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Pouco mudou ao longo dos anos. Uma boa parte dos jogadores de futebol de sucesso são considerados perdulários. Mas, esse não era o caso dos tricolores Édson e Telê Santana.   

A alcunha de “pão duro” logo foi estabelecida para Édson e Telê Santana, que foram escolhidos como o principal motivo de piadas nas Laranjeiras. O artigo “Campeões e pão-duros” foi publicado na Revista o Globo Sportivo número 680.

Édson Caires de Souza nasceu no município cidade de São João Del Rei (MG), embora algumas fontes apontem o seu nascimento para Onça de Pitangui (MG). Da mesma forma, a data também apresenta divergências entre 14 de junho e 14 de julho de 1926.

Meio-campista de origem, Édson começou sua trajetória em meados de 1946, nas fileiras do Social Futebol Clube. Depois passou pelo Minas Futebol Clube, ambos de São João Del Rei.

No findar de 1949, Édson foi transferido para o Esporte Clube Siderúrgica da cidade de Sabará, equipe onde firmou o seu primeiro compromisso profissional nos primeiros meses de 1950.

Édson e Telê Santana: A fama de “pão duro”. Crédito: revista o Globo Sportivo número 680.
Partindo da esquerda; Pé de Valsa, Édson e Jaiminho. Crédito: revista O Globo Sportivo número 657 – 15 de setembro de 1951.

Dotado de boa visão de jogo e especial capacidade de marcação, o promissor Édson foi sondado pelo Fluminense Football Club (RJ), que naquele momento carecia de boas alternativas para compor o elenco.

Todavia, a negociação esbarrou momentaneamente na exigência dos diretores do Siderúrgica, que não abriram mão de contar com o jogador até o final da temporada de 1950.

No raiar de 1951, o Fluminense despachou dois representantes até Sabará para assistir Siderúrgica e Cruzeiro. Com o bom desempenho de Édson na partida, os cariocas Ernesto dos Santos e José de Almeida deram o seu “OK” definitivo para o negócio.

Assim, no mês de março de 1951, o médio mineiro foi muito bem recebido nas Laranjeiras. De acordo com a Revista Esporte Ilustrado número 722, de 17 de fevereiro de 1952, Édson assinou contrato por 50 mil cruzeiros de luvas e 1000 cruzeiros mensais.

Depois de uma contusão do gaúcho Nélson Adams e da saída de Pé de Valsa para o tricolor paulista, o caminho estava aberto para Édson mostrar o seu verdadeiro valor no cenário carioca!

Treino do Fluminense! Partindo da esquerda; Carlyle, Zezé Moreira e Édson. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 705 – 11 de outubro de 1951.
Depois de fazer sucesso no Esporte Clube Siderúrgica (MG), Édson chegou com enorme prestígio ao Fluminense! Crédito: revista Esporte Ilustrado número 705 – 11 de outubro de 1951.

Nos primeiros jogos do campeonato carioca de 1951, o Fluminense formou suas linhas iniciais com Castilho, Píndaro e Pinheiro; Pé de Valsa, Édson e Jaiminho, uma formação muito criticada depois da goleada sofrida diante do Vasco da Gama por 4×2 no dia 9 de setembro.

Com o andamento da competição, Édson foi elemento chave na “marcação por zona” adotada pelo técnico Zezé Moreira, um diferencial no amadurecimento da equipe para conquistar o título carioca de 1951.

Abaixo, os registros de uma importante participação do mineiro Édson, que foi firmado como titular na vitória por 5×3 sobre o Bangu, jogo válido pelo primeiro turno do certame carioca de 1951:

23 de setembro de 1951 – Campeonato carioca – Primeiro turno – Fluminense 5×3 Bangu – Estádio do Maracanã (RJ) – Árbitro: Mário Vianna – Gols: Orlando, Telê Santana, Carlyle, Didi e Joel para o Fluminense; Nívio (2) e Joel para o Bangu.

Fluminense: Castilho, Píndaro e Pinheiro; Vitor, Edson e Jair; Telê Santana, Didi, Carlyle, Orlando e Joel. Bangu: Osvaldo, Mendonça e Rafanelli; Pinguela, Mirim e Djalma; Menezes, Zizinho, Joel, Moacir Bueno e Nívio.

Édson foi um elemento chave no esquema de marcação por zona adotado por Zezé Moreira! Crédito: revista Esporte Ilustrado número 722 – 17 de fevereiro de 1952 – Edição Especial do campeão carioca de 1951.
Pela primeira fase da Copa Rio, o Fluminense derrotou o Peñarol do Uruguai por 3×0 no Maracanã. Na foto, Edson e Nardelli. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 747 – 31 de julho de 1952.

Em 1952, Édson participou da memorável conquista da “Copa Rio de 1952”, uma competição disputada por Corinthians, Fluminense, Peñarol do Uruguai, Libertad do Paraguai, Grasshopper da Suíça, Áustria Viena da Áustria, Sporting Lisboa de Portugal e FC Saarbrücken da Alemanha.

Participando de todos os compromissos da Copa Rio de 1952, Édson foi um dos principais baluartes do Fluminense para chegar ao título nas finais contra o Corinthians.

Foram duas partidas disputadas no Maracanã. Na primeira partida realizada no dia 30 de julho, os cariocas venceram por 2×0. No segundo jogo, em 2 de agosto, o empate por 2×2 garantiu o título da competição ao Fluminense.

Édson também foi campeão do Torneio Início do campeonato carioca de 1954, bem como várias conquistas em torneios nacionais. O jogador permaneceu no elenco do Fluminense até o início de 1956.

Outro feito notável foi o Prêmio Belfort Duarte em 1955, uma honraria oferecida aos jogadores com impecável conduta! Não foram encontrados registros sobre a continuidade de sua carreira no futebol, ou sobre outras atividades fora do mundo da bola!

Descanso merecido no vestiário do Maracanã. Partindo da esquerda; Orlando, Quincas, Édson e Castilho. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 762 – 13 de novembro de 1952.
Robson e Édson no desembarque da proveitosa excursão pela Europa! Crédito: revista Esporte Ilustrado número 902 – 21 de julho de 1955.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista do Fluminense, revista Esporte Ilustrado (por Alberto Ferreira, Leunam Leite, Levy Kleiman, Luís Mendes, Roberto Mércio e Saldanha Marinho), revista O Cruzeiro, revista O Globo Sportivo (por Carlos Areas e Jorge Leal), Jornal dos Sports, campeoesdofutebol.com.br, fluminense.com.br, Livro: Fluminense Football Club – História, Conquistas e Glórias no Futebol – Antônio Carlos Napoleão – Editora Mauad, albumefigurinhas.no.comunidades.net.