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Time que não faz gol perde respeito e o campeonato! E fazer gols com a camisa do Internacional era um desafio e tanto para Adílson, que na época contava com 28 anos de idade.

Nas páginas da revista Placar, em sua edição 8 de dezembro de 1978, Adílson Miranda foi descrito como um bom “ponta de lança” disfarçado de centroavante.

Lutando pela mesma famigerada camisa nove, o Internacional contava também com Luís Fernando, Reinaldo (ex-Santos) e até o meio-campista Jair Prates, que entrou na briga correndo por fora!

“Todos sabem que joguei como meio-campista no Náutico, no Corinthians e no Coritiba, mas também atuei como centroavante. Conheço bem a posição. Tudo é uma questão de tempo”, afirmava Adílson na referida matéria da revista Placar.

O certo é que no esquema do recém empossado técnico Cláudio Duarte, Adílson foi um elemento determinante na abertura de espaços para os golpes decisivos do ponteiro-direito Valdomiro, o algoz dos gremistas no título do campeonato gaúcho conquistado pelo Inter em 1978.

A briga pela camisa de centroavante no Internacional. Partindo da esquerda; Luís Fernando, Adílson, Reinaldo e Jair. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 8 de dezembro de 1978.

Meio-campista de origem, Adílson estava preparado para contribuir como centroavante no esquema do técnico Cláudio Duarte! Foto de JB Scalco. Crédito: revista `Placar – 8 de dezembro de 1978.

Filho de Antônio Miranda e Yolanda Miranda, Adílson Miranda nasceu na cidade de São Paulo (SP), em 3 de fevereiro de 1950.

Criado no bairro de Vila Guilherme, Zona Norte da capital paulista, o pequeno Adílson – também conhecido como “Dinho” – sempre encontrou na bola uma companheira inseparável.

O prazer de jogar futebol era sempre o mesmo, fosse nas inocentes peladas de rua ou nas fileiras do Centro da Coroa, uma agremiação de muito prestígio no cenário varzeano da região.

Assim, o destino foi abrindo portas! Adílson passou pelos quadros amadores do Palmeiras e do Corinthians, antes de chegar bem recomendado ao Esporte Clube São Bento da cidade de Sorocaba (SP).

No “azulão” sorocabano, Adílson firmou um bom vínculo contratual, bem como deixou o banco de suplentes para receber suas primeiras oportunidades durante a disputa do campeonato paulista de 1971.

Campeonato brasileiro de 1975. O Santa Cruz venceu o Corinthians por 1×0 no Arruda. No lance, o volante Givanildo escapa com a bola, enquanto é observado pelo companheiro Carlos Alberto, ao centro. Pelo quadro paulista, Tião, Adílson e Wladimir (direita) pouco podem fazer! Foto de Clodomir Bezerra. Crédito: revista Placar – 17 de outubro de 1975.

O zagueiro tricolor Paranhos não consegue evitar o arremate de Adílson do Corinthians, que marca o único gol do clássico “Majestoso” no Morumbi. Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 24 de outubro de 1975.

Do valente São Bento, o promissor Adílson foi parar no Clube Náutico Capibaribe (PE) em 1972, um estágio importante para a sua definitiva afirmação no mundo da bola!

Habilidoso e bom cabeceador, Adílson Miranda era um meio-campista de grande qualidade, embora tenha sofrido com a teimosia de alguns treinadores, que insistiam em aproveitá-lo exclusivamente como centroavante.

Na temporada de 1974, seu destino foi o Paysandu Sport Club (PA), de onde só saiu para voltar ao mesmo Corinthians no início de 1975, quando o clube estava em estado de ebulição pela saída do ídolo Roberto Rivellino.

Em boa forma física, Adílson foi logo aproveitado na Copa São Paulo, um torneio que foi vencido pelo Corinthians. A competição internacional contou ainda com a participação do São Paulo, do San Lorenzo da Argentina e Peñarol do Uruguai.

Todavia, o alvinegro escorregou novamente, tanto no certame nacional como no campeonato paulista. Com Basílio, Lance e Ruço como titulares da meia-cancha, Adílson penava por um lugar na linha ofensiva.

No Morumbi, o Corinthians venceu o Grêmio por 3×2 pelo campeonato brasileiro. No lance, o gremista Iura aparece cabisbaixo, enquanto César Lemos corre para comemorar o primeiro gol do jogo marcado por Adílson! Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 7 novembro de 1975.

Elenco do alvinegro no Parque São Jorge em 1976. Primeira fila: Geraldão, Adílson, Zé Maria, Tobias, Cláudio Marques, Goes, Solito, Darcy, Brida e Édson Nogueira. Segunda fila: Givanildo, Basílio, Adãozinho, Ruço, Helinho, Tião, Ademir, Duque e Juan Perez. Terceira fila: Zé Eduardo, Vaguinho, Romeu, Wladimir e Veira. Crédito: revista Placar.

Sem muitos horizontes no concorrido elenco do Parque São Jorge, os direitos de Adílson foram negociados com o Coritiba Foot Ball Club (PR). Quem sabe assim, no Paraná, sua caminhada poderia ser mais produtiva!

Vestindo a camisa do Corinthians, Adílson disputou ao todo 85 partidas, com 13 gols marcados. Os registros fazem parte do Almanaque do Corinthians, do autor Celso Dario Unzelte.

Campeão paranaense de 1976, Adílson permaneceu no Alto da Glória até o início do segundo semestre de 1978, quando assinou compromisso com o Sport Club Internacional (RS).

A passagem pelo Internacional foi especialmente vencedora! Adílson conquistou o título do campeonato gaúcho de 1978 e o campeonato brasileiro invicto de 1979, sem esquecer do vice-campeonato na Libertadores da América de 1980.

De acordo com a seção “Que Fim Levou” – site Terceiro Tempo – do jornalista Milton Neves, Adílson defendeu o Internacional em 114 jogos; com 66 Vitórias, 30 empates, 18 derrotas e 30 gols marcados.

Formação do Coritiba. Em pé: Hermes, Sérgio Valentim, Luís Carlos Galter, Marquinhos, Paulinho e Zé Carlos. Agachados: O massagista Osvaldo, Wilton, Eli, Adílson, Washignton e Aladim. Foto de Amílton Vieira. Crédito: revista Placar.

Pelo campeonato brasileiro, Adílson marcou e o Coritiba derrotou o Londrina por 1×0. Foto de José Eugênio. Crédito: revista Placar – 31 de março de 1978.

No findar de 1980, o esperançoso Adílson estudava propostas do Esporte Clube Pinheiros (PR) – o atual Paraná Clube – e do Club Deportivo Los Millonários da Colômbia.

Paralelamente, o jogador resolveu passar o período de festas de final de ano no litoral norte paulistano, ao lado de seus familiares e da noiva Rosângela Zanella.

Também na seção “Que Fim Levou”, alguns detalhes do acidente automobilístico ocorrido no dia 6 de dezembro de 1980, quando Adílson perdeu a vida em uma das inúmeras curvas traiçoeiras da BR-116.

O automóvel Puma de cor vermelha capotou e explodiu, vitimando Adílson e sua noiva, com quem estava de casamento marcado e traçava planos para montar uma churrascaria.

Adílson Miranda também passou pelo Criciúma Esporte Clube (SC). Torcedor do Corinthians na infância, seu sonho era voltar para a cidade de São Paulo e encerrar sua caminhada profissional no time do Parque São Jorge!

Adílson chegou confiante no Beira Rio, pronto para oferecer muitas alegrias aos torcedores do Internacional. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 24 de novembro de 1978.

Adílson em sua passagem pelo Internacional (RS). Coleção “Ping-Pong Futebol Cards”. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Amílton Vieira, Clodomir Bezerra, Divino Fonseca, JB Scalco, José Eugênio, José Pinto, Lemyr Martins, Mílton Ivan e Nico Esteves), Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, campeoesdofutebol.com.br, corinthians.com.br, coritiba.com.br, internacional.com.br, site do Milton Neves (por Marcos Júnior Micheletti e Rogério Micheletti), Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, albumefigurinhas.no.comunidades.net.