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Romeu Pellicciari foi um gordinho genial! Meia-atacante habilidoso e sobretudo destemido, seu nome faz parte de um período de grandes conquistas, tanto no Fluminense como no Palmeiras.

Filho de italianos, Romeu Pellicciari nasceu no município de Jundiaí (SP), em 26 de março de 1911.

Na adolescência jogava como meia-armador no Barranco Futebol Clube, uma agremiação fundada pela iniciativa de amigos e familiares.

Em seguida foi brilhar como centroavante pelo São João Futebol Clube, equipe que defendeu até agosto de 1930, momento em que foi bem recomendado aos quadros do Palestra Itália (SP).

Pelo alviverde da colônia italiana, o calvo Romeu Pellicciari ganhou popularidade rapidamente, ao ponto de ser chamado de “Príncipe” pelos torcedores.

Chamado de “Príncipe” pela torcida palestrina, Romeu Pellicciari está entre os maiores artilheiros da história do Palmeiras. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Contusões e excesso de peso. Muito pouco para Romeu Pellicciari desanimar. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Com um imenso repertório de dribles e facilidade para finalizar ao gol, Romeu Pellicciari já sofria muito para controlar o próprio peso, uma luta que nunca ofereceu tréguas enquanto jogou futebol.

Campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1933 e tricampeão paulista nas edições de 1932, 1933 e 1934, Romeu Pellicciari entrou definitivamente para os livros de história do clube.

Na tarde do dia 5 de novembro de 1933, o Palestra Itália fulminou o Corinthians pela contagem de 8×0, a maior goleada da história do “Derby” paulistano. Abaixo, os registros da histórica partida publicado no site “palmeiras.com.br”:

5 de novembro de 1933 – Campeonato paulista – Palestra Itália 8×0 Corinthians – Estádio Palestra Itália (SP) – Árbitro: Haroldo Dias da Mota (SP) – Gols: Romeu Pellicciari aos 17’, 29’, 36’ e 7’ do segundo tempo; Gabardo 1’ do segundo tempo e Imparato aos 9’, 35’ e 40’ do segundo tempo.

Palestra Itália: Nascimento; Carnera e Junqueira; Tunga, Dula e Tuffy; Avelino, Gabardo, Romeu Pellicciari, Lara e Imparato. Corinthians: Onça; Rossi e Bazani; Jango, Brancário e Carlos; Carlinhos, Baianinho, Zuza, Chola e Gallet.

Romeu Pellicciari inaugura o marcador na tarde em que o Palestra arrasou o Corinthians por 8×0. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva número 355 – 6 de novembro de 1933.

Craques do escrete. Partindo da esquerda; Romeu Pellicciari, Leônidas da Silva, Perácio e Carreiro. Crédito: Seleção Brasileira 1914–2006 – Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf – Mauad Editora.

Prejudicado por uma contenda envolvendo os destinos da profissionalização do futebol, Romeu Pellicciari não foi liberado pelos dirigentes do Palestra Itália para defender o Brasil na Copa do Mundo de 1934.

Na temporada de 1935, os direitos de Romeu Pellicciari foram transferidos para o Fluminense Football Club (RJ). Nas Laranjeiras, o bom futebol do filho ilustre de Jundiaí continuou em total evidência.

Campeão carioca de 1936, 1937, 1938, 1940 e 1941, Romeu Pellicciari faturou ainda o Torneio Municipal de 1938, o Torneio Extra de 1941 e o Torneio Início de 1940 e 1941.

Atravessando uma grande fase, Romeu Pellicciari foi convocado para disputar o mundial de 1938, na França. O escrete realizou uma boa campanha e ficou na terceira colocação.

No início de 1942, com o triste diagnóstico do agravamento do estado de saúde do pai, Umberto Pellicciari, Romeu Pellicciari decidiu voltar ao cenário paulista.

Partindo da esquerda; Pedro Amorim, Romeu Pellicciari, Russo e Tim. Crédito: revista Placar.

Com seu costumeiro gorrinho na cabeça, Romeu Pellicciari fez muito sucesso no Fluminense. Crédito: A História Ilustrada do Futebol Brasileiro – Edobras Editora.

Feliz, o meia-atacante acertou suas bases financeiras para defender o rebatizado Palestra Itália, que na oportunidades adotou o nome de Sociedade Esportiva Palmeiras.

Ainda em plena forma, Romeu Pellicciari participou do elenco esmeraldino que conquistou o campeonato paulista de 1942.

No ano seguinte firmou contrato com os dirigentes do Comercial Futebol Clube da cidade de São Paulo (SP), um compromisso que o desobrigava de treinar ou mesmo controlar o peso.

Pelo alviverde, Romeu Pellicciari disputou 150 partidas. Foram 101 vitórias, 22 empates, 27 derrotas e 106 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Romeu Pellicciari encerrou sua rica caminhada pelos gramados no mesmo Comercial, no início da temporada de 1947, quando não tolerava mais os efeitos das dores nas pernas, o que sobrecarregava principalmente os joelhos.

Romeu Pellicciari em ação contra o América nas Laranjeiras. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Na briga para controlar o peso, Romeu Pellicciari sofreu com o rigoroso regime administrado pelo departamento médico do Fluminense. Crédito: revista O Globo Sportivo número 130 – 14 de fevereiro de 1941.

Longe da bola, Romeu Pellicciari dedicou o tempo ao comércio com uma cantina de massas no centro da capital paulista, uma atividade que sempre realizou com imenso prazer, especialmente quando recebia os amigos do mundo da bola!

Todavia, os esforços físicos para suportar um problema crônico nas pernas era o principal motivo de seu aborrecimento diário.

Conforme publicado pela revista do Esporte em 11 de novembro de 1967, no mês de outubro de 1966, Romeu Pellicciari precisou ser internado no Hospital Anchieta na cidade de São Paulo (SP).

Atormentado por um problema congênito nas tíbias – mais conhecidas como ossos da canela – Romeu Pellicciari ficou aos cuidados da equipe do Doutor Mário de Nápoli para os devidos procedimentos cirúrgicos.

Depois de ficar por um bom tempo engessado, Romeu Pellicciari continuou sua rotina de comerciante normalmente, até falecer na cidade de São Paulo (SP), em 15 de julho de 1971.

Muito anos depois de largar o futebol, Romeu Pellicciari foi operado das pernas. Crédito: revista do Esporte número 453 – 11 de novembro de 1967.

Em tom de brincadeira, Romeu Pellicciari afirmou nas páginas da revista do Esporte: “O que sobrou do futebol foram os amigos, um pouco de dinheiro e duas pernas engessadas”. Crédito: revista do Esporte número 453 – 11 de novembro de 1967.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Fausto Neto, José Maria de Aquino e Marco Aurélio Borba), revista do Esporte (por De Santis), revista Esporte Ilustrado, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista O Globo Sportivo, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal dos Sports, Jornal Folha da Noite, cbf.com.br, campeoesdofutebol.com.br, globoesporte.globo.com, fluminense.com.br, palmeiras.com.br, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Livro: A História Ilustrada do Futebol Brasileiro – Edobras Editora, Livro: Seleção Brasileira 1914-2006 – Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf – Mauad Editora.

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