Tags

, , , ,

Em 1978, o presidente Felício Brandi estava visivelmente preocupado. Afinal, o sempre seguro Raul Plassmann estava mesmo com os dias contados na Toca da Raposa.

“Goleiro é cargo de confiança”, uma assustadora realidade que durante semanas tirou o sono do homem forte do time estrelado de Belo Horizonte.

E foi nesse cenário reconhecidamente delicado, que o jovem e promissor goleiro Luís Antônio deixou o concorrido interior de São Paulo para viver uma arriscada aventura no futebol mineiro!

Conhecido pelos mais próximos com o apelido de “Totó”, Luís Antônio Toledo nasceu no município de Neves Paulista (SP), em 20 de novembro de 1954.

Conforme publicado nas páginas da revista Placar de 14 de julho de 1978, Luís Antônio defendeu várias equipes antes de fazer enorme sucesso com a camisa do América de São José do Rio Preto.

Elenco completo do América de São José do Rio Preto (SP). O goleiro Luís Antônio aparece em pé de camisa azul. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 20 de janeiro de 1978.

Responsabilidade pesada! Luís Antônio recebe a bola de Raul Plassmann. Foto de Alberto Carlos. Crédito: revista Placar – 14 de julho de 1978.

Sua caminhada esportiva foi iniciada em 1969, nas fileiras amadoras do Clube Atlético Nevense, equipe onde também assinou o seu primeiro contrato como profissional.

Depois passou com brilho pela Votuporanguense, Araçatuba e pelo Bandeirante de Birigui, até ser recusado no Palmeiras e depois encaminhado ao Corinthians do então técnico Sylvio Pirillo.

Contudo, Luís Antônio também não teve muita sorte no time do Parque São Jorge. Foram apenas duas participações em pouco mais de oito meses de clube.

No início de 1975, pelo montante de 300 mil cruzeiros, seus direitos federativos foram transferidos ao América da cidade de São José do Rio Preto (SP).

No América, Luís Antônio foi um dos grandes destaques da equipe na temporada de 1975, quando o mesmo Corinthians ofereceu uma boa proposta para contar novamente com seu futebol.

Quadro do Cruzeiro no Pacaembu! Em pé: Luís Antônio, Nelinho, Mundinho, Marquinhos, Zézinho Figueroa e Luís Cosme. Agachados: Eduardo, Eli Carlos, Tião, Erivelto e Joãozinho. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar.

João Leite e Luís Antônio. Se depender deles, o zero vai continuar bem firme no placar do Mineirão! Foto de Auremar de Castro. Crédito: revista Placar – 26 de setembro de 1980.

Ostentando uma vasta cabeleira loura, o jovem “guarda-metas” conquistou um importante espaço na mídia esportiva, o que por certo foi determinante para o constante assédio de inúmeras equipes.

Abaixo, uma das grandes atuações de Luís Antônio no certame paulista de 1975, quando segurou o ímpeto do Corinthians em pleno Pacaembu:

26 de julho de 1975 – campeonato paulista segundo turno – Corinthians 0x0 América (SP) – Estádio do Pacaembu – Árbitro: Romualdo Arppi Filho.

Corinthians: Luís Antônio Machado; Zé Maria, Laércio, Ademir e Cláudio; Ruço e Basílio (Nílton); Vaguinho, Pitta, Zé Roberto e Marco Antônio (Adílson). América: Luís Antônio Toledo; Cleto, Baldini, Jair e Ademir; Nélson Prandi e Serginho; Zuza, Paraná, Wilson Luís e Darci (Miranda).

Negociado no início de 1978 com os dirigentes do Cruzeiro Esporte Clube (MG), seu processo de adaptação na Toca da Raposa não foi nada fácil.

O maior de todos os desafios. Fazer a torcida esquecer de Raul Plassmann. Foto de Hugo Koyama. Crédito: revista Placar – 19 de março de 1982.

Luís Antônio e o companheiro Carlinhos. A grande esperança do Cruzeiro para renascer no campeonato nacional. Foto de Hipólito Pereira. Crédito: revista Placar – 19 de março de 1982.

Além da constante e prejudicial comparação com o afamado Raul Plassmann, o goleiro paulista sofreu com vários afastamentos provocados por contusões e fraturas.

Na década de 1980, Luís Antônio padeceu com um longo período de domínio regional do Atlético Mineiro. Seu único título estadual pelo Cruzeiro aconteceu em 1984.

Também jogou por empréstimo na Internacional de Limeira (SP) e depois no Grêmio Maringá (PR), em rápidas passagens até voltar novamente ao Cruzeiro.

Só deixou definitivamente o Cruzeiro na temporada de 1988, quando encerrou a carreira nos gramados para dedicar o tempo em sua fazenda no Mato Grosso.

De acordo com artigo de Marcelo Rozenberg publicado no site do Milton Neves, Luís Antônio atualmente mantém uma Escolinha de Futebol na cidade de Fernandópolis (SP).

A tão famosa camisa amarela, uma herança do ídolo Raul Plassmann! Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Para quem chegou timidamente no Cruzeiro, Luís Antônio conquistou muito respeito no cenário mineiro! Crédito: revista Placar – 28 de maio de 1982.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Alberto Carlos, Anibal Penna, Auremar de Castro, Hipólito Pereira, Hugo Koyama, Lenivaldo Aragão, Manoel Motta, Maurício Cardoso e Sérgio A. Carvalho), revista Manchete Esportiva, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal Estado de Minas, campeoesdofutebol.com.br, cruzeiro.com.br, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), albumefigurinhas.no.comunidades.net.