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Nas ruas de Encantado, no Rio Grande do Sul, um boato assustador circulava nas rodinhas onde o futebol era o assunto preferido.

Sem titubear, os mais velhos pregavam com ênfase: Nunca encaixe uma bola no peito quando o chute for muito forte. É câncer na certa!

César estava por perto e ouvia a prosa com total interesse. Afinal, seu nome já era reconhecido como um dos grandes destaques do juvenil do Esporte Clube Encantado, o popular alvirrubro da cidade!

Talvez por esse motivo, o goleiro César conservou o hábito de praticar defesas em dois tempos. Primeiro amortecia os petardos com a palma das mãos, para depois abraçar o couro em definitivo.

Com o passar do tempo, o ágil e grandalhão César ficou conhecido apenas como “Bagatini”. Em 1968, a fama de suas intervenções consideradas milagrosas o levaram ao disputado futebol de Caxias do Sul (RS).

Vivendo um grande momento no Caxias, Bagatini foi equiparado aos astros Cejas e Manga! Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 4 de junho de 1976.

Engenharia e futebol. Um casamento perfeito! Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 4 de junho de 1976.

Bagatini firmou compromisso com o Grêmio Esportivo Flamengo de Caxias do Sul, que em 1971 foi rebatizado como Associação Caxias de Futebol e depois, em 1975, como Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias do Sul, uma bonita mistura nas cores azul, branco e grená.

Marcante “guarda-metas” do cenário gaúcho na década de 1970, César Ângelo Bagatini nasceu no município de Encantado (RS), em 12 de março de 1952.

Disciplinado e esforçado, o promissor Bagatini foi superando seus desafios em Caxias do Sul. Terminou o ensino fundamental e caminhou firme para iniciar a tão sonhada faculdade de Engenharia.

A batalha por um lugar ao sol no quadro principal do Caxias durou até 1975, quando o treinador Marco Eugênio entendeu que era o momento oportuno de oferecer uma oportunidade para o espigado Bagatini.

Na época, Bagatini já era formado em engenharia e reforçava seu orçamento trabalhando meio turno em uma empresa de colhedoras automotrizes.

No Pacaembu, o Corinthians sofreu muito para derrotar o Caxias (RS) por 1×0. No lance, o goleiro Bagatini, o zagueiro Scolari e o atacante Palhinha. Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 10 de fevereiro de 1978.

Bagatini em sua passagem pelo Internacional (RS). Coleção “Ping-Pong Futebol Cards”. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Contudo, a situação profissional ficou insustentável quando os diretores da tal empresa exigiram uma definição: Engenharia ou futebol?

Acuado, Bagatini levou o problema ao presidente do Caxias, que prontamente ofereceu um emprego no planejamento de peças da fábrica de tratores de sua propriedade.

Paralelamente, a ascensão de suas apresentações na meta do Caxias despertou o forte interesse do presidente do Fluminense (RJ), Francisco Horta. Na ocasião, o técnico Didi esperava contar com Bagatini nas Laranjeiras em 1976.

Todavia, Bagatini continuou no Caxias, até aparecer uma oferta compensadora do Sport Club Internacional em 1978. No Beira Rio, o goleiro foi campeão gaúcho da temporada e participou do elenco campeão brasileiro de 1979.

Tirando uma passagem por empréstimo no Esporte Clube Vitória (BA) em 1980, Bagatini permaneceu firme no elenco do Internacional até 1981, para em seguida acertar suas bases com o Coritiba Foot Ball Club (PR).

O marido das 1001 utilidades! Sempre habilidoso nas tarefas manuais, Bagatini construiu o berço da filha. Foto de Carlos Catela. Crédito: revista Placar – 29 de julho de 1983.

O goleiro de 1001 utilidades! Bagatini detestava tomar banho de água fria. Então, para felicidade geral, o gaúcho consertou os chuveiros do vestiário do Vitória. Foto de Carlos Catela. Crédito: revista Placar – 29 de julho de 1983.

A passagem pelo futebol paranaense durou até 1983, com uma transferência em definitivo para os quadros do mesmo Vitória (BA), pelo montante de 10 milhões de cruzeiros.

No Rubro-Negro da Boa Terra, Bagatini era popular junto aos torcedores e muito respeitado pelos companheiros. Era uma espécie de “faz tudo”. Até os chuveiros do vestiário foram consertados por ele. Um goleiro de 1001 utilidades!

Nas páginas da revista Placar de 29 de julho de 1983, Bagatini definiu assim sua costumeira presteza em serviços diversos: “Eu me sinto útil. É um hobby que tenho nos períodos entediantes da concentração”.

Bagatini jogou ainda pelo Sport Club do Recife (PE) e encerrou sua caminhada esportiva em 1984, no Grêmio Esportivo Brasil de Pelotas (RS).

Esposo e pai dedicado, sempre rodeado por muitos amigos, o simpático Bagatini reside atualmente na cidade de Caxias do Sul.

“Nos tempos de moleque eu era chamado de cientista louco”. Crédito: revista Placar – 29 de julho de 1983.

Popularidade com os torcedores e o respeito dos companheiros no Vitória (BA). Foto de Carlos Catela. Crédito: revista Placar – 29 de julho de 1983.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Catela, Carlos Namba, JB Scalco, José Pinto, Lemyr Martins e Washington de Souza Filho), revista Manchete Esportiva, Jornal Zero Hora, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, internacional.com.br, sercaxias.com.br, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), albumefigurinhas.no.comunidades.net.