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Quando a estridente “sirene das contratações” disparou no festivo Parque São Jorge, o zagueiro Juninho Fonseca cruzou os portões do clube para iniciar um novo ciclo em sua promissora carreira.

Naquela tarde de junho de 1983, o ambiente estava bem agitado e todos se acotovelavam para saudar o novo ídolo. Quem sabe agora, os problemas da zaga alvinegra seriam definitivamente resolvidos.

Longe dos alaridos, o introspecto Mauro preferiu desaparecer pelos corredores. Calmo, Mauro lembrou de muitos jogadores que chegaram com cartaz, mas logo depois caíram no esquecimento.

Desde que começou nas categorias amadoras do Corinthians em 1972, Mauro não teve vida fácil. Sem esmorecer, o jovem zagueiro precisou primeiro provar o seu valor ao ser emprestado para equipes do interior paulista.

O caminho das provações continuou mais tarde. Dores intermináveis e inchaços levaram Mauro para a mesa de cirurgia em 1986. Foram noventa dias árduos de recuperação e uma certeza: A persistência acompanha os vencedores!

Os sacrifícios da mãe dona Joana: “Eu trabalhava lavando roupas para pagar a condução do meu menino que treinava no juvenil do Corinthians”. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar número 523 – 9 de maio de 1980.
Rio de Janeiro, 4 de maio de 1980. Mauro tenta parar o endiabrado Roberto Dinamite. De volta ao Vasco depois de uma curta temporada no Barcelona da Espanha, o atacante fez os cinco gols na memorável vitória sobre o Corinthians por 5×2 no Maracanã! Crédito: revista Placar.

Mauro Rubens da Silva nasceu em 9 de junho de 1955, no município paulista de São Joaquim da Barra. A mãe, dona Joana, sempre apostou no futuro do filho, mesmo com o ceticismo declarado do marido Joaquim.

Conforme publicado pela revista Placar número 523, de 9 de maio de 1980, dona Joana revelou aos leitores a rotina de sacrifícios para ver o filho tentar seguir em frente no mundo da bola:

– “Quando a gente morava em São Joaquim da Barra, meu esposo não queria que o Maurinho jogasse futebol. Foi então que comecei a lavar roupas para garantir o dinheirinho da condução do menino”.

A ascensão ao profissionalismo aconteceu em 1976, mesmo ano em que Mauro foi emprestado pelo Corinthians para jogar na Esportiva de Guaratinguetá (SP). Na temporada seguinte, um novo empréstimo o levou ao Araçatuba (SP).

De acordo com o site “corinthians.com.br”, Mauro fez sua primeira participação pelo Corinthians no dia 19 de fevereiro de 1978, ao entrar no lugar de Zé Maria na lateral-direita.

Autógrafos e popularidade. Mauro atende torcedores no Parque São Jorge. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar número 644 – 24 de setembro de 1982.
Disposição nunca faltou. Mauro sempre foi um guerreiro digno do carinho da Fiel Torcida! Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar número 663 – 4 de fevereiro de 1983.

O confronto foi contra o Flamengo no Maracanã, compromisso válido pela fase final do campeonato nacional de 1977. O alvinegro paulista venceu por 1×0 com um gol marcado por Vaguinho. 

Com o passar do tempo, Mauro amargou o banco de reservas, uma realidade que só mudou na segunda fase do certame paulista de 1979, momento em que o presidente Vicente Matheus paralisou a competição.

Indignado, Vicente Matheus não concordou com uma rodada dupla marcada pela Federação Paulista, pois na opinião do dirigente a referida “rodada dupla” seria financeiramente prejudicial aos cofres do Corinthians.

Superado o embate entre Corinthians e Federação Paulista, o campeonato só voltou ao normal no mês de janeiro de 1980, com o zagueiro Zé Eduardo atravessando uma fase de instabilidade.

Assim, o esforçado Mauro foi aproveitado como titular na etapa decisiva da conquista do título paulista de 1979. Foi um dos melhores momentos de sua trajetória!

Por baixo ou por cima, Mauro era pura dedicação em cada bola que disputava! Foto de Ronaldo Kotscho. Crédito: revista Placar número 693 – 2 de setembro de 1983.
Na tarde do dia 4 de dezembro de 1983, no Morumbi, Corinthians e Palmeiras empataram em 1×1 pela fase final do campeonato paulista. Partindo da esquerda; Roberto Nunes Morgado, Luís Pereira, Leão, Mauro e Rocha. Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar número 707 – 9 de dezembro de 1983.

Todavia, o futebol de Mauro oscilou, o que custou o seu afastamento no time comandado por Oswaldo Brandão. A situação assim permaneceu até a chegada do técnico Mário Travaglini.

Sob o comando de Mário Travaglini em 1982 e Jorge Vieira em 1983, Mauro conquistou o bicampeonato paulista, o auge da tão discutida “Democracia Corinthiana”.

Mauro também fez parte da recuperação alvinegra no campeonato paulista de 1987. Depois de uma péssima campanha no primeiro turno, o bom trabalho do técnico Chico Formiga levou o time ao vice-campeonato.

Ao todo foram 335 partidas disputadas; com 159 vitórias, 106 empates, 70 derrotas e 4 gols marcados. Os registros foram publicados pelo “Almanaque do Corinthians”, do autor Celso Dario Unzelte.

De acordo com o site Terceiro Tempo (Seção Que Fim Levou) do jornalista Milton Neves, além do Corinthians Mauro defendeu o Guará de Brasília, Araçatuba (SP), Esportiva de Guaratinguetá (SP) e o União de Suzano (SP). Mauro encerrou sua carreira nos gramados em meados de 1993.   

O espigado Mauro. Estabilidade no esquema do técnico Chico Formiga! Foto de Carlos Fenerich. Crédito: revista Placar número 890 – 22 de junho de 1987.
O lado brincalhão do zagueiro para pular o carnaval com os amigos! Foto de Nélson Coelho. Crédito: revista Placar número 890 – 22 de junho de 1987.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Ari Borges, Carlos Fenerich, Emanoel Mattos, JB Scalco, João Carlos Rodriguez, José Maria de Aquino, José Pinto, Mílton Costa Carvalho, Nélson Coelho, Ronaldo Kotscho e Ubiratan Brasil), revista Manchete Esportiva, Jornal A Gazeta Esportiva, campeoesdofutebol.com.br, corinthians.com.br, gazetaesportiva.com, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, albumefigurinhas.no.comunidades.net.