Tags

, , ,

Como jogador, Jayme de Almeida foi um “gentleman”. Além de suas virtudes técnicas, o notável médio do Flamengo primava pela lisura nas bolas divididas! (Revista Esporte Ilustrado número 827 – 11 de fevereiro de 1954).

Jayme de Almeida nasceu no município de São Fidélis (RJ), em 28 de agosto de 1920. Em meados do início da década de 1930, a família Almeida mudou para Belo Horizonte (MG), o que em nada mudou o apetite de Jayme para a prática do futebol.

Em 1938, Jayme de Almeida foi encaminhado ao Sete de Setembro Futebol Clube de Belo Horizonte, equipe que projetou o jovem centromédio como uma das grandes promessas do futebol mineiro.

Transferido por uma verdadeira “pechincha” para o Atlético Mineiro no findar de 1939, Jayme de Almeida não demorou para ser efetivado como titular, inclusive participando da inauguração do Estádio do Pacaembu em 28 de abril de 1940.

Conforme reportagem publicada nas páginas de O Globo Sportivo número 130, de 14 de fevereiro de 1941, o bom momento de Jayme foi reconhecido pelo técnico Ademar Pimenta, que na época rabiscava o escrete para disputar o Sul-Americano de 1940, na Bolívia.

Biguá, Artigas e Jayme de Almeida no selecionado carioca, que em 1942 era representado pelas siglas LFRJ – Liga de Futebol do Rio de Janeiro. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 241 – 19 de novembro de 1942.
O Flamengo com sua linda camisa branca, o modelo mais tradicional da história do clube! Em pé: Biguá, Domingos da Guia, Jurandyr, Newton Canegal, Quirino e Jayme de Almeida. Agachados: Zizinho, Nilo, Sylvio Pirillo, Perácio e Vevé. Crédito: revista Placar – 50 times do Flamengo.

Mesmo com o cancelamento do campeonato Sul-Americano na Bolívia, o nome de Jayme de Almeida entrou no rol dos craques pretendidos pelas agremiações de ponta do badalado eixo Rio-São Paulo.

O Flamengo trabalhou rápido, tanto nas esferas administrativas como também nas preferências particulares do jogador, que nunca escondeu o enorme desejo de atuar na então Capital Federal.

Todavia, a negociação entre os dirigentes ficou marcada por desacordos de ordem financeira. O Atlético Mineiro, que inicialmente esperava receber 40 contos, não contava com o destempero repentino de Jayme, que cansado de esperar rumou de mala e cuia para o Rio de Janeiro.

A pendenga, esmiuçada na mesma edição número 130 de O Globo Sportivo, só terminou meses depois, quando o Flamengo conseguiu “bater o martelo” com o montante de 23 contos.

Assim, Jayme de Almeida começou o ano de 1941 de casa nova. Causou boa impressão e logo arrumou um lugar no time para o primeiro jogo no certame carioca. 

O árbitro Durval Caldeira vai jogar a moedinha com a presença de Jayme do Flamengo e César do América. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 283 – 9 de setembro de 1943.
Aqui o conjunto perfeito de raça, técnica e dedicação: Biguá, Bria e Jayme de Almeida. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Disputou posição com o veterano argentino Carlos Volante e foi parar no banco de suplentes. Depois foi aproveitado como médio-esquerdo, posição que o consagrou e mais tarde valeu-lhe o posto de capitão da equipe.  

Vestindo a camisa do Flamengo, Jayme conquistou o tricampeonato carioca de 1942, 1943 e 1944, além de vários torneios nacionais e internacionais. Também foi figura garantida em várias convocações do selecionado carioca.  

Pela Seleção Brasileira, Jayme disputou os campeonatos Sul-Americanos de 1942, 1945 e 1946, além do título na Copa Roca de 1945 e da participação na Copa Rio Branco de 1946. 

Depois de uma carreira marcada pelo exemplo de conduta e muitos títulos, em 1949 Jayme acenou aos dirigentes do Flamengo que a sua caminhada nos gramados estava com os dias contados.

Ganhador do Prêmio Belfort Duarte de 1949 e com o diploma de Contador nas mãos, Jayme de Almeida projetava um novo rumo na vida, embora ainda tenha permanecido na Gávea trabalhando no departamento de futebol.

Quando jogava pelo Madureira, Araty aparece ao lado de Jayme de Almeida do Flamengo. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 545 – 16 de setembro de 1948.
Um “gentleman” dos gramados, Jayme de Almeida aparece ao lado do genial e marrento Heleno de Freitas. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

De acordo com a Revista Esporte Ilustrado número 827, de 11 de fevereiro de 1954, Jayme de Almeida orientou o quadro principal do Flamengo em várias oportunidades, mesmo quando ainda era jogador.

Sua missão também foi importante como integrante da comissão técnica do Rubro-Negro, principalmente na ambientação inicial do técnico paraguaio Fleitas Solich.

No papel de treinador do Flamengo, Jayme de Almeida conquistou o Torneio Quadrangular de 1953, uma competição internacional disputada na Argentina contra o Boca Juniors, San Lorenzo e o velho rival Botafogo.

Continuou no ambiente da Gávea até julho de 1961, quanto recebeu uma boa proposta para comandar o Club Alianza Lima do Peru, onde foi campeão nacional em 1962, 1963 e 1965.

Pai do ex-jogador e também treinador do Flamengo Jayme de Almeida Filho, Jayme de Almeida faleceu em Lima (Peru) no dia 17 de maio de 1973. O ex-jogador do Flamengo foi vitimado por uma trombose cerebral em consequência de um derrame sofrido dias antes.

Biguá, Danilo Alvim e Jayme de Almeida no selecionado carioca. Crédito: revista Placar número 453 – 29 de dezembro de 1978.
O reconhecimento de Flávio Costa ao bom trabalho de Jayme de Almeida, seu ex-auxiliar técnico no Flamengo. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 813 – 5 de novembro de 1953.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Aristélio Andrade e Fausto Neto), revista Álbum Rubro Negro, revista Esporte Ilustrado (por Alberto Ferreira, Levy Kleiman e Luís Mendes), revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista O Cruzeiro, revista O Globo Sportivo, revista Vida do Crack, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, acervo.oglobo.globo.com, campeoesdofutebol.com.br, cbf.com.br, gazetaesportiva.com, flamengoalternativo.wordpress.com, flamengo.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.