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Com o Catania na “Série B” do campeonato italiano, o nome do lateral-esquerdo Pedrinho praticamente desapareceu dos planos da Seleção Brasileira do técnico Telê Santana.

Na Itália, o incansável Pedrinho sentiu muita diferença no sistema de marcação, que raramente oferecia oportunidades para sua subida ao campo de ataque, um diferencial marcante de seu vistoso futebol.

Antes de renovar o contrato com o Catania em 1984, Pedrinho impôs uma única condição para assinar o documento na mesa do dirigente.

O lateral brasileiro queria ser aproveitado no meio de campo, assim como fazia Júnior no Torino. A mudança foi proveitosa e o sonho de disputar o mundial de 1986 reacendeu!

Idolatrado pela fervorosa torcida do Catania, Pedrinho morava sozinho em um confortável apartamento na Praia das Pedras, um endereço bem próximo do centro da cidade.

O Palmeiras que realizou uma ótima campanha no campeonato nacional de 1978. Em pé: Rosemiro, Leão, Beto Fuscão, Alfredo Mostarda, Pires e Pedrinho. Agachados: Silvio, Jorge Mendonça, Toninho, Escurinho e Toninho Vanusa. Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 50 times do Palmeiras.

O Palmeiras de Telê Santana apostando na juventude! Partindo da esquerda; Carlos Alberto, Gilmar, Pires, Mococa e Pedrinho. Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 23 de novembro de 1979.

“Garoto Propaganda” de uma fábrica de colchões, o lateral era sempre lembrado para participar de programas esportivos no rádio e na televisão italiana.

Bom marcador e com enorme facilidade para o apoio ofensivo, Pedrinho viveu seu melhor momento no Palmeiras e no Vasco da Gama entre 1978 e 1982.

Mais lembrado como “Pedrinho”, Pedro Luís Vicençote nasceu no município de Santo André (SP), em 22 de outubro de 1957.

Conforme publicado nas páginas da revista Placar em 28 de dezembro de 1979, Pedrinho iniciou sua caminhada nas equipes amadoras da Associação Portuguesa de Desportos (SP), mas acabou dispensado, talvez pelo porte físico franzino!

Longe de esmorecer, o rapazola de Santo André foi parar nos times da base da Sociedade Esportiva Palmeiras, onde mais tarde fez muito sucesso na tradicional Taça São Paulo de Juniores.

Em “Derby” disputado no Morumbi, Beto Fuscão e Pedrinho na marcação de Sócrates. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 12 de setembro de 1980.

Observados pelo árbitro Dulcídio Wanderley Boschilia, Vaguinho e Pedrinho em duelo acirrado pelo corredor direito! Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 12 de setembro de 1980.

Em grande fase, Pedrinho foi promovido ao time principal do alviverde, inclusive fazendo parte da campanha do vice-campeonato brasileiro de 1978.

Pedrinho também foi um componente importante na grande equipe montada por Telê Santana em 1979, ano em que o Palmeiras foi prejudicado pela paralisação do certame paulista depois que o Corinthians não concordou com uma rodada dupla.

O campeonato ficou parado e o astuto presidente Vicente Matheus ganhou um tempo precioso para esfriar o bom momento do Palmeiras.

Ainda em 1979, o alviverde paulista foi muito bem no campeonato brasileiro. Afinal, como esquecer da tarde em que o Flamengo de Zico foi atropelado em pleno Maracanã pelo placar de 4×1.

Ganhador da concorrida “Bola de Prata” da revista Placar na edição de 1979, a felicidade de Pedrinho não durou para sempre!

Papai Pedro Antônio. A cruel rotina do futebol profissional afastou Pedrinho de comemorar o “Dia dos Pais”. Foto de Hugo Koyama. Crédito: revista Placar – 7 de agosto de 1981.

No Rio de Janeiro, um momento especial na carreira de Pedrinho! Foto de Ignácio Ferreira. Crédito: revista Placar – 26 de fevereiro de 1982.

Com a saída do técnico Sérgio Clerice e a chegada de Diede Lameiro, o alviverde viveu uma temporada bem abaixo do esperado em 1980, uma turbulência que parecia não ter fim.

A forte instabilidade no Parque Antártica foi o gatilho responsável pela saída de Pedrinho, quem em 1981 foi negociado com o Club de Regatas Vasco da Gama (RJ).

De acordo com o “Almanaque do Palmeiras”, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Pedrinho jogou 225 partidas; com 92 vitórias, 75 empates, 58 derrotas e 17 gols marcados.

No cenário carioca, Pedrinho viveu um período especial e seu nome foi lembrado para fazer parte do grupo que disputou o mundial da Espanha em 1982.

Mesmo como suplente imediato de Júnior do Flamengo, Pedrinho voltou da Copa do Mundo da Espanha com seu passe bastante valorizado!

Pedrinho e Júnior, qualidade e talento de sobra para colocar o técnico Telê Santana em dúvida! Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 12 de março de 1982.

Júnior e Pedrinho. Bola dividida na lateral esquerda do escrete! Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 12 de março de 1982.

Pelo time de São Januário, Pedrinho foi campeão carioca de 1982 e só deixou o clube ao acertar sua transferência para o Catania da Itália em 1983.

Pedrinho ainda voltou ao mesmo Vasco da Gama na temporada de 1986. No ano seguinte assinou com o Bangu Atlético Clube (RJ), equipe que defendeu até o ano de 1988, quando definitivamente deixou os gramados.

Conforme publicado pelo site “bangu.net”, Pedrinho disputou apenas 26 jogos com a camisa do alvirrubro de “Moça Bonita”. Foram 11 vitórias, 9 empates e 6 derrotas.

Fora das quatro linhas, Pedrinho continuou ligado ao futebol como empresário. Em matéria publicada pela revista Placar em 23 de dezembro de 1988, o ex-lateral firmou uma parceria comercial com o cartola italiano Geovani Branchini.

Na referida reportagem, Pedrinho definiu assim a sua nova faceta no disputado mundo dos negócios da bola: “Sou apenas um profissional experiente que tenta ajudar os mais jovens”.

Bons contratos de publicidade e muito prestigio com os torcedores do Catania. Crédito: revista Placar – 12 de julho de 1985.

De folga no campeonato italiano, Pedrinho visita os pais em São Paulo. Foto de Nélson Coelho. Crédito: revista Placar – 12 de julho de 1985.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Hugo Koyama, Ignácio Ferreira, JB Scalco, José Maria de Aquino, José Pinto, Manoel Motta, Marcelo Duarte, Marcelo Rezende, Maria Helena Araújo, Marco Aurélio Borba, Nélson Coelho, Ricardo Beliel e Sérgio Martins), revista Manchete Esportiva, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, acervo.oglobo.globo.com, bangu.net, campeoesdofutebol.com.br, palmeiras.com.br, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), vasco.com.br, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, albumefigurinhas.no.comunidades.net.