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Embora nunca tenha machucado nenhum companheiro de profissão, o atacante Da Silva sempre carregou a fama de homem mau: “Conversa-fiada, no futebol não existe bom moço! Experimente entrar em uma disputa de bola com a perna mole na frente do Jair Marinho do Fluminense”.

Filho de Evaristo Antônio Docio e de Margarida da Silva Docio, Cleóbulo da Silva Docio nasceu no município de Ilhéus (BA), em 19 de janeiro de 1936.

(*) 1- A revista do Esporte número 290 aponta o seu nascimento em 21 de maio de 1938. 2- Ainda que “Décio” apareça em várias publicações da época, o colaborador Jandir Docio confirmou que o sobrenome correto é “Docio”.

Buscando por melhores oportunidades de trabalho, o jovem Da Silva deixou Ilhéus para encarar uma cansativa viagem de navio com destino aos encantos da “Cidade Maravilhosa”.

Ponteiro-esquerdo de origem, Da Silva começou sua caminhada esportiva no futebol varzeano do bairro carioca de Cordovil, até ser bem recomendado aos quadros amadores do Olaria Atlético Clube (RJ) em meados de 1957.

Em destaque, Da Silva aparece com a camisa do Olaria em formação do início da década de 1960. Crédito: site do Milton Neves.

Lorico e Da Silva, esperanças da torcida do Vasco para a temporada de 1961. Crédito: revista do Esporte.

Cresceu rapidamente de produção e foi aproveitado no time de Aspirantes. Em 1959 recebeu suas primeiras oportunidades no time principal, momento em que firmou compromisso para ganhar 7 mil cruzeiros mensais.

Destemido e habilidoso, o rapazola de Ilhéus era conhecido pelos companheiros com o curioso apelido de “Abóbora”. Pelo Olaria, Da Silva foi campeão do Torneio Início do campeonato carioca na edição de 1960.

Abaixo, os registros da última participação de Da Silva com a camisa do Olaria. O jogo foi válido pelo segundo turno do certame carioca de 1960:

16 de dezembro de 1960 – Campeonato carioca segundo turno – Olaria 1×1 Vasco da Gama – Estádio de São Januário – Árbitro: Armando Marques – Gols: Delém para o Vasco; Cané para o Olaria.

Vasco da Gama: Ita, Paulinho, Bellini e Barbosinha; Écio (Laerte) e Orlando; Vanderlei, Sabará, Delém, Wilson Moreira e Pinga. Olaria: Antoninho, Murilo, Sérgio e Nélson; Haroldo e Casemiro; Valter, Cané, Tião, Drumond e Da Silva.

“Conversa-fiada”, no futebol não existe o tal do bom moço! Crédito: revista do Esporte.

“Prefiro sempre chutar com o pé direito”. Crédito: revista do Esporte número 170 – 9 de junho de 1962.

No início de 1961, Da Silva foi negociado com os dirigentes do Club de Regatas Vasco da Gama. Sua primeira apresentação vestindo a camisa do “cruzmaltino” aconteceu no amistoso disputado contra o Real Madrid no dia 8 de fevereiro de 1961, no Maracanã. O prélio terminou empatado em 2×2.

Da Silva entrou no decorrer da primeira etapa, quando o placar apontava total supremacia do quadro espanhol pela contagem de 2×0. No segundo tempo, o recém contratado ponteiro-esquerdo jogou uma partida brilhante e foi o responsável direto pela reação do time carioca.

Em um período marcado pela estiagem de títulos importantes em São Januário, Da Silva foi convivendo com o domínio dos rivais, além da incômoda fama de jogador desleal. 

De acordo com a matéria publicada nas páginas da revista do Esporte no dia 5 de dezembro de 1964, Da Silva prontamente rebateu sua fama de jogador violento!

O certo é que Da Silva sempre jogou pesado, mas na bola! Por outro lado, o ponteiro-esquerdo do Vasco lamentou o longo histórico de contusões sofridas entre 1962 e 1964.

Da Silva, o “homem mau” do Vasco da Gama! Crédito: revista do Esporte número 195 – 1º de dezembro de 1962.

Lorico, Da Siva e Saulzinho, grandes apostas para uma boa campanha no campeonato carioca. Crédito: revista do Esporte número 215.

Durante um treinamento em 1962, Da Silva sofreu a sua primeira contusão de consequências mais sérias. Deixou o gramado de São Januário direto para a enfermaria do clube.

Confirmada a lesão no joelho direito, a imediata cirurgia dos meniscos o afastou do futebol por um longo período, o suficiente para prejudicar bastante a boa fase que atravessava.

Quando voltou aos gramados, uma distensão muscular o mandou de volta para o departamento médico. O tratamento foi eficiente e o jogador respondeu muito bem!

Contudo, o azar novamente bateu na porta em uma partida contra o Madureira. Com o rompimento dos ligamentos do joelho esquerdo, o futuro esportivo de Da Silva estava em risco com outra cirurgia.

Carreira curta, o ponteiro-esquerdo permaneceu nas fileiras do Vasco da Gama até o findar do primeiro semestre de 1965. Cleóbulo da Silva Décio faleceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 31 de março de 2018.

O perfil completo do ponteiro-esquerdo Da Silva foi publicado na revista do Esporte. Crédito: revista do Esporte número 290 – 26 de setembro de 1964.

“Sempre me acusam injustamente! Nunca fui desleal com ninguém”. Crédito: revista do Esporte número 300 – 5 de dezembro de 1964.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte (por Gérson Monteiro e Waldemir Paiva), revista Manchete, revista O Cruzeiro, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal Diário da Noite, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, acervo.oglobo.globo.com, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, Jandir Docio, site do Milton Neves, vasco.com.br.