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Jair Santana era somente um mirradinho esforçado, que incomodava os mais velhos para entrar por alguns minutos nas pelejas de várzea do bairro onde morava.

Quando finalmente era atendido, como em uma atitude de pura caridade, Jair Santana era colocado nas extremas para não comprometer e talvez produzir alguma coisa de bom!

E de tanto insistir, o valente rapazola foi ganhando uma certa tarimba, embora sua pretensão de vencer no mundo da bola fosse tratada com um certo desdém pelos engomados “boleiros” do pedaço.

Tomado por uma estranha coragem em desenhar o próprio destino, Jair Santana nunca esmoreceu, nem mesmo quando pisou pela primeira vez no gramado do badalado Estádio de São Januário.

Mas naquele período, os responsáveis do “cruzmaltino” logo perceberam que Jair Santana não passava de outro forasteiro sonhador, que apesar da enorme boa vontade nunca chegaria ao estrelato!

O quadro do Olaria preparado para mais uma partida no Maracanã. Em pé: Osvaldo, Zezinho, Job, Jair Santana, Olavo e Ananias. Agachados: Cidinho, Washington, Maxwell, Lima e Esquerdinha. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Jair Santana superou o descaso que recebeu no Vasco da Gama para brilhar no Olaria, no Fluminense e no selecionado carioca. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Mais lembrado apenas como Jair Santana, Jair Florêncio de Santana nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 20 de fevereiro de 1929.

Em 1946, o regular ponteiro-direito Jair Santana jogava pelo juvenil do Vasco da Gama, que não fez conta quando o rapazola manifestou interesse em continuar sua trajetória nas fileiras do Olaria Atlético Clube (RJ).

No alvianil da Rua Bariri, o dedicado Jair Santana batalhou muito. Foram várias temporadas “comendo grama” no juvenil e nos Aspirantes, até receber sua tão sonhada oportunidade no quadro principal.

Com o passar do tempo, Jair Santana foi aproveitado pela meia-esquerda para jogar ao lado do ponteiro Esquerdinha. Porém, uma contusão do companheiro Moacir proporcionou novos horizontes em sua caminhada.

Por conta do imprevisto acontecido com Moacir, Jair Santana foi escalado como médio-volante e jogou o fino da bola! Repetiu o feito no jogo seguinte e nunca mais voltou para a meia-esquerda do Olaria.

Jair Santana aparece ao lado do craque Brandãozinho antes do confronto entre cariocas e paulistas no Pacaembu. Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado número 740 – 12 de junho de 1952.

O selecionado carioca em 1952. Em pé: Eli do Amparo, Araty, Jair Santana, Nilton Santos, Castilho, Pinheiro e o técnico Zezé Moreira. Agachados: O massagista Mário Américo, Telê Santana, Ranulfo, Ademir, Didi e Nívio. Crédito: revista O Globo Esportivo.

Aplicado e sobretudo solidário, o futebol praticado por Jair Santana foi ganhando corpo e representatividade, ao ponto de provocar o pronto interesse de algumas agremiações do cenário carioca.

Abaixo, uma das participações de Jair Santana como meia-esquerda do Olaria no certame carioca de 1949:

25 de setembro de 1949 – Campeonato carioca de 1949 segundo turno – Olaria 3×1 Botafogo – Estádio da Rua Bariri – Árbitro: Frederich James Lowe –  Gols: Sorriso (2) e Jair para o Olaria; Paraguaio para o Botafogo.

Olaria: Zezinho, Osvaldo e Haroldo; Olavo, Moacir e Ananias; Jarbas, Alcino, Sorriso, Jair Santana e Esquerdinha. Botafogo: Oswaldo Baliza, Gerson dos Santos e Nilton Santos; Rubinho, Ávila e Juvenal; Paraguaio, Geninho, César, Jaime e Braguinha.

Em março de 1952, uma indicação pessoal do craque Didi foi determinante para sua transferência definitiva para o Fluminense, o período mais produtivo de sua carreira, inclusive servindo o selecionado carioca!

Em março de 1952, uma indicação pessoal do craque Didi foi determinante para sua transferência definitiva para o Fluminense. Crédito: reprodução revista O Globo Sportivo.

No Estádio das Laranjeiras, o Fluminense aparece pronto para mais um compromisso. Em pé: Píndaro, Jair Santana, Édson, Pinheiro, Castilho e Bigode. Agachados: Robson, Xavier Ambróis, Marinho, Didi e Escurinho. Crédito: Anuário da revista Esporte Ilustrado.

Sempre atento, o técnico Zezé Moreira rapidamente encontrou em Jair Santana uma peça fundamental para o perfeito funcionamento de seu novo sistema de cobertura e marcação.

Pelo time da Laranjeiras, Jair Santana conquistou o Torneio Início nas edições de 1954 e 1956, o campeonato carioca de 1959, Torneio Rio-São Paulo de 1957 (invicto) e 1960 e a memorável Copa Rio de 1952.

Nas linhas abaixo, a participação de Jair Santana no compromisso que inaugurou o brilhante roteiro invicto do Fluminense no título do Torneio Rio-São Paulo de 1957:

24 de abril de 1957 – Torneio Rio-São Paulo – Fluminense 1×0 América – Estádio do Maracanã (RJ) – Árbitro: Alberto da Gama Malcher –  Gol: Waldo.

Fluminense: Alberto, Cacá, Roberto e Altair; Jair Santana e Clóvis; Telê Santana (Paulinho) (Osvaldo), Leo (Robson), Waldo, Jair Francisco e Escurinho. América: Pompéia, Lucio e Édson; Rubens, Tinoco e Hélio (Maneco); Canário, Genuíno (Romeiro), Leônidas, Alarcon e Ferreira.

Araty e Jair Santana. O Botafogo castigou o Fluminense por 3×1 em jogo válido pelo campeonato carioca. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 816 – 26 de novembro de 1953.

A boa linha intermediária do Fluminense. Partindo da esquerda; Jair Santana, Clóvis e Paulo. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 972 – 22 de novembro de 1956.

Jair Santana permaneceu no elenco do Fluminense até o mês de julho de 1961, quando decidiu abandonar o futebol. Foram mais de 300 participações com a camisa do tricolor.

De acordo com reportagem publicada nas páginas do Jornal A Noite, ao deixar os gramados Jair Santana exerceu o magistério em Educação Física e também trabalhou como treinador nas categorias amadoras do Vasco da Gama.

Em dezembro de 1963 recebeu uma boa proposta dos dirigentes do Olaria para comandar o time principal. O trabalho no time da Rua Bariri foi iniciado em 8 de janeiro de 1964.

Todavia, o papel de treinador não durou muito e Jair Santana voltou para sua rotina no magistério, sempre acompanhando de perto os jogos do Fluminense e do Olaria.

Internado por conta de uma infecção urinária na Casa de Saúde São Bento, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, Jair Florêncio de Santana faleceu em 13 de outubro de 2014.

Castilho defende o petardo de Paulinho, enquanto Cacá ao centro e Jair Santana ao fundo acompanham o lance! O Flamengo venceu por 1×0 em duelo pelo campeonato carioca de 1956. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

O esquadrão defensivo do Fluminense. Em pé: Jair Santana, Clóvis e Altair. Agachados: Jair Marinho, Castilho e Pinheiro. Crédito: revista do Esporte número 50 – 20 de fevereiro de 1960.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Raul Quadros), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado (por Alberto Ferreira Lima, Armando Nóbrega, José Romeu Viana, José Santos, Levy Kleiman, Luís Mendes e Manuel Etiel), revista Grandes Clubes Brasileiros, revista O Cruzeiro, revista O Globo Sportivo (por Carlos Belmonte e José Luíz Pinto), Jornal A Noite, Jornal dos Sports, acervo.oglobo.globo.com, campeoesdofutebol.com.br, fluminense.com.br, site do Milton Neves, Livro: Fluminense Football Club – História, Conquistas e Glórias no Futebol – Antônio Carlos Napoleão – Editora Mauad, albumefigurinhas.no.comunidades.net.