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No bairro de Vila Mariana, Centro-Sul da capital paulista, o menino Albertinho vivia correndo atrás da bola. A cidade era acolhedora e os campos de futebol varzeano brotavam em qualquer canto da cidade.

Naqueles tempos, a bola era somente uma agradável diversão embebida em ilusão, um sonho que só vira realidade para os poucos bafejados pela sorte!

Os anos passaram e o pequeno Albertinho virou “Turcão”, lateral e zagueiro que brilhou nos dois lados do “Choque-Rei”, a clássica denominação criada pelo jornalista Thomaz Mazzoni para o clássico entre Palmeiras e São Paulo.

Alberto Chuairi nasceu na capital paulista no dia 24 de maio de 1926. Rapazola espigado, o talento de Turcão foi descoberto nos campos de várzea por um olheiro, o responsável pelo seu encaminhamento aos quadros amadores do Clube Atlético Ypiranga.

No início da década de 1940, o empolgado Turcão ainda esperava ansioso por uma oportunidade nas fileiras do Ypiranga. Todavia, logo ficou evidente que nada aconteceria além de uma enfadonha rotina de treinos.

Lula e Turcão. Destaques do alviverde na disputa da Taça Cidade de São Paulo de 1948. Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 89 – Quinta Feira, 6 de maio de 1948.
A equipe Palmeiras na temporada de 1950. Em pé: Turcão, Oberdan Cattani, Sarno, Luiz Villa, Salvador e Waldemar Fiume. Agachados: Nestor, Rodrigues, Montagnolli, Jair Rosa Pinto e Brandãozinho. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Entre desistir e tentar outros ares, Turcão tomou coragem e foi parar no juvenil do Palestra Itália. Aprovado nas seletivas, o moço da Vila Mariana continuou firme em seu propósito de vencer no mundo da bola!

Quando defendia o time de Aspirantes do Palestra Itália, Turcão testemunhou a mudança de nome do clube para Palmeiras: “Em 1942 éramos hostilizados por defender um time que levava o nome de um país rival do Brasil na Segunda Guerra Mundial”.

Enquanto batalhava por um lugar ao sol no alviverde, o jovem Turcão era um frequentador assíduo do Cine Marrocos, onde costumava assistir os filmes de seus atores favoritos, Cary Grant e Ingrid Bergman.

Firmado como titular do Palmeiras em 1946, Turcão escreveu uma trajetória vitoriosa. Permaneceu no clube até o segundo semestre de 1951, quando foi transferido para o Guarani de Campinas (SP).

Dedicado nos treinamentos, Turcão batia muito bem na bola. Tinha bom passe e uma especial capacidade de cobrar penalidades com perfeição!

Álbum de figurinhas Picando o Couro. Cromo carimbado de Turcão na página do Guarani de Campinas. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.
O forte esquadrão do selecionado paulista. Em pé: Rui Campos, Turcão, Oberdan Cattani, Mauro, Bauer e Noronha. Agachados: Cláudio, Baltazar, Nininho, Pinga e Friaça. Crédito: revista Esporte Ilustrado – Material publicado por museudosesportes.blogspot.com.br.

Ao todo, Turcão disputou 181 partidas pelo Palmeiras. Foram 103 vitórias, 42 empates, 36 derrotas e 6 gols marcados. Os registros foram publicados pelo “Almanaque do Palmeiras”, do autor Celso Dario Unzelte.

Conforme publicado pelo site “palmeiras.com.br”, Turcão conquistou o Torneio Início do campeonato paulista 1946, campeonato paulista de 1947 e 1950, Taça Cidade de São Paulo 1950 e o Torneio Rio-São Paulo 1951. Abaixo, os registros da partida que decidiu o certame paulista de 1947:

28 de dezembro de 1947 – Campeonato paulista – Segundo turno – Santos 1×2 Palmeiras – Estádio Vila Belmiro – Santos (SP) – Árbitro: Francisco Kohn Filho (SP) – Expulsão: Arturzinho (PAL) – Gols: Turcão e Arturzinho para o Palmeiras; Odair para o Santos. 

Palmeiras: Oberdan Cattani; Caieira e Turcão; Zezé Procópio, Túlio e Waldemar Fiume; Lula, Arturzinho, Oswaldinho, Lima e Canhotinho. Técnico: Oswaldo Brandão. Santos: René; Dinho e Expedito; Nenê, Dacunto e Alfredo; Odair, Zeferino, Adolfrizes, Antoninho e Leonaldo. Técnico: Abel Picabéa –

Na mesma temporada de 1951, depois de passar rapidamente pelo Guarani de Campinas, Turcão foi contratado pelo São Paulo. Conquistou o campeonato paulista de 1953 e 1957 e a Pequena Copa do Mundo da Venezuela em 1955.

Mauro Ramos de Oliveira e Turcão, componentes importantes na retaguarda do tricolor paulista em 1952. Crédito: revista Tricolor número 20.
Com a camisa do São Paulo, Turcão reencontrou o seu bom futebol. Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 419 – Sexta Feira, 23 de janeiro de 1953.

Ainda na temporada de 1955, uma única participação de Turcão com a camisa do escrete canarinho. Foi na disputa da Taça Bernardo O’Higgins, com vitória sobre o Chile por 2×1 no Pacaembu.

De acordo com o livro de Maurício Noriega “Os 11 maiores técnicos do futebol brasileiro”, Turcão sofreu uma grave contusão no joelho direito e trabalhou como auxiliar do técnico Bela Guttmann em 1957.    

Pelo São Paulo foram 215 partidas; com 121 vitórias, 42 empates, 52 derrotas e 36 gols marcados. Os números fazem parte do “Almanaque do São Paulo”, do autor Alexandre da Costa.

Turcão também jogou pelo Santa Cruz Futebol Clube (PE). Depois do futebol trabalhou em duas empresas do segmento alimentício, antes de se aposentar em definitivo.

Em decorrência de falência múltipla de órgãos, Alberto Chuairi faleceu no dia 21 de abril de 2013. (*) Algumas fontes apontam o dia de seu falecimento como 20 de abril de 2013.

Na rodada de abertura do Torneio Rio-São Paulo de 1954, o Palmeiras derrotou o São Paulo por 1×0 no Pacaembu. No lance, Turcão observa o chute de Liminha sair pela linha de fundo! Crédito: revista Esporte Ilustrado número 841 – 20 de maio de 1954.
Pelo campeonato paulista de 1956, o São Paulo venceu o Palmeiras por 3×0 no Pacaembu. No lance, Riberto, Vitor e Turcão afastam o perigo da área tricolor. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 965 – 4 de outubro de 1956.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista Esporte Ilustrado (por Alberto Ferreira, Leunam Leite e Luís Mendes), revista O Cruzeiro, revista Tricolor, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal Mundo Esportivo, campeoesdofutebol.com.br, museudosesportes.blogspot.com.br, palmeiras.com.br, saopaulofc.net, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa, Livro: Os 11 maiores técnicos do futebol brasileiro – Maurício Noriega – Editora Contexto, albumefigurinhas.no.comunidades.net.