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Em julho de 1981, o barbudo JB Scalco brindou os leitores da revista Placar com um “pano de fundo” ideal para a matéria assinada por José Maria de Aquino e Marco Aurélio Borba.

Na referida reportagem, um importante debate foi promovido pela melhora do calendário e pela volta do bom futebol. Para tanto, os jogadores Cláudio, Vitor Hugo, Waldir Peres e Wladimir deixaram seus clubes de lado por uma causa muito maior.

Quase quatro décadas depois, o problema no calendário continua firme em seu propósito de enfastiar o torcedor com partidas sem nenhum atrativo!

Com tantas batalhas em tantas competições diferentes, como podem afinal os combalidos “guerreiros de chuteiras” encontrar disposição? Como apresentar a tão valorizada raça, um artigo indispensável para subir no conceito da galera?

Nas décadas de 1970 e 1980, o gaúcho Vitor Hugo era como um “Dom Quixote”, que além de oferecer seu incondicional esforço nos gramados também lutava em defesa da bandeira por um espetáculo melhor.

A alma guerreira do esquema gremista! Crédito: revista Placar – 12 de novembro de 1976.

Um marcador dedicado e implacável. Coleção Futebol Cards Ping Pong. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Filho de Arlindo Barros e Reni Bastos, Vitor Hugo Barros nasceu em Porto Alegre (RS) no dia 21 de maio de 1952.

Criado na Vila do IAPI em Porto Alegre, sua trajetória esportiva foi iniciada em 1969, quando jogava futebol de salão por uma equipe chamada Wallig, até ser encaminhado aos times amadores do Sport Club Internacional (RS).

A ascensão no Beira Rio foi considerada rápida, tanto que depois de apenas dois treinamentos o aplicado Vitor Hugo foi aproveitado no quadro juvenil. Contudo, sua virtuosa escalada continuou bem longe do “Colorado”.

Conforme publicado pela revista Placar na edição de 7 de outubro de 1977, no Internacional o promissor Vitor Hugo esbarrou no bom momento de Carbone e Tovar, sem contar com um inesperado diagnóstico de hepatite, outro empecilho que o prejudicou bastante.

Além do tempo perdido na recuperação da hepatite e de uma séria contusão nos ligamentos do joelho direito, Vitor Hugo ainda teve que conviver com os efeitos de um acidente automobilístico que quase o tirou uma vista.

Um papel determinante no esquema do técnico Telê Santana. Foto de Sílvio Ferreira. Crédito: revista Placar – 7 de outubro de 1977.

Vitor Hugo e Batista. Duelo de “Grenal” tem sabor especial. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 7 de outubro de 1977.

Depois de tantos apuros, o jovem médio-volante atravessou uma espécie de aprendizado cigano por várias equipes dos cenários catarinense, gaúcho e paranaense.

Não exatamente pela ordem cronológica, o esforçado Vitor Hugo passou pelo Coritiba Foot Ball Club (PR), Clube Esportivo Bento Gonçalves (RS), Esporte Clube Juventude (RS), Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias do Sul (RS) e Esporte Clube Internacional de Lages (SC).

E nesse meio tempo, sempre que voltava confiante ao Internacional, outra boa safra de meio-campistas como Batista, Caçapava e Falcão o empurrava para fora do Beira Rio novamente.

Em julho de 1976, seus direitos federativos foram transferidos para o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense (RS), uma fase especial, principalmente depois da chegada do técnico Telê Santana no mês de setembro.

Radiante, Vitor Hugo assinou contrato no Olímpico para receber 12 mil cruzeiros mensais, ainda que para isso tivesse que abrir mão dos valores devidos por ocasião de sua transferência.

Futebol sério e solidário! Foto de Amilton Vieira. Crédito: revista Placar – 15 de setembro de 1978.

Renovação no Palmeiras para a temporada de 1981. Em pé: Benazzi, Vitor Hugo, Édson, Polozzi, Jaime Boni e João Marcos. Agachados: Jorginho, Adauto, Sena, Paulinho e Baroninho. Foto de Luís Carlos Kfouri. Crédito: revista Placar – 23 de janeiro de 1981.

Formado em Educação Física e Presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio Grande do Sul, o futebol sempre dedicado de Vitor Hugo caiu como uma “luva” no esquema do tricolor gaúcho.

Livre das vaidades que normalmente acometem os jovens que desabrocham para o futebol, Vitor Hugo tinha em mente um modelo bem definido para seguir!

O modelo era o abnegado Dudu (Olegário Tolói de Oliveira), um verdadeiro “operário da bola”, que antes de tudo procurava servir sem qualquer pretensão de ser servido!

Outro bom exemplo aprendido com Dudu foi colocado em prática na utilização do dinheiro que recebia no futebol. Gastava apenas um quarto do salário para poupar o restante em uma Caderneta de Poupança.

Campeão gaúcho em 1977, 1979 e 1980, Vitor Hugo permaneceu no elenco do Grêmio até o findar de 1980. No início de 1981, seu passe foi negociado com os dirigentes da Sociedade Esportiva Palmeiras (SP).

Torcedor tolera tudo, só não aceita falta de empenho no gramado! Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 13 de março de 1981.

“Passamos muito tempo no clube. Promover o bom ambiente é fundamental”. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 13 de março de 1981.

No Parque Antártica, como capitão e conselheiro dos mais jovens, Vitor Hugo sempre foi muito considerado pelos companheiros, embora o time daquele período não tenha encantado seus torcedores.

Pelo alviverde no período compreendido entre 1981 e 1982, Vitor Hugo disputou ao todo 62 compromissos. Os registros foram publicados pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Depois do Palmeiras, Vitor Hugo também defendeu o Clube Esportivo Aimoré de São Leopoldo (RS) e o Botafogo Futebol Clube (PB) entre 1985 e 1986, seu último clube como jogador e onde também iniciou seu trabalho como treinador.

(*) Algumas fontes apontam ainda uma rápida passagem pelo Esporte Clube Democrata de Governador Valadares (MG) em 1983.

Conforme divulgado pelo site do Milton Neves, atualmente Vitor Hugo reside na cidade catarinense de Curitibanos e trabalha no departamento de compras de uma rede de supermercados.

A luta pelos interesses da classe! Partindo da esquerda; Cláudio, Vitor Hugo, Wladimir e Waldir Peres. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 24 de julho de 1981.

O alerta partiu dos jogadores! É preciso trabalhar por uma tabela mais humana e racional. Partindo da esquerda; Waldir Peres, Cláudio, Vitor Hugo e Wladimir. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 24 de julho de 1981.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Amilton Vieira, Divino Fonseca, JB Scalco, José Maria de Aquino, Luís Carlos Kfouri, Marco Aurélio Borba, Martins Neto, Maurício Cardoso e Sílvio Ferreira), revista do Grêmio, revista Grandes Clubes Brasileiros, Jornal A Gazeta Esportiva, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, palmeiras.com.br, site do Milton Neves (por Marcelo Rozemberg), Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, albumefigurinhas.no.comunidades.net.