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Em matéria do repórter Hélio de Souza para a revista Placar de 26 de setembro de 1975, o tarimbado lateral-direito Aranha ofereceu aos leitores um apanhado de sua carreira até chegar ao Comercial de Campo Grande (MS).

Naquele momento de sua marcante trajetória no futebol, Aranha já estava perto de completar os trinta anos de idade, o que poderia indicar a proximidade do momento de deixar os gramados.

Mas, Aranha ainda estava em excelente forma e o Comercial não levou em conta os riscos do famoso refrão da música de Ataulfo Alves: “Laranja madura na beira da estrada, tá bichada Zé, ou tem marimbondo no pé”.

Aranha foi o primeiro jogador da região Norte do Brasil premiado com a Bola de Prata da revista Placar, um feito significativo levando em conta a qualidade dos oponentes diretos na disputa.

Conhecido no mundo da bola apenas por “Aranha”, Antônio Aranha Alves nasceu no município de Sorocaba (SP), em 4 de agosto de 1946.

Álbum de Figurinhas Campeonato Paulista. Cromo de Aranha na página do São Bento de Sorocaba. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Em 15 de julho de 1972, o São Paulo venceu o São Bento pelo placar de 1×0 no Morumbi. No lance, Aranha (esquerda) aparece encoberto por Geraldo, que de braços erguidos reclama com o árbitro Emídio Marques de Mesquita. Do lado esquerdo do árbitro aparecem Maciel e ao fundo Gonçalves (direita). Crédito: site do Milton Neves. Foto da revista Placar enviada pelo colaborador Walter Roberto Peres.

Ainda de acordo com a matéria da revista Placar de 1975, Aranha começou sua caminhada em uma equipe chamada Sorocabana, até que em 1967 seus direitos foram transferidos para o Esporte Clube São Bento de Sorocaba.

Naqueles tempos, o valente São Bento contava com um elenco de qualidade. O bom desempenho da equipe no campeonato paulista de 1968 não foi nenhuma surpresa para os críticos!

Sempre pelo corredor direito, Aranha era um lateral muito aplicado nas tarefas de marcação, bem como dotado de uma boa resistência para o apoio ofensivo. Abaixo, uma de suas participações pelo São Bento na temporada de 1968:

26 de maio de 1968 – Campeonato paulista – Segundo turno – São Bento 1×0 Guarani de Campinas – Estádio Humberto Reale (Sorocaba) – Árbitro: Albino Zanferrari – Gol: Carlinhos para o São Bento aos 17’ do primeiro tempo.

São Bento: Chicão; Aranha, Valdir, Gibe e Dorival; Gonçalves e Bazaninho; Copeu (Esquerdinha), Picolé (Estéfano), Batista e Carlinhos. Guarani de Campinas: Sídnei Polli; Wilson Campos, Paulo, Beto e Cido; Tião Macalé e Waldir Capelloza; Joãozinho (Bidon), Ladeira, Cardoso e Carlinhos.

O lateral-direito Aranha e o zagueiro Dutra: O Clube do Remo era muito forte na década de 1970! Crédito: aprovinciadopara.com.br.

O Clube do Remo em 1972. Em pé: Aranha, Dutra, Mendes, Dico, Tico e Lúcio. Agachados: Rogério, Caíto, Roberto, Hertz e Peri. Foto de Pedro Pinto. Crédito: revista Placar – 20 de outubro de 1972.

A boa performance representou o pronto interesse do São Paulo Futebol Clube, que no mesmo ano de 1968 conseguiu o seu concurso por empréstimo. Todavia, Aranha não foi aproveitado em nenhuma partida pelo tricolor:

– “Não consegui mostrar o meu futebol… Em uma partida importante o lateral-direito titular saiu machucado! Então, o treinador optou por colocar um outro zagueiro em campo… Pedi imediatamente para sair do Morumbi”. 

Decepcionado, o lateral voltou ao mesmo São Bento. Com boas propostas para uma lucrativa transferência, Aranha continuava prejudicado pela insistência dos dirigentes sorocabanos em fixar o valor de seu passe nas alturas.

Cansado de esperar por uma experiência nos grandes clubes do cenário paulista, Aranha foi novamente emprestado para o Clube do Remo (PA), que naquele momento procurava reforçar o plantel para disputar o campeonato nacional de 1972.

O resultado foi acima do esperado e Aranha faturou o cobiçado prêmio da Bola de Prata da revista Placar. Seu próximo destino foi o Clube Atlético Mineiro (MG) em 1973, quando disputou boas partidas, mas logo voltou ao Remo.

Sempre bem avaliado, Aranha caminhou firme nas apurações da Bola de Prata. (*) Curioso o aparecimento de Everaldo do Grêmio brigando na posição de lateral-direito! Crédito: revista Placar – 3 de novembro de 1972.

Os ganhadores do prêmio “Bola de Prata” da revista Placar em 1972. Em pé: Aranha, Marinho Chagas, Figueroa, Beto Bacamarte, Leão e Piazza. Agachados: Osni, Alberi, Zé Roberto, Ademir da Guia e Paulo Cesar. Foto de João Carlos Álvarez. Crédito: revista Placar.

A “ciranda” de empréstimos foi minando a paciência de Aranha, que mergulhado em coragem disparou um ultimato aos dirigentes do São Bento para conseguir o “Passe Livre”.

Com o passe em mãos, Aranha entendia que não tinha muito tempo para fazer dinheiro! Em 1975 entrou em entendimentos com os representantes do Esporte Clube Comercial de Campo Grande (MS), onde também não permaneceu por muito tempo.

Depois do Comercial de Campo Grande, Aranha ainda passou rapidamente pelo Sport Club do Recife (PE), sua última equipe como jogador profissional.

Conforme publicado no site Terceiro Tempo (Seção Que Fim Levou) do jornalista Milton Neves, Aranha reside na sua querida cidade de Sorocaba.

O ex-jogador, que também é eletricista, atualmente trabalha em um conhecido escritório de despachantes. Convive com uma paralisia no lado esquerdo do corpo, como consequência de um derrame sofrido.

No início da temporada de 1973, Aranha era um nome muito bem cotado no mercado da bola! Foto de Pedro Pinto. Crédito: revista Placar – 5 de janeiro de 1973.

Aranha quando defendia o Esporte Clube Comercial de Campo Grande (MS). Foto de Almir Roland. Crédito: revista Placar – 26 de setembro de 1975.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Almir Roland, Hélio de Souza, João Carlos Álvarez e Pedro Pinto), Jornal A Gazeta Esportiva, aprovinciadopara.com.br, campeoesdofutebol.com.br, ecsaobento.com.br, gazetaesportiva.com, site do Milton Neves, albumefigurinhas.no.comunidades.net.