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Como jogador, o esforçado Parreira não passou de um guarda-metas razoável que defendia com orgulho a camisa do Novo México, uma equipe amadora do subúrbio do Rio de Janeiro.

Longe dos gramados, o jovem alimentava o sonho do futebol nas poltronas de cinema, quando com especial interesse vibrava ao assistir os documentários do “Canal 100”.

Foi assim que Parreira encontrou muito mais do que entretenimento. Nos filmes da Copa do Mundo de 1958, o trabalho desenvolvido pelo preparador físico Paulo Amaral acendeu em seu íntimo uma boa possibilidade de futuro!

Nascido na cidade do Rio de Janeiro (RJ) no dia 27 de fevereiro de 1943, Carlos Alberto Gomes Parreira foi diplomado pela Escola Nacional de Educação Física do Rio. Seu primeiro trabalho foi em 1966, como preparador físico do São Cristóvão de Futebol e Regatas (RJ).

Afortunado pelo destino, Parreira não pensou muito para aceitar uma indicação do Chanceler Magalhães Pinto, que na época procurava por alguém disposto em trabalhar no futebol de Gana, uma pequena nação na África Ocidental.

Banco da Seleção Brasileira em 26 de abril de 1970. No amistoso entre Brasil e Bulgária, o marcador ficou em branco no Morumbi. Partindo da esquerda; Carlos Alberto Parreira, Lídio Toledo, Admildo Chirol (encoberto) e o técnico Zagallo. Crédito: revista Manchete.

O sempre dedicado Carlos Alberto Parreira nas Laranjeiras! Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Conforme reportagem publicada na revista Placar número 733, de 8 de junho de 1984, durante esse mesmo período em Gana, Parreira frequentou vários cursos de especialização na Alemanha Ocidental e na Inglaterra.

De volta ao Rio de Janeiro no findar da década de 1960, o dedicado Parreira trabalhou como preparador físico no Vasco da Gama. Em seguida, seu nome foi lembrado para fazer parte da comissão técnica do Brasil no mundial de 1970.

A experiência no México foi determinante para a continuidade de sua caminhada no Fluminense. Nas Laranjeiras, Parreira ganhou muita tarimba ao trabalhar com grandes treinadores; como Duque, Mário Travaglini, Mário Zagallo, Paulo Amaral e Zezé Moreira.

Continuou sua missão como preparador físico na Seleção Brasileira e participou da Copa do Mundo de 1974, na Alemanha. No segundo semestre do mesmo ano assumiu o comando do Fluminense, ao suceder o técnico Duque.

Embora substituído por Paulo Emílio, Parreira permaneceu firme nas Laranjeiras. Contudo, uma proposta irrecusável para trabalhar ao lado de Zagallo o levou ao selecionado do Kuwait em 1976.

O “Circuit Training” de Parreira espera proporcionar ao escrete um excelente condicionamento físico no mundial da Alemanha! Foto de Zeka Araújo. Crédito: revista Placar – 15 de março de 1974.

O plano de preparação física para a Copa do Mundo de 1974 foi desenvolvido por Carlesso, Chirol, Coutinho e Parreira. Fotos de Zeka Araújo. Crédito: revista Placar – 15 de março de 1974.

Ainda pelo selecionado do Kuwait, Parreira disputou a Copa do Mundo de 1982, para em seguida aceitar o convite de promover o início de um processo de renovação na Seleção Brasileira.

Todavia, essa primeira passagem pelo escrete canarinho ficou bem abaixo do esperado. Com um futebol amarrado e pouco criativo, o Brasil perdeu a Copa América e o criticado Parreira balançou no cargo!

Dispensado da Seleção Brasileira em março de 1984, no mês de abril Parreira foi confirmado no lugar do técnico José Luiz Carbone e levou o Fluminense ao título brasileiro da temporada.

Mas, seu espírito aventureiro falou mais alto! O próximo destino foi os Emirados Árabes, que tocaram o acordo em frente mesmo diante de inúmeras exigências do treinador!

A aventura no Oriente Médio seguiu o seu curso na Arábia Saudita. Disputou a Copa do Mundo de 1990 e lá permaneceu até o ano de 1991, momento em que novamente voltou ao Brasil.

No segundo semestre de 1974, Parreira assumiu o cargo de treinador do Fluminense! Foto de Fernando Pimentel. Crédito: revista Placar – 6 de setembro de 1974.

Em destaque a dupla Parreira e Zagallo. Honrarias, presentes caros e muito sucesso no comando do selecionado do Kuwait. Crédito: revista Placar – 13 de agosto de 1976.

Acostumado com desafios, Parreira montou um Bragantino forte e competitivo. No campeonato brasileiro, o quadro do interior paulista só foi superado pelo São Paulo de Telê Santana.

O bom momento de Parreira no Bragantino representou uma nova oportunidade para dirigir a Seleção Brasileira, já que o mesmo Telê Santana descartava toda e qualquer possibilidade para uma nova empreitada frente ao escrete.

Nas páginas da revista Placar na edição de maio de 1993, a escolha de Parreira não foi bem recebida por alguns críticos: “Ele é muito teórico e carece de uma maior vivência” (Aroldo Chiorino).

Apresentando um rendimento altamente questionável na Copa América de 1993 e também nas eliminatórias, o Brasil de Parreira chegou ao mundial de 1994 para buscar o tetra com o rótulo de time burocrático!

Com o grupo fechado em uma simbologia de “mãos dadas”, o quadro canarinho caminhou solidamente. Parreira pregava total cautela, enquanto o coordenador Zagallo propagava a temida mística da camisa amarelinha!

O insucesso na Copa América foi o reflexo de um futebol apagado. O escrete foi duramente criticado pela imprensa e Parreira não foi poupado! Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 11 de novembro de 1983.

Em sua primeira passagem na Seleção Brasileira, Parreira ganhou experiência e também muita dor de cabeça! Crédito: revista Placar – 11 de novembro de 1983.

Não foi o tetracampeonato que a torcida sonhava, ainda que o título nos Estados Unidos tenha finalmente coroado com justiça o árduo trabalho de Carlos Alberto Parreira e Zagallo.

Depois do sucesso na Copa do Mundo de 1994, Parreira passou com brilho por vários clubes. No exterior trabalhou no Valência da Espanha, no Fenerbahçe da Turquia e no New York MetroStars dos Estados Unidos.

Carlos Alberto Parreira também foi o treinador da seleção da Arábia Saudita na Copa do Mundo de 1998, na França. No ano seguinte, pelo Fluminense, Parreira faturou o título da Série C do campeonato brasileiro.

No Brasil, além do Bragantino e Fluminense, Parreira ofereceu sua experiência no Atlético Mineiro (MG), Internacional (RS), Santos (SP), São Paulo (SP) e no Corinthians, onde foi campeão da Copa do Brasil e do Torneio Rio-São Paulo, ambos em 2002.

Parreira voltou ao escrete em 2003 e comandou o Brasil no mundial de 2006 na Alemanha. Entre 2006 e 2008 dirigiu o selecionado da África do Sul. Mas, por motivos particulares, deixou o cargo e indicou o carioca Joel Santana.

Hora de deixar o escrete: “Não me arrependo de nada”. Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 6 de abril de 1984.

“Meu sonho era fazer o Brasil jogar como o Fluminense”. Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 8 de junho de 1984.

Com a demissão do técnico Joel Santana em outubro de 2009, Parreira assumiu novamente a África do Sul e disputou o mundial de 2010, como anfitrião da competição.

De acordo com o site Terceiro Tempo (Seção Que Fim Levou) do jornalista Milton Neves, em dezembro de 2010 Parreira declarou que não trabalharia mais como treinador de futebol.

Em novembro de 2012, seu nome foi anunciado como coordenador técnico da Seleção Brasileira para trabalhar ao lado do treinador Luiz Felipe Scolari, que assumiu a reponsabilidade depois da saída de Mano Menezes.

Contudo, o rendimento da dupla foi severamente criticado pelos resultados na Copa do Mundo de 2014, quando nosso escrete foi atropelado em casa pela Alemanha e depois pela Holanda na disputa do terceiro lugar.

Estudioso do futebol, Carlos Alberto Parreira publicou pela Editora Best Seller o livro “Formando Equipes Vencedoras”. Nas artes, seu nome ganhou espaço na pintura!

Análise e previsões para o futebol sul-americano na Copa do Mundo de 1986. Fotos de Ricardo Beliel. Crédito: revista Placar – 17 de março de 1986.

Telê Santana não foi campeão mundial pela Seleção Brasileira. Um vazio imperdoável para a posteridade? Foto de Nilton Claudino. Crédito: revista Placar – Maio de 1993.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Alberto Helena Júnior, André Rizek, Aroldo Chiorino, Dílson Guedes, Eugênio Sávio, Fábio Volpe, Fernando Pimentel, Hideki Takizawa, JB Scalco, João Areosa, Lenivaldo Aragão, Nilton Claudino, Maria Helena Araújo, Raul Quadros, Ricardo Beliel, Rodolpho Machado, Sérgio A. Carvalho e Zeka Araújo), revista do Fluminense, revista Fatos e Fotos, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, acervo.oglobo.globo.com, campeoesdofutebol.com.br, cbf.com.br, corinthians.com.br, fluminense.com.br, globoesporte.globo.com, site do Milton Neves (por Marcos Júnior Micheletti), Livro: Seleção Brasileira 90 anos – Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

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