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Na opinião de boa parte dos críticos, o excelente rendimento apresentado pela dupla Ângelo e Toninho Cerezo nada devia aos consagrados Humberto Ramos e Vanderlei Paiva.

Para Ângelo, o reconhecimento fazia bem, mas não era o bastante para garantir um lugar como titular, ainda que fosse inegável sua capacidade de oferecer uma vistosa mobilidade ao meio de campo do Atlético Mineiro!

Ângelo Paulino de Souza nasceu no município de Onça do Pitangui (MG), em 31 de maio de 1953, embora algumas publicações apontem o seu nascimento para o dia 30 de maio de 1953.

Bom de bola, seu futebol foi descoberto por olheiros quando defendia o Barreiro Futebol Clube de Belo Horizonte. Encaminhado ao Clube Atlético Mineiro, Ângelo conquistou o bicampeonato na categoria juvenil em 1969 e 1970.

Convocado para os quadros amadores da Seleção Brasileira, Ângelo foi campeão do Torneio de Cannes em 1971, o que por certo foi determinante para seu nome ser lembrado por Telê Santana no elenco principal do Atlético.

Um grande aprendizado no Nacional de Manaus. Ângelo voltou muito melhor ao Atlético Mineiro! Foto de Célio Apolinário. Crédito: revista Placar número 409 – 24 de fevereiro de 1978.

Aos 24 anos de idade, Ângelo deixou no passado o rótulo de jogador lento! Foto de Célio Apolinário. Crédito: revista Placar número 409 – 24 de fevereiro de 1978.

Entretanto, nem tudo aconteceu como era o esperado! Com Romeu Evangelista afastado do time por contusão, Ângelo aceitou uma oportunidade para jogar como ponta-esquerda, o que pouco mudou a sua condição de suplente.

Disputou os Jogos Olímpicos de Munique em 1972, para no ano seguinte fazer parte do “pacote” de jovens talentos que foi emprestado ao Nacional Futebol Clube (AM).

No Nacional do técnico Barbatana, Ângelo deixou a fama de jogador lento no passado. Mais solto em campo, sua participação foi importante na conquista do título amazonense de 1974.

Só voltou ao plantel do Atlético Mineiro em 1975, quando sua desenvoltura já era bem superior aos poucos ensaios malogrados que viveu em 1971.

Recebeu dos companheiros o apelido de “formiguinha” e entrou firme na briga pela camisa de titular com Danival. E o tempo foi passando, o suficiente para aprimorar o nobre exercício da paciência!

Na batalha do Mineirão, Neca foi o algoz e Chicão um coadjuvante malvado! Crédito: revista Placar.

Operado pela equipe do Doutor Neylor Lasmar, Ângelo ficou afastado do futebol por mais de seis meses. Crédito: revista Placar.

Com uma campanha superior e favorito ao título brasileiro de 1977, o Atlético Mineiro foi derrotado pelo São Paulo na cobrança de penalidades. O triste vice-campeonato só não foi pior que o infortunio sofrido por Ângelo.

Em uma bola dividida com Neca, o meia atleticano sofreu rupturas e lesões em quatro pontos do joelho, uma imagem tragicamente marcante! Consumido pela dor, Ângelo engatinhava enquanto tentava levantar do chão.

Fato até hoje muito discutido, o meia-atacante Neca e o volante Chicão nunca escaparam da punição histórica conferida pelos Deuses da bola!

Operado pela equipe do Doutor Neylor Lasmar, Ângelo ficou afastado do futebol por mais de seis meses. Foi um longo e penoso período de recuperação, sempre acompanhado de perto pelo departamento médico do clube.

Conforme publicado pela revista Placar número 443, de 20 de outubro de 1978, o retorno aos gramados só ocorreu no dia 12 de outubro de 1978, na vitória do “Galo” sobre o Uberlândia por 4×0 pelo campeonato mineiro.

Campeonato mineiro de 1978. Ângelo rompeu os ligamentos do joelho esquerdo em uma dividida com o lateral De Paula do Cruzeiro. Foto de Auremar de Castro. Crédito: revista Placar número 465 – 23 de março de 1979.

Futebol envolvente e vistoso, o Atlético dominou o cenário mineiro entre 1978 e 1983. Em pé: João Leite, Toninho Cerezo, Vantuir, Márcio, Alves e Valdemir. Agachados: Marinho, Ângelo, Reinaldo, Paulo Isidoro e Ziza. Crédito: revista Placar.

Vestindo a camisa do Atlético Mineiro, Ângelo conquistou o título mineiro nas edições de 1976, 1978 e 1979, a Taça Belo Horizonte em 1972 e a Taça Minas Gerais em 1975 e 1976.

Ângelo deixou o Atlético Mineiro no primeiro semestre de 1980. Passou bem pelo Guarani de Campinas (SP) e faturou a Taça de Prata de 1981, o equivalente ao título da “Série B” do campeonato brasileiro.

O meio-campista também jogou pelo Democrata de Governador Valadares (MG), Santa Cruz (PE), Sport Recife (PE), Fluminense (RJ), Aimoré (RS), Marília (SP), Ponte Preta (SP) e São Bento (SP).

De acordo com o site Terceiro Tempo (Seção Que Fim Levou) do jornalista Milton Neves, depois do futebol Ângelo foi diplomado em Direito e mais tarde trabalhou nas categorias de base do Atlético Mineiro.

Vitimado por um ataque cardíaco, Ângelo Paulino de Souza faleceu no município mineiro de Itaúna, no dia 2 de agosto de 2007.

Campeão da Taça de Prata de 1981 pelo Guarani de Campinas. Partindo da esquerda; Lúcio, Ângelo e Careca. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar número 568 – 3 de abril de 1981.

O Fluminense com uma bonita camisa branca da marca francesa ”Le Coq Sportif”. Em pé: Nei Dias, Tadeu, Edinho, Alexandre, Jandir e Paulo Vitor. Agachados: Robertinho, Mário, Amauri, Ângelo e Gilcimar. Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar número 618 – 26 de março de 1982.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Alberto Carlos, Aníbal Cristiano Penna, Arthur Ferreira, Auremar de Castro, Carlos Maranhão, Célio Apolinário, Daniel Gomes, Fernando Escariz, José Roberto de Aquino, Manoel Motta, Rodolpho Machado, Roque Mendes e Sérgio A. Carvalho), revista Manchete Esportiva, Jornal dos Sports, Jornal Estado de Minas, atletico.com.br, campeoesdofutebol.com.br, guaranifc.com.br, site do Milton Neves (por Ednílson Valia e Rogério Micheletti), albumefigurinhas.no.comunidades.net.