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Na tarde do dia 4 de abril de 1981, Batista sofreu uma fratura na tíbia depois de um “carrinho” precipitado do volante Merica do Sport Recife. Foram três meses de gesso na perna direita, sem contar com o sacrificante período de fisioterapia no departamento médico.

Em fase final de tratamento, Batista começou discutir sobre a renovação de seu contrato com o Internacional, vínculo que terminaria nos primeiros dias do mês de agosto.

Todavia, o presidente José Asmuz estava totalmente envolvido na negociação do atacante Nilson Dias do Universidad Guadalajara (México), o que certamente colocou a situação contratual de Batista em segundo plano!

José Asmuz não estava totalmente convencido da recuperação de Batista, como também não estava disposto em investir muito alto para renovar o contrato nas condições estipuladas pelo jogador, algo na casa dos vinte milhões de luvas e um milhão de cruzeiros mensais.

Submetido ao desgaste do descaso, Batista continuou “encostado” até o mês de dezembro, quando recebeu um convite para conversar com Fábio Koff, o recém empossado presidente do Grêmio.

Certo da recuperação de uma fratura, Batista pediu alto para renovar o seu contrato com o Internacional. Foto de Nico Esteves. Crédito: revista Placar número 586 – 7 de agosto de 1981.
Mundial de 1978 na Argentina. Partindo da esquerda; Rodrigues Neto, Batista, Gil e Jorge Mendonça. Crédito: revista Manchete Esportiva número 36 – 20 de junho de 1978.

Assim, acuado e pressionado pela inatividade e principalmente pelas manobras do presidente José Asmuz, a trajetória de sucesso de Batista no Internacional chegou ao fim.

Conforme reportagem da revista Placar número 608, de 15 de janeiro de 1982, Batista desabafou: “Claro que eu sabia que os dirigentes agem assim… Queriam que eu mendigasse para jogar, coisa que jamais vou fazer na vida”.

João Batista da Silva nasceu em Porto Alegre (RS) no dia 8 de março de 1955. De acordo com alguns registros, Batista passou pelas fileiras amadoras do Cruzeiro (RS), antes de ser encaminhado ao Sport Club Internacional no início da década de 1970.

Mas, o Internacional do início da década de 1970 apresentava boas opções e combinações para a meia-cancha, um desafio que fez o jovem Batista batalhar muito para conquistar algum espaço.

Volante de grande mobilidade, Batista primava pela capacidade de marcação e distribuição de bola. Foi campeão da Taça São Paulo de Futebol Júnior em 1974, feito que certamente representou grande visibilidade!

O técnico Cláudio Duarte precisou contar com Batista como lateral direito. Foi uma surpresa positiva e acima de tudo muito produtiva! Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar número 432 – 4 de agosto de 1978.
Uma trajetória memorável no Inter. Coleção “Ping-Pong Futebol Cards”. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Em pouco tempo, Batista foi lembrado para servir a Seleção Brasileira amadora. Conquistou o “Torneio de Cannes” disputado na França em 1974, bem como o Pan-Americano do México no ano de 1975. Batista também participou dos Jogos Olímpicos de Montreal em 1976.

Batista fez parte do elenco colorado que conquistou o campeonato nacional de 1975, 1976, 1979 e o campeonato gaúcho de 1975, 1976 e 1978, sem esquecer da premiação na Bola de Prata da revista Placar em 1980.

Contudo, os títulos conquistados pelo Inter e o bom desempenho na Copa do Mundo de 1978 e no “Mundialito” do Uruguai em 1981, não foram suficientes para manter Batista devidamente valorizado no Beira Rio.

É inegável que a fratura na partida contra o Sport Recife precipitou a sua tão discutida transferência para o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, uma transação que surpreendeu muita gente no findar de 1981.

A passagem pelo Grêmio foi modesta, o suficiente para colocar seu nome nos planos do técnico Telê Santana para disputar o mundial da Espanha em 1982. Na mesma temporada, o volante ganhou novamente a Bola de Prata da revista Placar.

Grande marcador, Batista sempre desempenhou muito bem a sua missão com a camisa do escrete! Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar número 544 – 3 de outubro de 1980.
Batista e Nelinho: Rivalidade é igual em qualquer lugar! Foto de Nico Esteves. Crédito: revista Placar número 546 – 17 de outubro de 1980.

No duelo contra os argentinos na Espanha, Batista foi alvo de uma agressão do astro Diego Maradona quando a partida já estava definida. Abaixo, os registros do jogo em que o Brasil sobrou em campo:

2 de julho de 1982 – Copa do Mundo – Segunda fase – Brasil 3×1 Argentina – Estádio Sarriá (Barcelona) – Árbitro: Mário Lamberto Rubio Vásquez (México) – Cartão amarelo: Falcão, Waldir Peres e Passarella – Cartão vermelho: Maradona – Gols: Zico, Serginho e Júnior para o Brasil; Ramón Díaz para a Argentina.

Brasil: Waldir Peres, Leandro (Edevaldo), Oscar, Luizinho e Júnior; Toninho Cerezo, Falcão e Zico (Batista); Sócrates, Serginho e Éder. Técnico: Telê Santana. Argentina: Fillol, Olguín, Galván, Passarella e Tarantini; Barbas, Ardilles e Calderón; Bertoni (Santamaría), Kempes (Ramón Díaz) e Maradona. Técnico: Menotti. 

Depois da passagem pelo Grêmio, Batista firmou compromisso com a Sociedade Esportiva Palmeiras em 1983, na época com o comando do respeitado Rubens Minelli.

Batista foi apresentado no Parque Antártica ao lado do bom meio-campista Cleo Hickmann (ex-Internacional), que naquele momento também buscava por novos desafios no futebol paulista.

A tão discutida transferência para o Grêmio! Foto de Nico Esteves. Crédito: revista Placar número 608 – 15 de janeiro de 1982.
Com o dinheiro devidamente depositado na Federação Gaúcha, o Grêmio tirou Batista do Beira-Rio! Foto de Nico Esteves. Crédito: revista Placar número 608 – 15 de janeiro de 1982.

Conforme publicado pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Batista realizou apenas 14 partidas com a camisa esmeraldina. Foram 6 vitórias, 7 empates, 1 derrota e 2 gols marcados.

No cenário italiano, Batista defendeu a Lazio e o Avellino. Em Portugal jogou pelo Belenenses e só voltou ao Brasil em 1988, para encerrar a carreira no Avaí (SC) em 1989.

Afastado do futebol por um bom tempo, Batista voltou ao mundo da bola em 1993, quando aceitou um convite para treinar o União Barbarense da segunda divisão paulista.

Ainda como treinador, Batista trabalhou nas divisões de base do Internacional em 1994. Em seguida passou também pelo São Luiz (RS) e pelo Goiatuba (GO).

Batista também foi um comentarista esportivo de respeito em vários canais de televisão; como o RBS, SporTV e Premiere. Atualmente reside em Porto Alegre (RS).

No time de estrelas de Telê Santana, Batista revelou sua total insatisfação com o banco de reservas! Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar número 631 – 25 de junho de 1982.
O desafio alviverde. Batista aparece ao lado do afamado Dudu. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar número 664 – 11 de fevereiro de 1983.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, Divino Fonseca, Édson Vara, Emanoel Mattos, Helena Arnoni, JB Scalco, José Maria de Aquino, Nico Esteves, Pedro Macedo e Rodolpho Machado), revista Manchete Esportiva, Jornal Correio do Povo, Jornal O Globo, campeoesdofutebol.com.br, cbf.com.br, internacional.com.br, palmeiras.com.br, site do Milton Neves, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Livro: Seleção Brasileira 90 anos – Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf, albumefigurinhas.no.comunidades.net.