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“Passa parafina no cabelo meu filho”. A vasta cabeleira loura foi uma sugestão do famoso apresentador e produtor artístico Carlos Imperial, na época diretor de futebol do Botafogo.

Em pouco tempo, o visual de surfista e o futebol dedicado fizeram de Rocha um ídolo da garotada, uma cara legal que jamais negou atenção aos torcedores!

De acordo com matéria da revista Placar em 19 de junho de 1981, o humilde Rocha justificava assim sua popularidade: “Já fui um torcedor apaixonado! Sei como é complicado aguardar um tempão para conseguir um simples autógrafo”.

Sempre lembrado como “Rocha”, Jorge Luís Rocha de Paula nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 28 de outubro de 1958, embora a revista Placar de 30 de abril de 1982 tenha divulgado seu nascimento em 1957.

Sua caminhada esportiva foi iniciada na década de 1970, nas fileiras amadoras do Olaria Atlético Clube (RJ). Disputou o certame carioca de 1978 e 1979 pelo Olaria, para em seguida ser emprestado ao Esporte Clube Bahia (BA).

Para tremer o Maracanã! Rocha do Botafogo e Luisinho Lemos do América. Crédito: revista Placar.

No primeiro combate ou na cobertura, Rocha não confiava na sorte! Crédito: revista Placar.

No início da temporada de 1981, os direitos federativos do volante Rocha foram negociados em definitivo com o Botafogo de Futebol e Regatas (RJ), que na oportunidade desembolsou apenas 1,5 milhões de cruzeiros.

Excelente marcador, Rocha era dono de um fôlego incansável, um complemento perfeito para liberar o talento de Mendonça nas manobras de criação da meia-cancha.

Abaixo, uma participação do promissor Rocha jogando pelo Olaria na primeira rodada do primeiro turno do campeonato carioca de 1978:

2 de setembro de 1978 – Campeonato Carioca primeiro turno – Vasco da Gama 0x0 Olaria – Estádio de São Januário – Árbitro: Valquir Pimentel.

Vasco da Gama: Mazaropi; Orlando, Abel, Gaúcho e Marco Antônio; Paulo Roberto, Guina e Ramón (Paulo Cesar); Roberto Dinamite, Dirceu (Helinho) e Paulinho. Olaria: Ernâni; Baiano, Mauro, Luís Carlos e Gilmar; Rocha, Lulinha (Dico) e Rubens Nicola; Cavalcanti, Ricardo e Roberto Lopes.

Rocha não largava Zico nem quando o jogo estava paralisado! Crédito: revista Placar.

O Botafogo viveu fortes emoções na temporada de 1981. Em pé: Gaúcho, Zé Eduardo, Rocha, Serginho, Paulo Sérgio e Perivaldo. Agachados: Édson, Mendonça, Mirandinha, Marcelo e Ziza. Foto de Ignácio Ferreira. Crédito: revista Placar – 50 times do Botafogo.

O melhor momento de Rocha no Botafogo aconteceu no campeonato brasileiro de 1981. Ao lado de Ademir e Mendonça, o médio-volante de cabeleira loura foi determinante na boa campanha do time da “Estrela Solitária”.

Na semifinal, o Botafogo acabou desclassificado pelo São Paulo na memorável partida disputada no Morumbi em 26 de abril de 1981. O quadro carioca vencia por 2×0, mas foi superado em uma discutida virada do tricolor paulista por 3×2.

Em jogo nervoso, o árbitro Bráulio Zanotto foi agredido no intervalo da partida por supostos seguranças. O fato foi comprovado em imagem publicada pelo repórter Manoel Motta nas páginas da revista Placar de 1 de maio de 1981.

26 de abril de 1981 – Semifinal do campeonato nacional – São Paulo 3×2 Botafogo – Estádio do Morumbi – Árbitro: Bráulio Zanotto – Gols: Jérson e Mendonça para o Botafogo; Serginho e Éverton (2) para o São Paulo.

São Paulo: Waldir Peres; Getúlio, Oscar, Dario Pereyra e Marinho Chagas; Almir, Heriberto (Éverton) e Renato (Assis); Paulo César, Serginho Chulapa e Zé Sérgio. Botafogo: Paulo Sérgio; Perivaldo, Gaúcho, Zé Eduardo e Gaúcho Lima; Rocha, Ademir e Mendonça (Gilmar); Ziza (Édson), Marcelo e Jérson. 

Os segredos da enorme popularidade: Uma cabeleira cuidada, o bom futebol e a proximidade com os torcedores! Foto de Ignácio Ferreira. Crédito: revista Placar – 19 de junho de 1981.

O Botafogo recebeu 50 milhões de cruzeiros e Rocha foi apresentado no Palmeiras. Foto de Ronaldo Kotscho. Crédito: revista Placar – 30 de abril de 1982.

Com seu passe avaliado em 14 milhões de cruzeiros, Rocha foi pretendido por vários clubes do Brasil, principalmente o Palmeiras, que ofereceu uma proposta muito boa aos dirigentes do Botafogo.

Por 50 milhões de cruzeiros aos cofres do Botafogo, Rocha foi apresentado aos torcedores no Palmeiras pelo dirigente Nicola Racioppi em abril de 1982.

No período entre 1982 e 1985, Rocha foi um lutador dedicado no Palmeiras, ainda que seu reconhecido empenho não tenha resultado em títulos!

Entre tantos companheiros no time do Parque Antártica, Rocha jogou ao lado de Jorginho Putinatti, Leão, Mário Sérgio Pontes de Paiva, Vágner Bacharel e outros afamados valores!

No Palmeiras, Rocha disputou ao todo 199 compromissos; com 79 vitórias, 77 empates, 43 derrotas e apenas 1 gol marcado. Os registros foram publicados pelo reconhecido Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Impávido e vigilante, o guerreiro Rocha aparece na marcação de Sócrates. Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 6 de agosto de 1982.

O Palmeiras do técnico Rubens Minelli. Esperança nos gols de Baltazar, no talento de Jorginho e na dedicação de Rocha! Foto de Ronaldo Kotscho. Crédito: revista Placar – 10 de setembro de 1982.

Em janeiro de 1986, Rocha continuou no cenário paulista ao ser transferido para o Clube Atlético Juventus, que na época também apresentou o zagueiro Juninho, o goleiro Barbiroto e o atacante Reinaldo Xavier.

“Cuidado, pois vamos incomodar muita gente grande no campeonato paulista”. Afirmou o confiante e experiente volante Rocha em entrevista da repórter Fátima Cardoso para a revista Placar.

Vestindo a camisa do Juventus, Rocha conquistou o saudoso “Torneio Início” do campeonato paulista de 1986, uma atraente competição que atualmente deixou de existir!

Ao encerrar seu vínculo com o time da Rua Javari, Rocha ainda jogou pelo XV de Piracicaba (SP) e depois pelo Londrina (PR). Seu último clube como profissional foi o Vila Nova Futebol Clube de Goiás em 1989.

Ainda jovem, Jorge Luís Rocha de Paula faleceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 14 de setembro de 1995.

Cabelo aparado! Uma nova realidade no Palmeiras. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – Outubro de 1983.

O Juventus sempre otimista! Partindo da esquerda; Juninho, Barbiroto, Rocha e Reinaldo Xavier. Foto de Levi Mendes Júnior. Crédito: revista Placar – 24 de fevereiro de 1986.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Emanoel Mattos, Fábio Rocco Sormani, Fátima Cardoso, Hipólito Pereira, Ignácio Ferreira, JB Scalco, Lemyr Martins, Levi Mendes Júnior, Manoel Motta, Maria Helena Araújo, Marco Aurélio Borba e Ronaldo Kotscho), revista Manchete Esportiva, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, acervo.oglobo.globo.com, botafogo.com.br, campeoesdofutebol.com.br, palmeiras.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.