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Disciplinado e sobretudo reservado, Solito recebeu uma rígida educação dos avós paternos Dulce e Afonso, que o criaram desde os quatro anos de idade depois da separação dos pais. (Revista Placar número 723 – 30 de março de 1984).

Talvez, seja esse o maior segredo de sua elogiável perseverança no Parque São Jorge. Afinal, em sua longa labuta pela camisa de titular, Solito teve pela frente nomes consagrados; como Sérgio Valentim, Jairo (ex-Coritiba), Emerson Leão e Carlos (ex-Ponte Preta).

Cláudio Roberto Sollito nasceu no dia 14 de dezembro de 1956 na cidade de São Paulo (SP). O início de sua caminhada no futebol aconteceu em dezembro de 1969, quando chegou ao Corinthians para uma peneira no “Dente de Leite”.

Com especial dedicação, o esperançoso Solito continuou batalhando muito nas categorias amadoras, até que em 1975 recebeu suas primeiras oportunidades no elenco principal.

Naquela temporada de 1975, o tarimbado Sérgio Valentim começou o certame paulista como titular, até sofrer uma contusão e ser substituído por Luís Antônio, um goleiro que fez muito sucesso no São Bento de Sorocaba.

No Morumbi, Zé Maria e o jovem goleiro Solito pouco podem fazer para evitar o gol da Portuguesa marcado por Enéas. Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar número 293 – 7 de novembro de 1975.
No Pacaembu, o treinador Brandão mostra quem manda ao colocar vários titulares no banco de reservas. Partindo da esquerda; Edu (Jonas Eduardo Américo), Wladimir, Solito, Basílio, Ruço e Oswaldo Brandão. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar número 371 – 3 de junho de 1977.

Entretanto, o “grandalhão” Luís Antônio ficou marcado pela Fiel Torcida por sua tão discutida atuação no dia 6 de julho de 1975, na vexatória derrota do Corinthians por 5×1 diante da Portuguesa de Desportos, no Pacaembu.

Assim, o técnico Dino Sani foi aos poucos alimentando coragem para escalar o novato Solito. Finalmente, na tarde de 31 de julho de 1975 (na derrota para o Santos por 2×0, no Morumbi), Solito entrou no decorrer da partida no lugar de Luís Antônio.

Na partida seguinte, Dino Sani decidiu escalar Solito pela primeira vez como titular. O jovem goleiro foi muito bem no difícil empate em 1×1 diante da Portuguesa de Desportos, no mesmo Morumbi.

3 de agosto de 1975 – Campeonato Paulista – Segundo Turno – Rodada dupla – Estádio do Morumbi – Portuguesa de Desportos 1×1 Corinthians – (Preliminar do jogo Palmeiras x São Paulo) – Árbitro: Armando Marques – Gols: Enéas e Marco Antônio.

Portuguesa de Desportos: Zecão; Cardoso, Mendes, Calegari e Santos; Badeco e Dicá; Antônio Carlos, Wilsinho (Adílson), Tatá e Enéas. Técnico: Otto Glória. Corinthians: Solito; Zé Maria, Laércio, Ademir e Cláudio; Ruço e Basílio (Nílton); Vaguinho, Adílson, Arlindo e Marco Antônio. Técnico: Dino Sani.

Em destaque o goleiro Solito quando passou pelo Náutico Capibaribe. Uma boa equipe, que contava com o zagueiro Beliato, o meio campista Luciano (ex-Corinthians) e o lendário centroavante Dario. Foto de Flávio Canalonga. Crédito: revista Placar número 542 – 19 de setembro de 1980.
“Depois da tempestade vem a bonança”. O título paulista de 1982 foi um prêmio merecido ao goleiro que passou por altos e baixos no Parque São Jorge. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar número 648 – 22 de outubro de 1982.

Todavia, Sérgio Valentim voltou recuperado ao time, ao mesmo tempo em que Dino Sani limpou seu armário no Parque São Jorge, o que obrigou o presidente Vicente Matheus a apostar suas fichas no técnico Milton Buzetto.

Como se não bastasse, no início do segundo semestre de 1975, os dirigentes do alvinegro anunciaram o goleiro Tobias, que estava emprestado pelo Guarani de Campinas ao Sport Club do Recife (PE). 

E nessa nova realidade, o banco de suplentes ficou pequeno demais depois da chegada do goleiro Jairo. De camarote, Solito assistiu a invasão da Fiel Torcida ao Maracanã em 1976, bem como participou do elenco nas conquistas do título paulista de 1977 e 1979.

Em 1980, Solito foi disponibilizado para empréstimo com o objetivo de ganhar experiência. Primeiro passou pelo Clube Náutico Capibaribe (PE) e no ano seguinte voltou ao cenário paulista para defender o Esporte Clube Taubaté.

Na verdade, enquanto defendeu o Corinthians, Solito sempre conviveu com pressões e o risco da chegada de um grande nome para assumir o lugar como titular! (Revista Placar número 723 – 30 de março de 1984).

O aconchego familiar, tão necessário fora das quatro linhas! Foto de Nico Esteves. Crédito: revista Placar número 689 – 5 de agosto de 1983.
Uma caminhada de muita dedicação e sacrifício! Foto de Nico Esteves. Crédito: revista Placar número 723 – 30 de março de 1984.

Abaixo, uma das participações de Solito defendendo o Taubaté no campeonato paulista de 1981. O confronto contra o Santos terminou empatado no Estádio “Joaquinzão”:

30 de agosto de 1981 – Campeonato Paulista – Segundo Turno – Estádio Joaquim de Morais Filho – Joaquinzão – (Taubaté – SP) – Taubaté 0x0 Santos – Árbitro: José de Assis Aragão.

Taubaté: Solito; Aroldo, Alfredo, Cleto e Mariano; Toninho Moura, Toninho Taino e Basílio (Lira); Nenê, Adílson (Mirandinha) e Bentinho. Técnico: Pedro Rocha. Santos: Marolla; Suemar, Márcio, Neto e Paulinho; Toninho Vieira, Nilson Dias (Gilberto Costa) e Elói; Ronaldo, Luisão e João Paulo. Técnico: Coutinho.

De volta ao Parque São Jorge, Solito encontrou um verdadeiro “batalhão” de goleiros composto pelo baixinho alagoano César, Rafael Cammarota, Tadeu e o irmão Solitinho (Carlos Alberto Sollito).

Solito atingiu o auge de sua passagem pelo Corinthians no período da difundida “Democracia Corinthiana”, um movimento que sacudiu o mundo da bola entre 1982 e 1983.

Os irmãos Solitinho e Solito no Parque São Jorge. Profissionalismo e amizade sincera! Foto de Nico Esteves. Crédito: revista Placar número 723 – 30 de março de 1984.
Corinthians e Palmeiras no Morumbi. Solito e Édson de olho no sempre perigoso Luisinho Lemos. Foto de Sérgio Berezovsky. Crédito: revista Placar número 744 – 24 de agosto de 1984.

A permanência no Parque São Jorge durou até o ano de 1986, de onde Solito saiu muito magoado. A revelação foi feita quando o goleiro defendia o Ituano e foi divulgada pela Revista Placar número 966, em sua edição de 9 de dezembro de 1988:

– “Fui titular apenas durante o Paulistão de 1982. Nunca me deram valor por eu ser Prata da Casa, como foi o caso de Rafael Cammarota, que também não foi valorizado quando começou no Corinthians”.

Na sequência de sua carreira, Solito continuou jogando no futebol paulista e defendeu o Paulista Futebol Clube de Jundiaí, o Ituano Futebol Clube e finalmente o Nacional Atlético Clube em 1989.

Jogando pelo Corinthians, Solito disputou ao todo 172 partidas; com 86 vitórias 55 empates, 31 derrotas e 154 gols sofridos. Os números foram publicados pelo Almanaque do Corinthians, do autor Celso Dario Unzelte.

De acordo com o site Terceiro Tempo (Seção Que Fim Levou) do jornalista Milton Neves, Solito tem uma confecção de uniformes no bairro da Casa Verde, na Zona Norte da cidade de São Paulo.

Vacance Hotel em Águas de Lindóia. Gilberto Tim e o goleiro Solito trabalhando no início de temporada do Corinthians. Foto de Sérgio Berezovsky. Crédito: revista Placar número 817 – 20 de janeiro de 1986.
Parte do elenco alvinegro trabalhando o início de temporada no Vacance Hotel em Águas de Lindóia (SP). Partindo da esquerda; Édson, Solito, João Paulo, Mauro, Paulo César, Biro-Biro, Edvaldo e Wilson Mano. Foto de Sérgio Berezovsky. Crédito: revista Placar número 817 – 20 de janeiro de 1986.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Ari Borges, Carlos Maranhão, Flávio Canalonga, JB Scalco, José Maria de Aquino, José Pinto, Lemyr Martins, Lenivaldo Aragão, Manoel Motta, Marco Aurélio Borba, Nico Esteves, Pedro Martinelli, Sérgio Berezovsky e Telmo Zanini), revista Manchete Esportiva, Jornal A Gazeta Esportiva, acervosantista.com.br, campeoesdofutebol.com.br, corinthians.com.br, gazetaesportiva.com, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, albumefigurinhas.no.comunidades.net.