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França, junho de 1975. Na disputa do terceiro lugar no então afamado Torneio de Paris, o Fluminense encheu os olhos do público com uma convincente vitória por 3×0 sobre o Sporting de Portugal.

Quando o jogo terminou, Cléber era o alvo principal da imprensa local, ansiosa por algumas declarações do jovem meio-campista do time do Fluminense, após uma atuação quase impecável.

Rio de Janeiro, julho de 1975. Uma romaria considerável de repórteres aguarda pacientemente pelos desdobramentos de uma reunião entre os representantes do Club Atlético de Madrid e o presidente Francisco Horta.

Na pauta, o grande interesse dos espanhóis pelos direitos de Cléber, com uma quase irrecusável proposta de 350 mil dólares, o que fez o mandatário tricolor tremer nas bases.

Surpreso pelo interesse do Atlético de Madrid, Cléber consultou os familiares e no dia seguinte comunicou Francisco Horta que concordava em jogar no cenário europeu.

Silveira e Cléber. Bons tempos em que o time era bom e ainda não sofria com os desdobramentos da “Máquina” do presidente Horta. Crédito: revista Placar.

Ótima formação do Fluminense em 1973. Em pé: Carlos Alberto Parreira, Toninho, Felix, Bruñel, Carlos Alberto Pintinho, Assis, Marco Antônio e o técnico Duque. Agachados: Marquinhos, Cléber, Dionísio, Manfrini e Lula. Crédito: albumdosesportes.blogspot.com.br.

Contudo, o presidente do Fluminense pensou melhor e fixou o preço do passe do jogador em 400 mil dólares à vista, um alto montante que representou a pronta desistência dos homens de Madrid.

Kléber, ou ainda Cléber Ribeiro Filho, nasceu no município de São Gonçalo (RJ), em 4 de abril de 1954.

Sua caminhada no mundo da bola foi iniciada em meados de 1967, nas equipes amadoras do Fluminense Football Club (RJ).

Conhecido por companheiros de clube apenas como “Bequinha”, o novato Cléber ganhou destaque rapidamente ao ser muito bem avaliado pelo técnico Pinheiro.

Campeão da Taça São Paulo de Futebol Júnior em 1973, o promissor médio-volante fez sucesso nos times de base da Seleção Brasileira, para em seguida ser aproveitado no elenco principal do time das Laranjeiras.

Em julho de 1975, o Atlético de Madrid ofereceu 350 mil dólares pelo passe de Cleber. Então, Francisco Horta pediu 400 mil e os espanhóis desistiram do negócio! Crédito: revista do Fluminense.

O Fluminense que colocava medo! Em pé: Renato, Carlos Alberto Pintinho, Carlos Alberto Torres, Edinho, Rubens Galaxe e Rodrigues Neto. Agachados: Gil, Cléber, Doval, Rivellino e Dirceu. Crédito: revista Placar.

Reservado nos bastidores e desenvolto nos gramados, Cléber era um marcador de grande qualidade; embora nunca tenha abdicado de seu futebol considerado refinado!

Os títulos foram chegando, bem como uma onda de cobranças por jogar ao lado das estrelas da famosa “Máquina” montada pelo presidente Francisco Horta.

Se o bicampeonato carioca de 1976 foi uma consequência anunciada, o destino também reservou uma infelicidade de grande proporção na continuidade de sua carreira.

Conforme publicado pela revista Placar em 13 de maio de 1977, no Torneio de Paris de 1976, Cléber machucou o joelho esquerdo e tão logo desembarcou no Rio de Janeiro precisou ser operado pela equipe do doutor Nova Monteiro.

Afastado dos gramados durante meses, nem isso foi suficiente para afastar o assédio do Sporting Clube de Portugal, que naquela oportunidade ofereceu 500 mil cruzeiros de luvas para contar com seu futebol.

Cléber, Mário Sérgio e Carlos Alberto. Todos querem jogar. Um banco caro e criador de problemas! Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar.

Um batalhador incansável da meia-cancha, Cleber era conhecido entre os companheiros como “Bequinha”. Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 15 de abril de 1977.

Na mesma época também existia um forte interesse do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense (RS), outra investida que também foi negada por Francisco Horta.

Todavia, o presidente do Fluminense, ao mesmo tempo em que negava qualquer oferta pelo passe de Cléber, por outro lado corria atrás de nomes consagrados; como Dirceu Lopes e Paulo Cesar Caju.

De volta aos gramados após um longo processo de recuperação da cirurgia no joelho, Cléber demorou para entrar em forma novamente. A má fase custou o tão sofrido banco de reservas!

Essa instabilidade não foi suficiente para desanimar os “cartolas” do Corinthians, que naquele momento bancavam 2 milhões de cruzeiros para levar o jogador carioca para o Parque São Jorge.

Ainda assim, Francisco Horta bateu o pé novamente, ao declarar publicamente que Cléber era inegociável.

Instabilidade e banco de reservas! Contudo, o presidente Horta resistia em negociar os direitos de Cléber. Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 13 de maio de 1977.

Na apertada vitória do Fluminense sobre o Bahia por 1×0 pelo campeonato nacional de 1977, Cléber aparece em dividida com Altimar. Foto de Ignácio Ferreira. Crédito: revista Placar – 25 de novembro de 1977.

Em depoimento nas páginas da revista Placar, Cléber entendia que sair das Laranjeiras era um negócio temeroso, por mais que o fantasma do banco de reservas fosse uma realidade difícil de engolir.

A longa “novela” da venda do passe de Cléber só terminou na temporada de 1980, quando finalmente o Clube Náutico Capibaribe (PE) apresentou êxito na negociação do jogador.

Pelo Fluminense, Cléber conquistou vários títulos: Campeonato carioca 1973, 1975, 1976 e 1980, Taça Guanabara 1975, Torneio de Paris 1976, Copa Viña Del Mar 1976 e Taça Teresa Herrera 1977.

Cléber ainda jogou pelo Nove de Octubre (Equador), Operário (MS), XV de Jaú (SP) e Vitória de Guimarães (Portugal), equipe onde também encerrou sua trajetória em 1986.

Com um infarto fulminante enquanto jogava futebol de salão com os amigos, Cléber Ribeiro Filho faleceu em Campo Grande (MS), no dia 25 de julho de 2009.

Apesar da juventude, Cléber era o ponto de equilíbrio da grande equipe que foi formada pelo presidente Francisco Horta. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Cléber já estava na mira do Náutico no início da temporada de 1978. Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 27 de janeiro de 1978.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Ignácio Ferreira, Luíz Augusto Chabassus, Maurício Azêdo, Milton Costa Carvalho, Raul Quadros e Rodolpho Machado), revista do Fluminense, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete Esportiva, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, acervo.oglobo.globo.com, albumdosesportes.blogspot.com.br, campeoesdofutebol.com.br, fluminense.com.br, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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