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No início da década de 1960, Dario revelou aos homens da imprensa esportiva que estava desiludido com o futebol. Nas derrotas do Vasco da Gama, seu nome aparecia sempre como o principal responsável.

Era uma sina recorrente, uma realidade difícil de aceitar! Afastado do time, a madeira do banco de reservas só não era mais dura do que a triste realidade de um costumeiro recomeço!

Quando perguntado sobre o que faria longe dos gramados, Dario prontamente apresentava o seu planejamento de futuro: “Pretendo comprar um caminhão e trabalhar por conta. Não alimento mais ilusões com o futebol”.

Todavia, o filho da “Boa Terra” foi convencido por alguns dirigentes e continuou por mais algum tempo nas fileiras do Gigante da Colina.

Dario Damasceno Santos nasceu em Salvador (BA) no dia 7 de janeiro de 1934, embora algumas fontes apontem o seu nascimento em 1932.

No Rio de Janeiro, boa parte do dinheiro ganho no futebol era enviado ao irmão mais velho na Bahia! Foto de Alberto Ferreira. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 893 – 19 de maio de 1955.

A intermediária do “Cruzmaltino”. Partindo da esquerda; Eli do Amparo, Laerte e Dario. Foto de Alberto Ferreira. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 893 – 19 de maio de 1955.

Criado no bairro de Brotas, região central da cidade de Salvador, sua caminhada esportiva foi iniciada no findar da década de 1940, nas equipes amadoras do Esporte Clube Bahia (BA).

Médio-volante de origem, o antes mecânico de automóveis Dario foi aproveitado no time principal em 1952, inclusive fazendo parte do elenco que chegou com brilho ao título estadual.

Em grande fase, no mês de maio de 1954 seus direitos foram negociados com o Club de Regatas Vasco da Gama (RJ), um desafio e tanto para o promissor rapazola que também jogava como lateral-direito e zagueiro.

O contrato com o clube carioca foi fixado em 10 mil cruzeiros mensais, um valor bem acima da então sofrida realidade do futebol da Bahia.

Disciplinado e sobretudo dedicado, os primeiros meses no time de São Januário ficaram marcados por algumas “derrapadas” diante dos inúmeros craques do disputado cenário carioca.

Bons valores do Vasco da Gama. Partindo da esquerda; Jofe, Eli do Amparo e Dario. Foto de Alberto Ferreira. Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado número 893 – 19 de maio de 1955.

Cansado de ser pouco aproveitado, Dario até pensou em largar o mundo da bola! Crédito: revista do Esporte.

Mas Dario contava com a simpatia do sempre exigente técnico Flávio Costa, que entendia perfeitamente o processo natural de evolução do jogador.

Campeão carioca em 1956 e 1958, Dario participou da conquista do Torneio de Paris em 14 de junho de 1957 diante do poderoso Real Madrid. Em seguida o “cruzmaltino” faturou também a Taça Teresa Herrera na Espanha.

Abaixo, uma das participações de Dario na campanha da memorável conquista do campeonato carioca de 1956:

21 de outubro de 1956 – Campeonato carioca segundo turno – Portuguesa (RJ) 0x5 Vasco da Gama – Estádio de Campos Sales – Árbitro: Mário Vianna – Gols: Livinho, Pinga, Vavá (2) e Walter Marciano. 

Portuguesa (RJ): Antoninho; Valter e Juvaldo; Joe, Henrique e Cicarino; Paraguaio, Guilherme, Carlyle, Perinho e Carlinhos. Técnico: Denoni Alves. Vasco da Gama: Carlos Alberto; Dario e Bellini; Laerte, Orlando e Coronel; Sabará, Livinho, Vavá, Walter Marciano e Pinga. Técnico: Martin Francisco.

Triste com o andamento de sua carreira no futebol, Dario tinha planos de comprar um caminhão para trabalhar por conta! Crédito: revista do Esporte.

Contudo, com o passar do tempo, Dario sofreu com o banco de reservas e pouco podia fazer diante da forte retaguarda considerada titular com Carlos Alberto; Paulinho e Bellini; Laerte, Orlando e Coronel.

Em 1964 Dario trocou o Vasco da Gama pelo Clube Atlético Juventus (SP), uma rápida passagem para em seguida deixar definitivamente o mundo da bola!

No artigo especial publicado na revista Esporte Ilustrado, Dario afirmou que soube aplicar muito bem o dinheiro que recebeu no futebol. Comprou uma casa e alguns terrenos distantes do centro do Rio de Janeiro.

Quanto aos planos para comprar um caminhão, o objetivo foi substituído pelo desejo de empregar o capital na compra de um automóvel para usar na praça!

Aposentado e morador do bairro de Olaria, Dario Damasceno Santos faleceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 14 de novembro de 2017.

“O Vasco paga pouco, mas é um clube bom e valoriza o jogador”. Crédito: revista do Esporte número 187 – 6 de outubro de 1962.

Em 1962, o título carioca ficou com o Botafogo. Mas o Vasco da Gama fez uma boa campanha! Em pé: Humberto, Paulinho, Brito, Neivaldo, Barbosinha e Dario. Agachados: Sabará, Vevé, Saulzinho, Lorico e Tiriça. Crédito: revista do Esporte número 199 – 29 de dezembro de 1962.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado (por Alberto Ferreira, Leunam Leite, Levy Kleiman e Luís Mendes), revista Manchete Esportiva, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, acervo.oglobo.globo.com, campeoesdofutebol.com.br, globoesporte.globo.com, kikedabola.blogspot.com, vasco.com.br.