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São raros os registros da origem de Milton Alves Mendonça, provavelmente de família sergipana, conforme um pequeno artigo publicado pela revista Esporte Ilustrado em 1951. Algumas fontes também apontam seu nascimento no Rio de Janeiro (RJ).

Como lateral-direito ou zagueiro, Mendonça lutou muito para vencer nos times amadores do Bangu Atlético Clube (RJ). Sempre reservado, o jovem marinheiro recebeu dos companheiros o apelido de “Sargento”, uma patente que Mendonça nunca ocupou enquanto permaneceu nas fileiras da Marinha.

Mendonça recebeu suas primeiras oportunidades no elenco principal do Bangu na temporada de 1949, quando ainda nem esperava viver do pouco que recebia jogando futebol.

Com grande empenho, o promissor Mendonça foi aproveitado como titular em alguns compromissos, principalmente durante disputa do Torneio Rio-São Paulo de 1950.

No campeonato carioca de 1950, os alvirrubros de “Moça Bonita” largaram muito bem. Campeão do Torneio Início, o Bangu realizou grande campanha e terminou na terceira colocação da competição.

Apelidado de “Sargento” pelos companheiros no Bangu, o jovem Mendonça nunca ocupou tal patente na Marinha. Crédito: revista O Globo Sportivo número 652 – Agosto de 1951.

O combinado Bangu/São Paulo que correu os gramados da Europa em 1951. Em pé: Alfredo Ramos, Mirim, Mendonça, José Poy, Mauro Ramos de Oliveira e Bauer. Agachados: Alcino, Bibe, Durval, Teixeirinha e Nívio. Crédito: revista O Globo Sportivo.

Campeão do Torneio Início do Rio-São Paulo de 1951, Mendonça fez parte do Combinado “Bangu-São Paulo” na importante turnê pelos gramados da Europa. Com orientação do técnico Leônidas da Silva, o combinado disputou ao todo 13 partidas com 9 vitórias, 2 empates e 2 derrotas.

Conforme divulgado nas páginas de O Globo Sportivo número 652, o futebol do zagueiro Mendonça ganhou destaque na turnê pela Europa por sua costumeira dedicação e regularidade, o que inclusive despertou o interesse do São Paulo Futebol Clube.

Para o campeonato carioca de 1951, o técnico Ondino Viera apostou no ótimo entrosamento da equipe e Mendonça foi aproveitado com maior regularidade.

O quadro alvirrubro mostrou qualidades durante toda o certame e chegou forte para disputar o título com o Fluminense em dois confrontos no mês de janeiro de 1952.

No primeiro duelo disputado no Maracanã na tarde de 13 de janeiro de 1952, o público presente assistiu uma partida que ficou marcada por lances de pouca técnica e sobretudo por jogadas mais ríspidas.

Partindo da esquerda; Mendonça, o goleiro Oswaldo Pisoni e Rafagnelli. Foto de José Santos. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Uma das formações do Bangu que brilhou na temporada de 1951. Em pé: Djalma, Mirim, Pinguela, Mendonça, Pedrinho e Sula. Agachados: Menezes, Vermelho, Moacir Bueno, Décio Esteves e Nívio. Crédito: revista O Globo Sportivo.

Logo aos 6 minutos de jogo, o meia Didi dividiu duro com Mendonça, que ficou estendido no gramado aos berros. Prontamente, o massagista “Pastinha” e o médico Hilton Gosling temeram pelo pior!

Percebendo a gravidade, o médico Hilton Gosling recomendou o máximo cuidado no transporte do jogador até o ambiente da enfermaria do Maracanã.

Confirmado o rompimento dos ligamentos do joelho e a fratura na perna direita, Mendonça passou por um processo de recuperação longo e difícil. Abaixo, os registros da fatídica partida:

13 de janeiro de 1952 – Campeonato carioca – Primeiro jogo da final – Bangu 0x1 Fluminense – Estádio do Maracanã Árbitro: Mário Vianna – Gol: Orlando aos 26’ do primeiro tempo – Expulsões: Mirim e Telê Santana.

Fluminense: Castilho; Píndaro e Pinheiro; Vítor, Édson e Lafaiete; Telê Santana, Didi, Carlyle, Orlando e Joel. Técnico: Zezé Moreira. Bangu: Oswaldo Pisoni; Mendonça e Rafagnelli; Rui, Mirim e Alaíne; Djalma, Moacir Bueno, Zizinho, Vermelho e Nívio. Técnico: Ondino Viera.

Depois da forte dividida com Didi, logo no início do confronto entre Bangu e Fluminense, Mendonça deixou o gramado com suspeita de fratura na perna. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 719 – 17 de janeiro de 1952.

O gesso na perna direita e o fantasma de ficar inutilizado para o futebol. Crédito: bangu.net.

Perdido o título carioca depois da derrota por 2×0 para o mesmo Fluminense em 20 de janeiro de 1952, os dirigentes do Bangu sabiam que não poderiam contar com Mendonça por um bom tempo!

Mendonça ainda voltou aos gramados e continuou sua carreira emprestado ao Clube Atlético Juventus (SP). Em seguida retornou ao Bangu e encerrou sua caminhada pelos gramados em 1960.

De acordo com o site “bangu.net’, Mendonça disputou 68 partidas com a camisa do Bangu. Foram 44 vitórias, 13 empates e 11 derrotas.

O ex-zagueiro trabalhou depois no departamento técnico do Bangu e mais tarde exerceu atividades profissionais em uma escolinha de futebol.

Curiosamente, Mendonça comandou o próprio filho – Milton da Cunha Mendonça – nas categorias amadoras do time de “Moça Bonita”. Milton Alves Mendonça faleceu em 2002. (*) Não encontramos os registros completos da data.

Em jogo pelo certame paulista, o São Paulo venceu o Juventus por 2×1 no Pacaembu. No lance, o zagueiro Mendonça (esquerda) rebate firme antes da chegada de Maurinho. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 964 – 27 de setembro de 1956.

O filho Milton da Cunha Mendonça, o grande legado deixado ao futebol por Milton Alves Mendonça. Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Fábio Rocco Sormani, Hideki Takizawa, Marcelo Rezende e Raul Quadros), revista Esporte Ilustrado (por Jorge Leal, José Santos, Levy Kleiman e Luís Mendes), revista O Cruzeiro, revista O Globo Sportivo, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, bangu.net, acervo.oglobo.globo.com, campeoesdofutebol.com.br, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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