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Filho de um respeitado carpinteiro, o menino Helinho nunca mostrou interesse em aprender o nobre ofício do serrote. Fez apenas o curso primário do ensino fundamental e implacavelmente acabou tragado pelos encantos da bola.

Mais conhecido no mundo do futebol como “Helinho”, Hélio de Sousa nasceu no município de Penápolis (SP), em 22 de fevereiro de 1952, ainda que algumas fontes apontem o seu nascimento na cidade de São Paulo em 1950.

Com uma fama de “boleiro” dos bons, o rapazola deixou os limites de Penápolis ao ser encaminhado para uma experiência nos quadros amadores do simpático Clube Atlético Linense (SP).

Meio-campista esforçado, Helinho continuou nas fileiras do Linense por apenas uma temporada. Em seguida foi bem recomendado ao Garça Futebol Clube (SP), equipe onde conquistou relativo prestígio.

Contudo, uma antiga pendência financeira do Garça com o Marília Atlético Clube (SP) mudaria completamente o destino da jovem promessa. E lá foi Helinho de mudança novamente!

O Marília em 1972. Em pé: José Condeli (diretor), José Ribamar (presidente), Betão, Djalma, Helinho, Henrique Pereira, Juvenal e Raimundinho. Agachados: Varlei, Neguito, Nei, Valdemar e Ivo. Crédito: historiadomariliaatleticoclube.blogspot.com.

Vasco da Gama e Corinthians no Maracanã. Na reposição de bola, o goleiro Andrada recebe a marcação do meio-campista Helinho. Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 14 de novembro de 1975.

No Marília, o futebol dedicado de Helinho agradou bastante, mas não por muito tempo! Conforme artigo publicado na revista Placar de 16 de abril de 1976, uma insistente distensão muscular foi o principal motivo de sua saída do clube.

A passagem por empréstimo pelo Saad de São Caetano do Sul (SP) foi uma mistura de esperança e tempestade, uma fase difícil causada por uma acusação infundada de doping.

Sem receber salários do Marília ou do Saad, Helinho entrou em desespero! Foi então que apareceu uma oferta providencial da Ferroviária de Araraquara (SP), que inclusive trabalhou muito bem no processo de absolvição do jogador.

Quando chegou em Araraquara, Helinho estava visivelmente acima de seu peso. Assim, o exigente técnico Vail Motta logo tratou de recuperar o meio-campista, que foi apresentado na Fonte Luminosa por uma verdadeira “pechincha”.

O bom momento na Ferroviária representou o pronto interesse do técnico Milton Buzetto, que naquele momento iniciava seu trabalho para substituir o afamado Dino Sani no Corinthians.

Helinho em sua época de Ferroviária de Araraquara e depois no Corinthians, na alegria ao comemorar um gol marcado pelo ponteiro-esquerdo Romeu! Fotos de Manoel Motta e José Pinto. Crédito: revista Placar – 16 de abril de 1976.

No Corinthians a tão esperada oportunidade para fazer um bom “pé de meia”. Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 16 de abril de 1976.

Em sua sofrida “ciranda” pelos gramados do concorrido interior paulista, Helinho parecia embrutecido demais para acreditar em um destino generoso!

Surpreso pela feliz oportunidade, Helinho cruzou os portões do Parque São Jorge carregando nas costas um retrospecto sofrido, embora na opinião do técnico Milton Buzetto, o médio-volante tinha tudo para dar certo no alvinegro.

Beneficiado por contusões pontuais de Ruço e de Tião, Helinho foi aos poucos encontrando seu lugar na equipe. Abaixo, uma de suas participações no campeonato paulista de 1976:

28 de fevereiro de 1976 – Campeonato paulista – Primeiro turno – Corinthians 3×0 América – Estádio do Morumbi – Árbitro: Almir Laguna – Gols: Toninho e Geraldão (2) para o Corinthians.

Corinthians: Tobias; Zé Maria (Zé Eduardo), Darcy, Cláudio e Wladimir; Helinho, Tião e Ruço (Lance); Vaguinho, Geraldão e Toninho. América: Luís Antônio; Paulinho, Baldini (Serginho), Nelson Brandi e Cleto; Miro, Ademir (Poiani) e Iaúca; Paraná, Wilson Luís e Darci.

Com a bola Helinho, que contra o Flamengo no Morumbi não largou do pé de Zico! Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 16 de abril de 1976.

Elenco do Corinthians no Parque São Jorge em 1976. Primeira fila: Geraldão, Adílson, Zé Maria, Tobias, Cláudio Marques, Goes, Solito, Darcy, Brida e Édson Nogueira. Segunda fila: Givanildo, Basílio, Adãozinho, Ruço, Helinho, Tião, Ademir, Duque e Juan Perez. Terceira fila: Zé Eduardo, Vaguinho, Romeu, Wladimir e Veira. Crédito: revista Placar.

Todavia, o tempo passou e Milton Buzetto derrapou no conceito do presidente Vicente Matheus. Foi o suficiente para Filpo Nuñez ser anunciado como o novo salvador da pátria.

E Filpo Nuñez, um reconhecido pregador do futebol espetáculo, não queria saber de tantos volantes no elenco. Dessa forma, Helinho ainda foi aproveitado pelo técnico Duque, antes de continuar sua caminhada na Associação Atlética Ponte Preta (SP).

Pelo Corinthians, Helinho disputou 55 compromissos entre 1975 e 1976. Foram 24 vitórias, 16 empates, 15 derrotas e 2 gols marcados. Os números foram publicados pelo “Almanaque do Corinthians”, do autor Celso Dario Unzelte.

Depois da passagem pela Ponte Preta, Helinho defendeu ainda o Santa Cruz (PE) e o extinto Colorado Esporte Clube (PR), o atual Paraná Clube, equipe onde jogou até 1980, quando decidiu deixar os gramados.

De acordo com a página “Que fim levou” do jornalista Milton Neves, Helinho reside atualmente na cidade de São Paulo e trabalha em uma empresa no bairro do Ipiranga.

Helinho em sua passagem pelo Colorado (PR). Coleção “Ping-Pong Futebol Cards”. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

“Nos dias de hoje, esse negócio de usar bigodão parece que não coloca mais medo em ninguém”. Foto de José Eugênio. Crédito: revista Placar – 15 de setembro de 1978.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, José Eugênio, José Maria de Aquino, José Pinto, Manoel Motta, Rodolpho Machado e Wilson Baroncelli), Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, historiadomariliaatleticoclube.blogspot.com, site do Milton Neves, Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, albumefigurinhas.no.comunidades.net.