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Ex-jogador de Polo Aquático e reconhecido protético, o respeitado senhor Jair Mazzoni ocupava seu tempo livre como diretor esportivo de uma agremiação amadora chamada Atlântico.

Coincidentemente, nas fileiras menores do Atlântico, lá estava o filho Djair, um legítimo “fominha” de bola que costumava deixar de lado os livros escolares para correr solto pelos gramados da região onde morava.

E não era possível ignorar. Djair era um driblador nato, um verdadeiro tormento para qualquer sistema defensivo. Assim, ninguém do Atlântico ousava afirmar que o baixinho só jogava porque era filho do diretor e coisa e tal.

Com tanto talento, não faltavam olheiros sedentos para encaminhar o já famoso rapazola para equipes de maior reputação, o que não demorou para acontecer!

Diante da promessa de não esmorecer nos estudos, Djair finalmente recebeu o consentimento do pai para treinar no São Cristóvão de Futebol e Regatas (RJ).

O pai, seu Jair Mazzoni, não abriu mão de incluir uma cláusula específica no primeiro contrato do filho: A prioridade pelas obrigações escolares antes dos interesses do Vasco. Crédito: revista O Globo Sportivo número 634.

Mesmo quando o futebol virou coisa mais séria, Djair ainda prestava contas ao pai sobre o andamento dos estudos. Crédito: revista O Globo Sportivo número 634.

Djair Mazzoni nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 10 de abril de 1933. (*) Em algumas publicações da época seu nome também aparece como Dejair ou ainda Djayr.

Jogando inicialmente pela meia-esquerda do São Cristóvão, o destemido Djair chegou rapidamente ao quadro juvenil, para em seguida aparecer em algumas oportunidades no time de Aspirantes.

A notícia do aparecimento de um “fora de série” nas fileiras do São Cristóvão logo chegou aos ouvidos de Otto Glória, um componente importante na equipe técnica de Flávio Costa no Vasco da Gama.

Em São Januário, Djair não ficou inibido, muito pelo contrário! Seu desempenho no juvenil do Vasco ganhou proporções positivas rapidamente, o suficiente para o técnico Flávio Costa apostar suas fichas no jovem ponteiro-esquerdo.

Antes mesmo do início do campeonato carioca de 1950, Chico e Jansen estavam impossibilitados de viajar para um amistoso na cidade de Bauru (SP). Foi dessa forma que Djair recebeu sua primeira chance e não decepcionou.

O sonho do pai era oferecer ao filho uma grande carreira na odontologia. Mas o danado do futebol pediu passagem! Crédito: revista O Globo Sportivo número 634.

Djair foi considerado como uma das grandes revelações do futebol carioca em 1950. Crédito: revista O Globo Sportivo número 634.

De acordo com artigo publicado pela revista O Globo Sportivo, os dirigentes cruzmaltinos não perderam tempo para segurar Djair em São Januário. Com 10.000 cruzeiros de luvas, o primeiro compromisso profissional foi estabelecido em 1.000 cruzeiros mensais, uma quantia muito boa para um jovem valor!

Contudo, seu Jair Mazzoni não abriu mão de incluir uma cláusula específica no primeiro contrato do filho: A prioridade pelas obrigações escolares antes mesmo dos interesses profissionais com o Vasco da Gama.

Campeão carioca nas edições de 1950 e 1952 e campeão do Torneio Octogonal Rivadávia Corrêa Meyer em 1953, o bom futebol de Djair nada devia ao gaúcho Francisco Aramburu, o afamado ponta-esquerda Chico.

Djair permaneceu no Vasco da Gama até o início do segundo semestre de 1956, quando firmou compromisso com o Fluminense, inclusive fazendo parte do elenco que conquistou o Torneio Rio-São Paulo de 1957.

Todavia, a passagem pelo time das Laranjeiras foi curta. Em 1958 seus direitos foram transferidos para o Bangu Atlético Clube (RJ), que naquele momento procurava reforçar o time para o campeonato carioca.

Destemido e muito habilidoso, o pequeno Djair fez muito sucesso em sua rica passagem por São Januário. Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado número 660 – 30 de novembro de 1950.

O Vasco da Gama pronto para mais uma batalha no Maracanã. Em pé: Eli do Amparo, Barbosa, Danilo, Augusto, Clarel e Alfredo. Agachados: Tesourinha, Ademir, Friaça, Maneca, Djair e o massagista Mário Américo. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 682 – 3 de maio de 1951.

Abaixo, uma das participações de Djair na grande campanha do Fluminense, campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1957:

29 de maio de 1957 – Torneio Rio-São Paulo – Portuguesa de Desportos 1×3 Fluminense – Estádio do Pacaembu – Árbitro: Eunápio de Queiroz – Gols: Liminha para a Portuguesa; Valdo (2) e Léo para o Fluminense.

Portuguesa de Desportos: Cabeção; Beiço (Mário Ferreira) e Hermínio; Djalma Santos, Julião e Orlando; Amaral, Didi (Ipojucan), Liminha, Zezinho e Edmur (Nelsinho). Fluminense: Victor, Cacá e Roberto (Beto); Ivan, Clóvis e Altair; Telê Santana, Robson, Waldo, Jair Francisco (Léo) e Escurinho (Djair).

Em Moça Bonita, Djair disputou 14 jogos com 3 vitórias, 6 empates, 5 derrotas e apenas 1 gol marcado. Os números foram publicados no site bangu.net.

Depois do Bangu, Djair jogou ainda pelo Bonsucesso Futebol Clube (RJ), sua última equipe. Não foram encontrados registros da vida fora dos gramados ou mesmo sobre seu possível falecimento.

Partindo da esquerda; Tesourinha, Ipojucan, Friaça, Maneca e Djair. Crédito: revista O Globo Sportivo número 659 – 30 de setembro de 1951.

Jorginho e Djair, dignos representantes do corredor esquerdo ofensivo do cenário carioca. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 743 – 3 de julho de 1952.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Albino Castro Filho), revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista O Cruzeiro, revista O Globo Sportivo, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, acervo.oglobo.globo.com, bangu.net, campeoesdofutebol.com.br, vasco.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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