Alfredinho… profissão milagreiro

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Quando o final de temporada se avizinhava, o telefone da casa de seu Alfredinho Sampaio não parava de tocar. Eram os ameaçados pelo rebaixamento, que sacolejando a lanterna dos afogados clamavam pelo imediato socorro.

Então, o cearense de bigodinho aparado fazia o seu possível para não deixar nenhum dirigente na mão. Além da fama instalada de milagreiro, Alfredinho também era chamado de “Bruxo”, talvez o reflexo das inúmeras equipes que salvou da iminente “degola”.

Antes dos treinos, ou mesmo nas preleções dos confrontos decisivos, suas palestras acaloradas despertavam o leão adormecido em cada um!

Mas o “Bruxo” também sofreu. Acusado de “dopador”, Alfredinho prontamente rebatia seus acusadores. E como nunca nada foi provado, sua palavra merecia toda fé: “Dopo sim, mas é mentalmente! Faço o jogador sentir-se o melhor do mundo”.

Alfredo Sampaio Filho nasceu no município de Cascavel (CE), em 7 de fevereiro de 1927, embora algumas fontes apontem seu nascimento em Fortaleza (CE).

O Madureira no gramado das Laranjeiras. Em pé: Irezê, Agnelo, Weber, Hermínio, Claudionor e Walter. Agachados: Betinho, Alfredinho, Genuíno, Silvinho e Osvaldinho. Crédito: revista Esporte Ilustrado – 8 de novembro de 1951.

Em destaque, Alfredinho aparece ao lado do técnico Lula. Crédito: Livro Santos – Um Time dos Céus – Jose Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta – Editora DBA.

Publicações do findar da década de 1940, dão conta que o jovem e promissor Alfredinho iniciou sua jornada no Ceará Sporting Club (CE). Passou depois pelo Sampaio Corrêa Futebol Clube (MA) e pelo Clube do Remo (PA).

Sua próxima parada foi o Madureira Esporte Clube (RJ), equipe onde conquistou amigos, respeito e principalmente o curioso apelido de “Lambreta”.

Ponteiro-direito de origem, Alfredinho também era utilizado como centroavante em algumas oportunidades. Rápido e com bom faro de gol, seu futebol sempre impetuoso o levou bem recomendado ao cenário paulista.

Com o inesperado dissabor de ser praticamente um figurante no elenco da Sociedade Esportiva Palmeiras, Alfredinho assinou compromisso com o Clube Atlético Linense (SP).

Sua experiência foi determinante na grande campanha do alvirrubro em 1952, quando o Linense conquistou com brilho o acesso ao grupo de elite do futebol paulista.

O triunfo do Marília na volta ao grupo especial do campeonato paulista em 1971. Crédito: revista Placar – 3 de setembro de 1971.

Alfredinho assina com o Santos. Crédito: revista Placar – 19 de março de 1976.

Alfredinho permaneceu na agremiação da cidade de Lins até o segundo semestre de 1955, quando seus direitos foram negociados com o Santos Futebol Clube.

Conforme publicado pelo site “santosfc.com.br”, sua primeira participação aconteceu no amistoso disputado em 21 de agosto de 1955, com derrota do Santos para o Corinthians de Presidente Prudente pela contagem de 2×1.

Na Vila Belmiro, Alfredinho foi bicampeão paulista nas edições de 1955 e 1956. Ao todo foram 121 jogos disputados, com 32 gols marcados entre 1955 e 1959.

Em 1957 foi emprestado pelo Santos ao Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense (RS). Fez parte do elenco que conquistou o campeonato gaúcho de 1957.

Depois do Santos, o ponteiro-direito também jogou pelo XV de Piracicaba (SP), Comercial da capital paulista e o Comercial de Ribeirão Preto (SP), sua última equipe como jogador profissional.

O inimigo número 1 do futebol é o “cartola”. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 31 de agosto de 1979.

Com Alfredinho, a Internacional de Limeira voltou aos melhores dias. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 31 de agosto de 1979.

Em seguida, Alfredinho foi auxiliar do lendário técnico Lula no Santos, inclusive participando de conquistas importantes, como o bicampeonato Mundial Interclubes em 1963.

No duelo decisivo do Mundial Interclubes de 1963, diante do Milan no Maracanã, o então auxiliar-técnico Alfredinho teria fornecido estimulantes para o substituto de Pelé, Almir Albuquerque.

O acontecimento foi confirmado pelo próprio Almir Albuquerque em seu livro “Eu e o Futebol”, ainda que Alfredinho tenha oferecido outras versões menos comprometedoras para sua eventual participação.

Devoto de Nossa Senhora Aparecida, o arrependido Alfredinho contou o que aprendeu com os próprios erros:

– “Eu apenas seguia ordens de meus superiores no Santos. Quando me tornei técnico de fato deixei de lado esse negócio de estimulantes… Nunca mais fiz isso”.

Na Internacional de Limeira, Alfredinho soube como tirar o melhor de seus jogadores. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar –
31 de agosto de 1979.

Os misticismos de Alfredinho. Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 15 de outubro de 1982.

Em reportagem publicada na revista Placar em 31 de agosto de 1979, Alfredinho se autodenominava um simples “orientador”, algo bem diferente de técnico ou mesmo professor.

O simpático Alfredinho ofereceu seus importantes préstimos como treinador em inúmeras equipes, principalmente no disputado interior paulista:

– Botafogo (SP), Comercial (SP), Francana (SP), Guarani (SP), Internacional de Limeira (SP), Marília (SP), Noroeste (SP), Paulista (SP), Taquaritinga (SP) e novamente o Santos em 1976.

Com 50 anos dedicados ao mundo do futebol, Alfredinho também batalhou pelo sustento como proprietário de uma padaria e de um posto de gasolina.

Alfredo Sampaio Filho faleceu na cidade de Ribeirão Preto (SP), em 4 de abril de 2017.

O milagreiro do interior paulista. Crédito: revista Placar – 15 de outubro de 1982.

Sobre a rivalidade entre Botafogo e Comercial em Ribeirão Preto. Foto de Luiz Dantas. Crédito: revista Placar – 5 de maio de 1986.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Ari Borges, Carlos Maranhão, Fábio Rocco Sormani, Luiz Dantas, Manoel Motta, Mário Prata, Maurício Cardoso, Pio Pinheiro e Wilson Baroncelli), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista Manchete Esportiva, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, Jornal dos Sports, acervosantosfc.com (por Gabriel Santana), campeoesdofutebol.com.br, santosfc.com.br (por André Mendes e Guilherme Guarche), site do Milton Neves (por Raphael Cavaco), Livro: Santos – Um Time dos Céus – Jose Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta – Editora DBA, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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