Ary Barroso e o atacante Índio. Crédito: revista da Semana número 6 – 6 de fevereiro de 1954.

Quem o lançou na carreira do rádio foi Renato Murce, que aproveitou de um pequeno espaço no programa “Horas de Outro Mundo”. Mais tarde, em 1932, o próprio Renato Murce promoveu um concurso aberto para locutores, no qual Ary Barroso foi bem avaliado e recebeu uma boa oportunidade de emprego.

Também conhecido como “Barrosinho”, a trajetória como locutor esportivo foi iniciada na antiga Rádio Cruzeiro do Sul, em substituição ao consagrado Afonso Scola, que na época estava afastado por problemas de saúde.

Paralelamente ao gosto pela música e o importante trabalho como locutor, Ary Barroso também era um entusiasta do futebol. Foi simpatizante do Fluminense, até declarar de forma pública seu amor pelo Flamengo.

Dedicado e sobretudo inovador, Ary Barroso criou o hábito de narrar os gols acompanhado com o toque de uma gaita, o que foi transformado em uma de suas marcas registradas frente aos microfones.

Magro e arisco como um pardal, Ary Barroso continuou seu caminho em várias emissoras de rádio do cenário carioca e paulista, entre elas a Rádio Tupi.

Acima de tudo um torcedor apaixonado! Crédito: revista Placar – 9 de novembro de 1979.

A cantora Angela Maria aparece ao lado de Ary Barroso no Maracanã. Crédito: acervo.oglobo.globo.com.

Sempre envolvido com os assuntos do seu Flamengo, Ary Barroso fez parte de importantes acontecimentos da rotina do clube, como por exemplo na badalada contratação do craque paraguaio Modesto Bria em 1943.

Depois de inúmeros contatos com o Paraguai, Ary Barroso já sabia que Modesto Bria concordava em jogar pelo Flamengo. No entanto, os diretores do Nacional permaneciam firmes em sua negativa para negociar os direitos do jogador, um dos destaques do time campeão paraguaio de 1942.

Então, um grupo de notáveis arquitetou o empréstimo do monomotor pessoal de Assis Chateaubriand, presidente dos Diários Associados. Quem sabe essa, uma última cartada para conseguir trazer Modesto Bria!

Medroso declarado das alturas, o ardiloso Ary Barroso esperava que sua parte no plano estivesse mais do que finalizada. Todavia, o que o nobre locutor não imaginava é que todos tirariam o corpo fora!

Dessa forma, Ary Barroso ficou com o desafio de “capturar” o craque paraguaio bem embaixo do nariz dos dirigentes do Nacional.

Músico reconhecido, Ary Barroso lançou vários discos de sucesso ao longo de sua brilhante carreira.

O compositor e locutor esportivo Ary Barroso, uma imagem sempre embalada nas cores do Flamengo. Crédito: revista do Esporte número 249 – Dezembro de 1963.

Usando inclusive da amizade pessoal com o Coronel Santa Rosa, Adido Militar do Brasil no Paraguai, Ary Barroso transformou o devaneio em realidade, quando Modesto Bria foi apresentado na Gávea no início de setembro de 1943.

Outra famosa e polêmica passagem aconteceu na tarde do dia 21 de agosto de 1949, data em que o Flamengo foi derrotado pelo Vasco em São Januário pelo contundente placar de 5×2, compromisso válido pelo campeonato carioca.

Na ocasião, Ary Barroso acusou Jair Rosa Pinto como o principal responsável pela humilhante derrota do time da Gávea, o que causou uma queima simbólica da camisa de Jair por parte dos torcedores do Flamengo.

Na Copa do Mundo de 1950 no Brasil, Ary Barroso faria sua última participação como locutor no rádio esportivo. Ele não suportou a inesperada e sofrida derrota para o Uruguai e decidiu abandonar os microfones.

Vítima de uma Cirrose Hepática, uma moléstia que o castigou nos últimos anos de vida, Ary Evangelista Barroso faleceu no Rio de Janeiro (RJ) em 9 de fevereiro de 1964, quando o relógio apontava 21 horas e 30 minutos.

Uma das últimas imagens de Ary Barroso em 1964. Crédito: revista do Esporte número 261 – 1964.

Ary Barroso foi um verdadeiro símbolo do Flamengo, um personagem místico e quase intocável. Crédito: reprodução revista do Rádio número 746 – Janeiro de 1964.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, Michel Laurence e Sandro Moreyra), revista da Semana, revista do Esporte, revista do Rádio, revista Esporte Ilustrado, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista O Cruzeiro, revista O Globo Sportivo, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, Jornal O Esporte, Jornal O Globo, acervo.oglobo.globo.com, campeoesdofutebol.com.br, Correio da Manhã/arquivo nacional, flamengo.com.br, globoesporte.globo.com, museudosesportes.blogspot.com.br, site do Milton Neves (por Diogo Miloni e Marcelo Rozenberg), Livro: No tempo de Ary Barroso – Sérgio Cabral – Editora Lazuli.

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