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“Desapareceu Vevé, o herói do primeiro tricampeonato”. Foi assim que a Revista do Esporte número 286 ofereceu aos leitores os detalhes da triste despedida do querido ponteiro-esquerdo paraense.

Vítima de uma Cirrose Hepática, Vevé faleceu na tarde do dia 26 de julho de 1964. O ex-jogador do Flamengo estava internado no Hospital Rocha Maia, no Rio de Janeiro.

O funeral foi custeado pela diretoria do time da Gávea, que também tratou da papelada para o sepultamento no Cemitério de São João Baptista, Zona Sul da capital carioca.

Habilidoso e ligeiro, o baixinho de bigodinho fininho brilhou no Flamengo da era pré-Maracanã. Foi um dos destaques do forte esquadrão que faturou o primeiro tricampeonato carioca da história do clube em 1942, 1943 e 1944.

Conhecido no mundo da bola como “Vevé”, Everaldo Paes de Lima nasceu em Belém (PA) no dia 14 de março de 1918, embora algumas fontes esportivas da época apontem o ano de seu nascimento como 1917.

Na imagem, o ponteiro-direito Valido e o ponteiro-esquerdo Vevé. O Flamengo era envolvente pelas extremas! Crédito: revista Esporte Ilustrado.
O memorável esquadrão do Rubro-Negro. Partindo da esquerda; Jurandyr, Newton Canegal, Quirino, Valido, Jayme de Almeida, Bria, Sylvio Pirillo, Zizinho, Tião, Biguá e Vevé. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Com fama estabelecida nos campinhos de várzea da região onde morava, o jovem Vevé logo foi encaminhado ao Clube do Remo (PA), onde rapidamente chegou ao time principal e participou da conquista do título paraense de 1936.

A notável ascensão foi coroada com sua convocação para servir o selecionado paraense em 1939. Depois de uma grande apresentação contra o escrete baiano, Vevé foi contratado pelo Galícia Esporte Clube (BA).

No Galícia, o paraense continuou apresentando o mesmo futebol vistoso, tanto que no amistoso disputado em março de 1941 contra o Vasco da Gama, Vevé foi determinante no espetacular triunfo do quadro baiano por 2×1.  

O reconhecimento da imprensa carioca foi imediato. Assim, o nome de Vevé foi transformado no “sonho de consumo” dos grandes clubes da afamada cidade maravilhosa, principalmente pelos dirigentes do Vasco da Gama.

Todavia, o negócio com os representantes do Galícia emperrou, o que fez Vevé entrar na mira do Botafogo. Mas, os dirigentes não demonstraram o interesse suficiente para ficar com o jogador em definitivo!

Partindo da esquerda; Djalma, Vevé e Chico antes de mais um clássico entre Flamengo e Vasco. Crédito: revista Esporte Ilustrado.
Valorizado pelo técnico Flávio Costa, Vevé viveu a sua melhor fase vestindo a camisa do Flamengo! Crédito: revista Esporte Ilustrado número 237 – 22 de outubro de 1942.

Correndo por fora, em maio de 1941 o Flamengo trabalhou muito para chegar em um acordo com o Galícia, que realmente pedia um valor muito alto para liberar o jogador.  

Com o negócio fechado, a primeira partida de Vevé com a camisa do Rubro-Negro ocorreu somente no dia 15 de junho, quando marcou um dos gols na goleada por 4×0 sobre o Canto do Rio pelo campeonato carioca.

Amigo pessoal do lateral-direito paranaense Moacir Cordeiro, o famoso Biguá, Vevé conseguiu seu espaço como titular na equipe orientanda pelo sempre exigente treinador Flávio Costa.

Naquele período, o Fluminense de Armando Renganeschi, Pedro Amorim e Elba de Pádua Lima, o famoso Tim, dominou com relativa facilidade o cenário carioca com o bicampeonato de 1940 e 1941.

Disposto em impedir o tricampeonato do Fluminense, o técnico Flávio Costa dedicou muito de seu tempo no importante processo de renovação do elenco.

Domingo, 3 de outubro de 1943. Em partida pelo segundo turno do campeonato carioca de 1943, o Flamengo atropelou o Vasco por 6×2 em General Severiano. No lance, Vevé vence o goleiro Oncinha e abre o marcador! Crédito: revista Esporte Ilustrado número 287 – 7 de outubro de 1943.
Estrelas do selecionado carioca. Partindo da esquerda, em pé: Gijo, Laranjeiras, Zizinho e Augusto. Agachados: Afonsinho, Djalma, Batatais, Vevé e mais abaixo Sylvio Pirillo. Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado número 296 – 9 de dezembro de 1943.

Além de Biguá e do ponteiro Vevé, o Flamengo apresentou o médio Jayme de Almeida e o artilheiro gaúcho Sylvio Pirillo, que na época estava no Peñarol do Uruguai.

Mais encorpado, o Flamengo impediu com sucesso o temido tricampeonato do Fluminense. Assim, no triênio de 1942, 1943 e 1944, o Rubro-Negro caminhou absoluto para conquistar o primeiro tricampeonato de sua história.

No embalo do grande momento, Vevé marcou presença no selecionado carioca e no escrete nacional, com seu nome lembrado para disputar o campeonato Sul-Americano pela Seleção Brasileira em 1945.

Apresentando uma queda em seu rendimento, Vevé jogou pelo Flamengo até 1948. Os efeitos de uma cirurgia nos meniscos foram determinantes em seu declínio físico e técnico.     

De acordo com o site “flamengoalternativo.wordpress.com”, ao deixar o futebol, Vevé sofreu com os malefícios do alcoolismo. Mesmo assim, ainda participava de jogos de veteranos. Trabalhou por um tempo como corretor de imóveis, porém sem muito retorno!

Uma das formações ofensivas do Flamengo na temporada de 1944. Partindo da esquerda: Nilo, Zizinho, Tião, Perácio e Vevé. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 314 – 13 de abril de 1944.
Vitimado por uma Cirrose Hepática, Vevé faleceu na tarde do dia 26 de julho de 1964. O ex-jogador estava internado no Hospital Rocha Maia, no Rio de Janeiro. Crédito: revista do Esporte número 286 – 29 de agosto de 1964.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Ignácio Ferreira), revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado (por Alberto Ferreira, Leunam Leite Levy Kleiman e Luís Mendes), revista Grandes Clubes Brasileiros, revista O Cruzeiro, revista O Globo Sportivo, Jornal dos Sports, campeoesdofutebol.com.br, flamengoalternativo.wordpress.com, flamengo.com.br, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), albumefigurinhas.no.comunidades.net.