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É impressionante o poder das forças do destino quando algo precisa acontecer! Talvez esse, o principal aprendizado oferecido pela reportagem publicada nas páginas da revista O Globo Sportivo número 655, de 1 de setembro de 1951.

Em 1938, o argentino Carlos Volante estava na França batalhando firme por uma oportunidade para trabalhar como treinador, até que tomou conhecimento que o Brasil desembarcou para disputar o mundial sem um massagista.

Assim, Carlos Volante partiu decidido em oferecer os seus préstimos ao escrete brasileiro, que na ocasião estava hospedado em Saint-Germain, no tradicional Hotel Pavillion Henry IV.

Bem acolhido pelo treinador Adhemar Pimenta, o nome de Carlos Volante ficou conhecido nas notas jornalísticas que vinham da Europa, como também nas entusiasmadas transmissões radiofônicas.

Por certo, a colaboração oportuna de Carlos Volante na Copa do Mundo de 1938 foi determinante para uma posterior aproximação junto ao presidente do Clube de Regatas do Flamengo (RJ), o português Raul Dias Gonçalves.

O jovem e promissor Carlos Volante em 1928, quando passou pelo Club Atlético Platense da Argentina. Crédito: revista El Gráfico número 566.
Jogo ou treino, Volante estava sempre com uma latinha de graxa pronta para manter o brilho das chuteiras! Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado número 184 – 16 de outubro de 1941.

Carlos Martin Volante nasceu na cidade de Lanús, na Argentina, no dia 11 de novembro de 1910. Oficialmente, sua trajetória no futebol foi iniciada em 1928, nas fileiras do Club Atlético Platense.

(*) Algumas fontes apontam passagens anteriores nas categorias amadoras do Club Atlético Lanús em 1925 e depois no Club Atlético San Martín, entre 1926 e 1927.

Originariamente como jogador de meia-cancha, o futebol solidário de Carlos Volante conquistou muito prestígio no Platense, equipe em que permaneceu até 1929, quando foi transferido para o Club Atlético San Lorenzo de Almagro.

No ano seguinte jogou pelo Club Atlético Vélez Sarsfield e na temporada de 1930-1931 jogou pelo Club Atlético Excursionistas, o alviverde do bairro de Belgrano, em Buenos Aires.

Em seguida deu início ao “ciclo europeu”, primeiramente na Itália. Defendeu o Società Sportiva Calcio Napoli (1931-1932), a Associazione Sportiva Livorno Calcio (1932-1933) e finalmente o Torino Football Club (1933-1934).

Carlos Volante (em destaque) trabalhando em sua tipografia. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 195 – 1 de janeiro de 1942.
O Flamengo com a camisa branca mais tradicional de sua história!. Em pé: Volante, Biguá, Domingos da Guia, Jurandyr, Newton Canegal e Jayme de Almeida. Agachados: Valido, Zizinho, Sylvio Pirillo, Perácio e Vevé. Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado.

Carlos Volante continuou sua caminhada na França. Jogou pelo Stade Rennais Football Club (1934-1935 – Vice-campeão “Copa da França”), Olympique Lillois (1935-1936) e por fim o Cercle Athlétique de Paris (1937-1938).

Contando com 28 anos de idade e grande experiência, essa cansativa e longa “peregrinação” pelo palco europeu fez Carlos Volante idealizar uma nova empreitada no mundo da bola.

Indiretamente, o trabalho como massagista da Seleção Brasileira no mundial de 1938 o levou ao Flamengo (RJ) e, especialmente, para dentro dos gramados novamente.

Carlos Volante foi apresentado na Gávea e rapidamente trabalhou com afinco na recuperação de sua condição física. Também despertou curiosidade pelo cuidado, um tanto exagerado, para manter o brilho de suas chuteiras!

Conquistou com brilho o campeonato carioca nas edições de 1939, 1942 e 1943. Seu futebol de notável regularidade foi um componente muito importante no esquema de jogo adotado pelo técnico Flávio Costa.

Jogo de Damas na concentração do Flamengo! Partindo da esquerda; Artigas, Domingos da Guia e Volante. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 238 – 29 de outubro de 1942.
“Clássico dos Milhões” nas Laranjeiras! Partindo da esquerda; Artigas, Figliola e Volante. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 269 – 3 de junho de 1943.

Perfeitamente adaptado ao Rio, Carlos Volante e o conterrâneo Agustín Valido foram o tema de uma reportagem especial publicada nas páginas da revista Esporte Ilustrado número 195, edição de 1 de janeiro de 1942.

Pensando no futuro longe da bola, Valido e Volante investiram suas economias na abertura da Tipografia Rio-Platense, um negócio promissor e uma feliz continuidade na “Cidade Maravilhosa”.

No início do ano de 1943, Carlos Volante decidiu pela não renovação de seu compromisso com o Flamengo. Afinal, o jogador argentino sentia o peso da idade e os afazeres na tipografia exigiam uma maior dedicação.

Como treinador trabalhou no Internacional (RS) entre 1946 e 1948, período em que conquistou o bicampeonato gaúcho de 1947/1948. Também comandou o Bahia e foi campeão da Taça Brasil de 1959.

Entre 1953 e 1956 treinou o Vitória (BA) e conquistou os títulos estaduais nas temporadas de 1953 e 1955. Carlos Martin Volante faleceu em Milão, na Itália, no dia 9 de outubro de 1987.

Para faturar o bicampeonato carioca de 1942 e 1943, o técnico Flávio Costa (direita) contou com a experiência do veterano Carlos Volante! Crédito: revista Esporte Ilustrado.
Reportagem especial com os campeões da Taça Brasil pelo Bahia em 1959. Foto de Antônio Andrade. Crédito: revista Placar número 460 – 16 de fevereiro de 1979.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Antônio Andrade), revista Álbum Rubro Negro, revista El Gráfico, revista Esporte Ilustrado (por Alberto Ferreira, Leunam Leite, Levy Kleiman e Luís Mendes), revista Grandes Clubes Brasileiros, revista O Cruzeiro, revista O Globo Sportivo (por Pinheiro de Lemos), Jornal dos Sports, Jornal O Globo, campeoesdofutebol.com.br, flamengo.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.