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“Me sacrifiquei muito no último contrato que assinei com os representantes do América. Eu ganhava 25 mil cruzeiros mensais e acabei concordando em receber somente 20 mil cruzeiros por mês”.

“Por outro lado, o meu passe valorizou bastante e está avaliado em 1,5 milhão de cruzeiros. Deixei de ser apenas o irmão de Zózimo… O Vasco até tentou contar com meu futebol, mas o América queria 3 milhões e o negócio esfriou”.

“De bom, uma promessa de emprego futuro nos escritórios do Departamento de Estradas e Rodagem, um comprometimento pessoal que foi oferecido pelo então vereador Valdemar Viana”.

Foi assim que Calazans falou sobre o desenrolar da renovação contratual com o América. A reportagem foi publicada pela Revista do Esporte número 83, do dia 8 de outubro de 1960, meses antes da memorável conquista do campeonato carioca de 1960.

Irmão do famoso craque Zózimo Alves Calazans, José Alves Calazans nasceu em Salvador (BA) no dia 16 de agosto de 1934, embora algumas publicações apontem o dia 13 de agosto.de 1934, ou ainda 20 de outubro de 1934.

Os irmãos Zózimo e Calazans. Um futuro bem promissor no Bangu! Crédito: revista Esporte Ilustrado número 872 – 23 de dezembro de 1954.
Calazans marca para o Bangu em partida contra o América no Maracanã! Crédito: revista Esporte Ilustrado número 878 – 2 de fevereiro de 1955.

A família Calazans desembarcou na cidade do Rio de Janeiro em 1947. No ano seguinte, o irmão mais velho Zózimo foi aproveitado nas fileiras amadoras do São Cristóvão, equipe que defendeu até meados de 1950, quando foi contratado pelo Bangu (RJ).

Enquanto isso, José Alves continuou alimentando o sonho de vencer no mundo da bola. Adotou apenas o sobrenome da família e em 1952 foi parar no mesmo endereço de “Moça Bonita”.

Ponteiro-direito de origem, Calazans foi bicampeão carioca juvenil pelo Bangu nas edições de 1952 e 1953, mesmo ano em que foi aproveitado pelo técnico Tim no Torneio Início do campeonato carioca.

Atacante veloz e bom finalizador, o jovem Calazans foi ganhando espaço entre os titulares. Em 1954 firmou o primeiro contrato profissional e assim continuou nos planos do técnico Tim.  

Campeão do Torneio Início do campeonato carioca de 1955, Calazans viveu uma grande fase em 1956, com seu nome relacionado no escrete canarinho que conquistou o título da Taça Oswaldo Cruz diante do Paraguai.

Aproveitado pelo técnico Tim em 1953, Calazans fez grandes temporadas com a camisa do Bangu! Foto de Alberto Ferreira. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 973 – 29 de novembro de 1956.
“Me sacrifiquei muito no último contrato que assinei com os representantes do América”. Crédito: revista do Esporte número 83 – 8 de outubro de 1960.

Todavia, no início de 1958, depois de um tremendo mal-estar entre Calazans e a comissão técnica do Bangu, o presidente Fausto Guimarães de Almeida decidiu negociar os direitos de Calazans com o América (RJ).

Conforme publicado no site “bangu.net”, no alvirrubro de Moça Bonita Calazans disputou ao todo 130 partidas; com 74 vitórias, 28 empates, 28 derrotas e 49 gols marcados.

Jogando pelo América, o melhor momento de Calazans aconteceu na campanha da conquista do campeonato carioca de 1960. Abaixo, os registros do confronto que decidiu o certame:

18 de dezembro de 1960 – Campeonato carioca – Segundo turno – América 2×1 Fluminense – Estádio do Maracanã (RJ) – Árbitro: Wilson Lopes de Souza – Gols: Pinheiro para o Fluminense aos 26’ do primeiro tempo; para o América marcaram Nilo aos 49′ e Jorge aos 78′ do segundo tempo.

América: Ari; Jorge, Djalma Dias, Wilson Santos e Ivan; Amaro e João Carlos; Calazans, Antoninho (Fontoura), Quarentinha e Nilo. Técnico: Jorge Vieira. Fluminense: Castilho; Jair Marinho, Pinheiro, Clóvis e Altair; Edmílson e Paulinho (Jair Francisco); Maurinho, Waldo, Telê Santana e Escurinho. Técnico: Zezé Moreira. 

Treino do Fluminense. Partindo da esquerda; Calazans, Jair Marinho e Valter. Crédito: revista do Esporte número 156.
Linha de ataque do Fluminense. Partindo da esquerda; Calazans, Quarentinha, Jaburu, Valter e Escurinho. Crédito: revista do Esporte número 156.

Calazans permaneceu firme no elenco do América até maio de 1961, quando estabeleceu compromisso com o Fluminense (RJ), onde foi apresentado aos torcedores com enorme prestígio!  

Entretanto, sua passagem pelo time das Laranjeiras não foi como o esperado. Oscilante, Calazans não reeditou o bom futebol apresentado nos tempos do Bangu e América.

Em 1964 passou rapidamente pelo Esporte Clube Bahia (BA), para em seguida voltar ao badalado cenário carioca para defender o São Cristóvão, sua última equipe em 1965.

De acordo com o site “Terceiro Tempo” (Seção Que Fim Levou) do jornalista Milton Neves, Calazans atualmente mora no Rio de Janeiro e está aposentado como Oficial de Fazenda do governo estadual.

No concorrido mundo do futebol, o ponteiro-direito Calazans conheceu os dois lados da moeda: Subiu, desceu, ganhou e também perdeu, sempre com o rigor exacerbado de dirigentes intolerantes!

No Fluminense, Calazans não foi o mesmo atacante dos tempos do Bangu e do América! Crédito: revista do Esporte número 159 – 24 de março de 1962.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Aristélio Andrade e Ricardo Beliel), revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado (por Alberto Ferreira, Flávio Sales, Jorge Miranda, Leunam Leite e Luís Mendes), revista Manchete Esportiva, revista O Cruzeiro, Jornal dos Sports, bangu.net (por Carlos Molinari), campeoesdofutebol.com.br, fluminense.com.br, globoesporte.globo.com, oglobo.globo.com – Agência O Globo, site do Milton Neves, albumefigurinhas.no.comunidades.net.