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A pergunta ganhava corpo na imprensa esportiva e nas rodinhas de torcedores: Por que Chico Fraga ainda não é o titular da lateral-esquerda do Internacional?

Precavido, o técnico Rubens Minelli era direto em sua resposta: “Chico Fraga não é o titular porque a posição é do Vacaria! Não tenho motivos para me arriscar”.

Entretanto, não era possível ignorar o crescimento do futebol de Chico Fraga. O jovem lateral fez boas apresentações na reta final do campeonato brasileiro de 1975, como também foi muito bem no Pan-Americano de 1975 e nos Jogos de Montreal em 1976.

Cara de “brabo”, só restava um caminho ao reservado Chico Fraga. Continuar o bom trabalho na sombra de Vacaria e esperar por um futuro promissor no time do Beira Rio!

Mais conhecido como “Chico Fraga”, Francisco Fraga da Silva nasceu na cidade de Porto Alegre (RS) no dia 2 de outubro de 1954. Sua trajetória esportiva foi iniciada em 1967, nas fileiras amadoras do Sport Club Internacional (RS).

Um nome sempre lembrado nas convocações da Seleção Brasileira amadora, Chico Fraga conquistou o Pan-Americano de 1975 no México e disputou os Jogos Olímpicos de Montreal em 1976. Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar.

Cléber entrou no lugar do ponteiro Zé Roberto, mas não assustou o camisa 4 Chico Fraga! O Inter venceu o Fluminense na semifinal do “brasileirão” por 2×0 no Maracanã! Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 12 de dezembro de 1975.

Quando chegou na escolinha do Internacional, Chico Fraga queria vencer como meia-armador, um sonho que logo foi deixado de lado pela quantidade de bons valores para a meia-cancha!

Assim, o rapazola foi aproveitado como lateral-esquerdo, o que certamente foi uma escolha sensata. Bom marcador e bom na bola parada, Chico Fraga foi passando por várias categorias, até chegar ao juvenil do Inter.

Depois de anos de muita dedicação, a recompensa foi promovida pelo treinador Rubens Minelli, que no findar da temporada de 1975 precisava de um substituto para Vacaria.

Conforme publicado pela revista Placar na edição de 10 de setembro de 1976, o primeiro contrato profissional representou 8 mil cruzeiros mensais, exatamente o dobro do que recebia no documento conhecido como “Contrato de Gaveta”.

Vivendo um grande momento, Chico Fraga participou do memorável elenco do “Colorado” que entre os anos de 1975 e 1976 faturou o campeonato gaúcho e o bicampeonato brasileiro.

Dedicado e sempre pronto em colaborar, Chico Fraga contava com a simpatia do técnico Rubens Minelli. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 10 de setembro de 1976.

Paciência e confiança no futuro! Partindo da esquerda no banco de reservas do Internacional; Tadeu, Chico Fraga e Escurinho. Foto de Sílvio Ferreira. Crédito: revista Placar – 15 de outubro de 1976.

Abaixo, os registros do histórico confronto que decidiu o campeonato brasileiro de 1975 em favor do Internacional no Beira Rio:

14 dezembro de 1975 – Campeonato nacional – Internacional 1×0 Cruzeiro – Estádio Beira Rio – Árbitro: Dulcídio Wanderley Boschilia – Gol: Figueroa aos 12’ do segundo tempo.

Internacional: Manga; Valdir, Elias Figueroa, Hermínio e Chico Fraga; Caçapava, Falcão e Carpegiani; Valdomiro (Jair), Flávio e Lula. Técnico: Rubens Minelli. Cruzeiro: Raul Plassmann; Nelinho, Darci Menezes, Morais e Isidoro; Wilson Piazza, Zé Carlos e Eduardo (Souza); Roberto Batata (Eli Mendes), Palhinha e Joãozinho. Técnico: Zezé Moreira.

Em 1977 foi transferido para o Clube Náutico Capibaribe (PE), onde também foi lembrado no selecionado pernambucano comandado pelo técnico Evaristo de Macedo.

Na temporada de 1978 defendeu o São Paulo Futebol Clube. Continuou no time do Morumbi até 1980, quando firmou compromisso com os dirigentes do tricolor das Laranjeiras. Todavia, a permanência no Fluminense não foi muito longa!

Um duelo dos bons entre o ponteiro Nilton Batata e Chico Fraga no Morumbi! Crédito: revista Placar.

Chico Fraga em sua passagem pelo São Paulo. Coleção “Ping-Pong Futebol Cards”. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

O lateral passou depois pelo Sport Club do Recife (PE), Colorado Esporte Clube (PR), Joinville Esporte Clube (SC) e Esporte Clube XV de Novembro de Jaú (SP).

No Colorado do Paraná, Chico Fraga precisou sofreu uma cirurgia no joelho para a retirada dos meniscos, o que custou seu afastamento por quatro meses no departamento médico do clube.

Em entrevista publicada na revista Placar de 8 de agosto de 1980, Chico Fraga falou da difícil recuperação: “Passei oito meses para tirar o medo da cabeça. Em qualquer dividida mais dura eu imaginava dores. Foi uma coisa terrível”.

Algumas fontes também registram passagens por Sampaio Corrêa Futebol Clube (MA), Grêmio Esportivo Brasil de Pelotas (RS) e pelo Sport Club Guarany de Cruz Alta (RS), sua última equipe em 1988.

Continuou no mundo do futebol como treinador específico de bolas paradas no mesmo Internacional. Mais tarde trabalhou firme no “Projeto Aprimorar”, no desenvolvimento de jovens talentos nos fundamentos do futebol.

Quando deixou o Inter, Chico Fraga passou muito bem pelo Náutico e depois pelo São Paulo. Mas o desafio de brilhar no Fluminense era um verdadeiro teste de maturidade! Fotos de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar.

Em uma cobrança de falta, o camisa 6 Chico Fraga marcou o gol da vitória do Colorado sobre o Coritiba! Foto de José Eugênio. Crédito: revista Placar – 17 de outubro de 1980.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Divino Fonseca, JB Scalco, José Eugênio, Lenivaldo Aragão, Roberto Appel, Roberto José da Silva, Rodolpho Machado e Sílvio Ferreira), revista Manchete Esportiva, Jornal Zero Hora, campeoesdofutebol.com.br, fluminense.com.br, globoesporte.globo.com, internacional.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), albumefigurinhas.no.comunidades.net.