Tags

, , ,

Com uma imagem de Pelé associada ao título “Olhem bem: Está acabando”, a revista Placar número 235 – 20 de setembro de 1974 – proporcionou aos seus leitores uma mistura de nostalgia e profunda reflexão!

Nas primeiras páginas da referida edição, o iminente adeus do Rei do Futebol foi apresentado em minúcias pelo repórter José Maria de Aquino, ao mesmo tempo em que o colega Arthur Ferreira confirmava outra sofrida baixa, especialmente para os torcedores do Cruzeiro.

Por 150 mil dólares à vista, na época o equivalente ao volumoso montante de 1 milhão de cruzeiros, o jovem ponteiro-direito Eduardo Amorim estava de malas prontas para jogar pelo Cruz Azul Fútbol Club do México.

A confirmação do negócio ainda dependia de detalhes entre o clube mexicano e o dirigente do Cruzeiro, Cármine Furletti, que com um sorriso rasgado cutucava o Atlético Mineiro por vender um astro como o goleiro Mazurkiewicz pelo mesmo valor ao futebol espanhol.

Um legítimo representante do futebol colaborativo, Eduardo Fernandes Amorim nasceu no município mineiro de Montes Claros, em 30 de novembro de 1950.

Palmeiras e Cruzeiro no Pacaembu. Ademir da Guia tenta, mas não consegue parar o avanço do mineiro Eduardo. Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar número 174 – 13 de julho de 1973.

Eduardo atormentou a retaguarda do Sporting de Portugal no Mineirão. O placar de 6×0 para os mineiros foi pouco! Foto de Célio Apolinário. Crédito: revista Placar – 20 de setembro de 1974.

Inicialmente, o habilidoso Eduardo Amorim fez muito sucesso nas quadras de Futebol de Salão, até ser bem recomendado aos times amadores do América Futebol Clube (MG).

Todavia, a esperança da torcida americana na descoberta de uma reedição do fenomenal craque Tostão não durou por muito tempo!

No findar de 1968, o estilo vistoso do rapazola Eduardo Amorim foi anunciado nas dependências da Toca da Raposa pela pechincha de apenas 5 mil cruzeiros.

Inibido diante de tantas estrelas celestes em franca ascensão, Eduardo carecia de ousadia, um sentimento talvez alimentado pela postura sempre exigente do técnico Hilton Chaves.

Regularmente questionado pela barba, pelas roupas extravagantes e pelo carro envenenado, a imagem de Eduardo era o reflexo da inquietude provocada por seu inconstante aproveitamento sob o comando de Orlando Fantoni e depois com Yustrich.

Eduardo jogou muita bola na goleada sobre o Sporting de Portugal por 6×0 no Mineirão! Foto de Célio Apolinário. Crédito: revista Placar – 20 de setembro de 1974.

Memorável linha de ataque do Cruzeiro em 1976. Partindo da esquerda; Roberto Batata, Eduardo, Palhinha, Jairzinho e Joãozinho. Crédito: revista Confederación Sudamericana de Fútbol – Libertadores 1960 – 2010.

O cenário só mudou mais tarde, quando Pizza foi convocado para o mundial da Alemanha em 1974. Novamente sob o comando de Hilton Chaves, Eduardo foi uma grata surpresa pela meia-cancha!

Criador do drible que ficou conhecido como ”Rabo de Vaca”, a transferência de Eduardo para o futebol mexicano não vingou! O certo é que sua presença foi determinante na equipe que dominou o futebol de Minas Gerais na primeira metade da década de 1970.

Vestindo a camisa do Cruzeiro, Eduardo faturou o título mineiro em 1972, 1973, 1974, 1975 e 1977, a Libertadores da América de 1976, além de fazer parte do time que chegou ao vice-campeonato brasileiro em 1974 e 1975.

Com o crescimento da hegemonia atleticana, Eduardo permaneceu no elenco do Cruzeiro até 1981, quando seu passe foi negociado em definitivo com o Sport Club Corinthians Paulista.

Bicampeão paulista de 1982 e 1983, Eduardo Amorim assumiu de vez seu papel colaborativo nos esquemas de jogo adotados por Mário Travaglini e Jorge Vieira respectivamente.

Com a camisa do Cruzeiro, Eduardo viveu um período muito produtivo e conquistou títulos importantes! Crédito: revista Placar.

O Cruzeiro campeão da Taça Libertadores em 1976. Em pé: Darci, Wilson Piazza, Morais, Nelinho, Vanderlei e Raul Plassmann. Agachados: Eduardo, Zé Carlos, Palhinha, Jairzinho e Joãozinho. Em destaque Roberto Batata e o técnico Zezé Moreira. Crédito: revista Placar.

E assim, o experiente Eduardo continuou por muito tempo no Parque São Jorge. Um trabalhador incansável e sempre disposto em oferecer o seu melhor para o benefício do todos.

Que o diga o jornalista Ubiratan Brasil, em reportagem especial publicada pela revista Placar número 889, de 15 de junho de 1987, ano que o irreconhecível Corinthians causou calafrios pelo péssimo primeiro turno no certame paulista.

Com a chegada do tarimbado treinador Chico Formiga, o alvinegro revigorado chegou ao vice-campeonato paulista diante do forte São Paulo de Cilinho.

– “Eduardo é o jogador ideal para evitar o desespero na busca pelos resultados! É o contraponto ideal entre calma e impetuosidade”. (Chico Formiga).

Pelo Corinthians, entre 1981 e 1987, o mineiro de Montes Claros disputou ao todo 336 partidas. Foram 154 vitórias, 117 empates, 65 derrotas e 10 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Corinthians, do autor Celso Dario Unzelte.

Sem contar com o mesmo fôlego dos tempos do Cruzeiro, o camisa sete Eduardo foi uma peça importante no meio de campo do Corinthians! Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 8 de janeiro de 1982.

No comando do Corinthians, Eduardo Amorim conquistou a Copa do Brasil e o campeonato paulista, ambos em 1995. Foto de Eduardo Fernandes. Crédito: revista Placar – Maio de 2001.

Na temporada seguinte, Eduardo Amorim firmou compromisso com o Esporte Clube Santo André (SP), sua última equipe como jogador profissional.

Em 1994 foi treinador interino no mesmo Corinthians, para em 1995 continuar firme no Parque São Jorge como auxiliar de Mário Sérgio Pontes de Paiva, a quem substituiu na mesma temporada.

Campeão paulista e campeão da Copa do Brasil como técnico do Corinthians em 1995, Eduardo Amorim trabalhou ainda no comando do Atlético Mineiro, da Associação Portuguesa de Desportos e no futebol grego.

Algumas fontes apontam ainda passagens pelo Sport Club do Recife e pelo América Futebol Clube (RN). Atuou também como diretor técnico do Jacareí Atlético Clube (SP) e anos mais tarde como empresário de jogadores.

De acordo com o site Terceiro Tempo (Seção Que Fim Levou) do jornalista Milton Neves, Eduardo Fernandes Amorim reside atualmente em Belo Horizonte (MG).

O apoio familiar foi fundamental para suportar o peso da idade no concorrido cenário da bola! Foto de Sérgio Berezovsky. Crédito: revista Placar – 15 de junho de 1987.

Bicampeão paulista pelo Corinthians em 1982 e 1983, Eduardo Amorim permaneceu no elenco do alvinegro até 1987. Foto de Sérgio Berezovsky. Crédito: revista Placar – 15 de junho de 1987.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Arthur Ferreira, Carlos Maranhão, Célio Apolinário, Eduardo Fernandes, Lemyr Martins, Manoel Motta, Ricardo Corrêa, Sérgio Berezovsky e Ubiratan Brasil), revista Confederación Sudamericana de Fútbol – Libertadores 1960 – 2010, revista do Esporte, revista Grandes Clubes Brasileiros, Jornal Estado de Minas, campeoesdofutebol.com.br, corinthians.com.br, cruzeiro.com.br, gazetaesportiva.com, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, albumefigurinhas.no.comunidades.net.