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O reconhecimento chegou rápido e sem bater na porta, decerto amparado por suas brilhantes atuações no disputado futebol varzeano da cidade paulista de Mococa.

Indicado por olheiros, o jovem “guarda-metas” não despertou maiores atenções quando foi apresentado nos quadros amadores do Radium Futebol Clube (SP).

Alto, corajoso e dotado de muita elasticidade, o dedicado Ari foi trabalhando de boca calada. Todavia, o rapazola sequer imaginava que sua caminhada esportiva já estava traçada bem longe do simpático alviverde interiorano.

Conforme encontrado em algumas revistas e jornais da época, Ary, ou ainda Ari Carlos Seixas nasceu no município de Mococa (SP), em 16 de março de 1933.

Surpreendido em 1954 por uma transferência para o Bangu Atlético Clube (RJ), Ari deixou amigos e familiares um tanto aturdidos. Quem sabe agora, a caneta do destino pudesse enfim sossegar!

Pelo Flamengo, Ari foi campeão do Torneio Octogonal Internacional de Verão em 1961. Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 192 – Setembro de 1961.

Em entrevista exclusiva, o goleiro “rubro-negro” Ari desabafou: “Castilho e Gylmar não podem mais ter cadeira cativa no escrete”. Crédito: revista do Esporte número 98 – 21 de janeiro de 1961.

Naqueles áureos tempos, o popular alvirrubro de “Moça Bonita” contava com o experiente goleiro Fernando, o dono absoluto da posição. Sem tarimba suficiente para desbancar o titular da camisa 1, Ari foi aproveitado em poucas partidas.

De acordo com os registros publicados no site “bangu.net”, Ari disputou apenas 9 compromissos pelo Bangu. Foram 5 vitórias, 2 empates, 2 derrotas e 13 gols sofridos.

Sem muitas perspectivas, Ari foi emprestado ao Olaria Atlético Clube (RJ) para disputar o campeonato carioca da temporada. Abaixo, uma das participações de Ari com a camisa do Olaria:

4 de setembro de 1955 – campeonato carioca primeiro turno – Madureira 0x3 Olaria – Estádio Conselheiro Galvão – Árbitro: Aristocílio Rocha – Gols: Moacir, Russo e Tiãozinho.

Madureira: Danton, Jorge e Darci; Zezinho, Bitum e Mário; 91, Machado, Tião, Edílio e Osvaldo. Olaria: Ari, Osvaldo e Renato; Moacir, Barbosa e Dodô; Tiãozinho, Léo, Maxwell, Russo e Mário.

No dia 15 de novembro de 1961, Flamengo e Santos empataram por 1×1 em jogo amistoso realizado no Maracanã. Na foto, Pelé e o goleiro Ari. Crédito: revista do Esporte número 144 – Dezembro de 1961.

Trio defensivo do Flamengo. Partindo da esquerda; Joubert, o goleiro Ari e Bolero. Crédito: revista do Esporte número 152.

Em 1956, Ari voltou ao Bangu e em seguida foi negociado em definitivo com o Madureira (RJ), uma curta passagem, mas com um significado muito especial em sua trajetória!

Nas páginas da revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 175, o goleiro Ari foi o grande destaque de um confronto entre Flamengo e Madureira, fato que representou o pronto interesse dos representantes do clube da Gávea.

Dessa forma, no início de 1957, Ari foi apresentado aos torcedores do “rubro-negro”. Recuperado de uma hepatite, o goleiro paulista logo conquistou a titularidade e assim viveu seu momento mais produtivo no futebol.

No Flamengo, Ari participou do elenco que conquistou o título do Torneio Início do campeonato carioca de 1959 e do Torneio Octogonal Internacional de Verão em 1961.

Também foi lembrado na Seleção Brasileira para o confronto diante do Paraguai em 29 de junho de 1961, no Maracanã, com vitória canarinho por 3×2. Contudo, Ari não foi escalado e permaneceu na suplência do goleiro Gylmar.

Com pinta de “galã” de cinema, enquanto defendia o Flamengo Ari recebeu até propostas para participar de filmes nacionais. Crédito: revista do Esporte.

Ari só deixou o Madureira depois de uma grande atuação diante do Flamengo. Fotos de Giambenito. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 175 – 1961.

Ari permaneceu nas fileiras do Flamengo até 1962, quando regressou ao mesmo Olaria, um período marcado por instabilidades físicas e técnicas que custaram o banco de reservas.

Pelos registros do Almanaque do Flamengo, dos autores Clóvis Martins e Roberto Assaf, no time da Gávea Ari realizou um total de 110 jogos; com 59 vitórias, 26 empates e 25 derrotas.

Quando ainda defendia o Olaria, Ari concedeu uma bombástica entrevista que foi publicada na revista do Esporte de 6 de abril de 1963. Naquela oportunidade, o goleiro revelou que no Flamengo foi muito perseguido pelo dirigente Aristóbulo Mesquita, como também pelo técnico Flávio Costa.

Acusado de uma falha considerada imperdoável em um chute do “meio da rua” desferido pelo atacante do América (RJ) Calazans, Ari não teve mais ambiente para continuar no Flamengo.

Com o contrato encerrado no Olaria em 1965, Ari Carlos Seixas abandonou o futebol profissional. Seu falecimento ocorreu em fevereiro de 2011.

O esquadrão do Flamengo no gramado do Maracanã. Em pé: Joubert, Ari, Bolero, Jadir, Carlinhos e Jordan. Agachados: Othon, Moacir, Henrique, Gerson e Babá. Crédito: revista Placar – 50 times do Flamengo.

Quando já estava no Olaria, Ari revelou aos leitores que foi perseguido pelo técnico Flávio Costa no Flamengo. Crédito: revista do Esporte número 213 – 6 de abril de 1963.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada (por Giambenito, Isaac Cherman e Sérgio Barbosa), revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado (por Alberto Ferreira, Levy Kleiman e Luís Mendes), Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal Correio de Manhã, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, acervo.oglobo.globo.com, bangu.net, campeoesdofutebol.com.br, flamengo.com.br, gazetaesportiva.net, site do Milton Neves (por Diogo Miloni), Almanaque do Flamengo – Clóvis Martins e Roberto Assaf, Livro: Seleção Brasileira 1914-2006 – Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf – Mauad Editora.