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Nas páginas da conceituada revista Esporte Ilustrado, edição número 178 de 4 de setembro de 1941, o importante depoimento de um representante graduado da Escola Nacional de Educação Física e Desportos:

– “O trabalho de Ondino Viera no Fluminense é tão bem fundamentado, que seu ordenado de três Contos mensais pouco representa diante do expressivo legado oferecido ao desporto carioca”.

– “Com dedicação e sobretudo minúcia, o abnegado Ondino Viera acompanha de perto toda e qualquer adversidade, bem como o desenvolvimento físico e técnico de seus comandados”.

– “Exigente e meticuloso, o coach uruguaio trabalha por até doze horas por dia percorrendo todos os cantos do clube, da rouparia ao departamento médico”.

Também conhecido no mundo da bola como “El Maestro”, o uruguaio Ondino Leonel Viera Palaserez nasceu em Cerro Largo, no dia 10 de setembro de 1901.

“Quem sai aos seus não degenera”. Mesmo com o clima quente do Rio de Janeiro, Ondino Viera nunca deixava de lado o seu Chimarrão! Crédito: reprodução revista O Globo Sportivo número 410 – 5 de julho de 1946.

A carreira como jogador na capital Montevidéu não prosperou! Assim, o jovem decidiu voltar para Cerro Largo. Nesse período, o intercâmbio com imigrantes ingleses foi determinante para o seu aprimoramento nos bastidores do futebol.

Mais tarde, Ondino Viera orientou com êxito o selecionado local, o que fez seu nome ser bem recomendado para assumir o comando técnico do Club Nacional de Football.

Corria o ano de 1930 e a realização da primeira Copa do Mundo sacudiu velhos conceitos; como por exemplo, a tão discutida aceleração da transição entre o amadorismo e o profissionalismo.

Dispensado do Nacional em 1933, Ondino Viera não ficou no clube o suficiente para testemunhar os frutos de seu brilhante trabalho. Houve então um “gap” em sua caminhada.

Algumas fontes afirmam que Ondino Viera trabalhou em seguida no Club Atlético River Plate do Uruguai, enquanto que inúmeros outros registros apontam para uma continuidade no River Plate da Argentina entre 1936 e 1937.

Ao deixar o Fluminense, Ondino Viera estabeleceu no Vasco o embrião da grande equipe que ficou conhecida como “Expresso da Vitória”. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Depois do Vasco, Ondino Viera passou pelo Botafogo e voltou mais uma vez ao Fluminense. Em seguida firmou compromisso com o Bangu em 1950. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 646 – 24 de agosto de 1950.

O certo é que no findar de 1938, o técnico uruguaio recebeu uma boa oferta dos aristocráticos dirigentes do Fluminense Football Club (RJ), talvez uma esperança de prosseguimento no espetacular trabalho do conterrâneo Carlos Carlomagno, bicampeão carioca em 1936 e 1937 (*Liga de Futebol do Rio de Janeiro).

Tamanha mudança foi prontamente contestada pelas estrelas do time. Contudo, Ondino Viera logo colocou em prática seus métodos e garantiu o tricampeonato em 1938.

Ainda que o Flamengo de Leônidas da Silva tenha freado a supremacia tricolor em 1939, o quadro das Laranjeiras rapidamente voltou aos trilhos e faturou o bicampeonato carioca em 1940 e 1941.

Todavia, na temporada de 1942, o Flamengo novamente atravessou o caminho do Fluminense e evitou o tricampeonato. O momento favoreceu a investida dos “cartolas” do Vasco e assim Ondino Viera foi parar em São Januário!

Respeitado pelo presidente Cyro Aranha, o treinador uruguaio sofreu um pouco em suas primeiras temporadas no comando do “Gigante da Colina”.

Vestiário do Bangu. Partindo da esquerda; Vermelho, Décio Esteves, o técnico Ondino Viera e Zizinho. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 728 – 20 de março de 1952.

Depois de mais uma grande apresentação do Bangu no campeonato carioca, Moacir Bueno (centro) recebe o abraço do técnico Ondino Viera (direita). Foto de Alberto Ferreira. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Trabalhou duro e até arriscou promover adaptações no tão difundido esquema WM. Dessa forma estabeleceu o embrião do que mais tarde ficou amplamente conhecido como o “Expresso da Vitória”.

Conquistou com merecimento o Torneio Início e o campeonato carioca de 1945, um feito que impediu o tetracampeonato do Flamengo. Todavia, a sua marcante passagem pelo Vasco chegou ao fim em 1946.

Outro ponto igualmente relevante no seu histórico pelo Vasco seria uma suposta influência no aparecimento das camisas com faixas diagonais, o que foi rebatido com um artigo bem documentado e publicado no site “netvasco.com.br”.

Depois, Ondino Viera passou rapidamente pelas fileiras do Botafogo de Futebol e Regatas em 1947, para no ano seguinte voltar ao mesmo Fluminense, embora sem o mesmo brilho da passagem anterior.

Ondino Viera permaneceu em evidência ao firmar contrato com o Bangu Atlético Clube em 1950, com sua melhor performance durante a temporada de 1951, quando conquistou o Torneio Início do Rio-São Paulo e foi vice-campeão carioca.

Descontente no Bangu, Ondino Viera foi procurado por Fadel Fadel, na época Diretor de Futebol do Flamengo. Na ocasião, o clube da Gávea procurava por um substituto para Flávio Costa! Crédito: revista Esporte Ilustrado número 771 – 15 de janeiro de 1953.

A conversa entre Fadel Fadel e Ondino Viera (esquerda) foi franca, já que a primeira opção do Flamengo era aguardar pela disponibilidade do paraguaio Fleitas Solich. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 771 – 15 de janeiro de 1953.

Descontente em “Moça Bonita”, em janeiro de 1953 Ondino Viera foi sondado pelo Flamengo. Naquela ocasião, o time da Gávea procurava por um substituto de peso para suprir a saída do afamado Flávio Costa.

A conversa entre o Diretor de Futebol do Flamengo Fadel Fadel e Ondino Viera foi franca, já que a primeira opção do Rubro Negro era aguardar pacientemente pela confirmação da disponibilidade do paraguaio Fleitas Solich.

Sem um acerto no Flamengo, Ondino Viera foi trabalhar na Sociedade Esportiva Palmeiras em 1953. Passou depois pelo comando do Atlético Mineiro entre 1954 e 1955, mesmo ano em que regressou ao Nacional do Uruguai para faturar o tricampeonato de 1955, 1956 e 1957.

Orientou também os selecionados do Paraguai e do Uruguai, antes de voltar ao Bangu em 1967. Também ofereceu sua larga experiência ao Colón da Argentina, Guarani do Paraguai e Cerro e Liverpool do Uruguai. Sua caminhada esportiva foi encerrada em 1972, no Penãrol.

Figura importante na história do futebol carioca, Ondino Leonel Viera Palaserez faleceu em Montevidéu no dia 27 de junho de 1997.

De prancheta nas mãos, Ondino Viera conversa com Martim Francisco ao assumir o Bangu em 1967. Crédito: revista do Esporte número 443 – 2 de setembro de 1967.

Também conhecido como “El Maestro”, o uruguaio Ondino Viera fez muito sucesso no futebol da Argentina, Brasil e Paraguai. Crédito: revista Estrellas Deportivas.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Albino Castro Filho, Carlos Maranhão, Lenivaldo Aragão e Raul Quadros), revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado (por Alberto Ferreira, Ferraz Neto, Jorge Miranda, José Santos, Leunam Leite, Levy Kleiman, Luís Mendes, Mauro Pinheiro e Véritas Junior), revista Estrellas Deportivas, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista O Cruzeiro, revista O Globo Sportivo, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, Jornal Mundo Esportivo, acervo.oglobo.globo.com, bangu.net, botafogo.com.br, campeoesdofutebol.com.br, globoesporte.globo.com, netvasco.com.br, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), vasco.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.