Foguinho… não tá morto quem peleia

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O treinador Telêmaco Frazão de Lima era um homem consciente dos benefícios da tolerância. Afinal, o rapazola com cabelo “cor de fogo” era um canhoto bom de bola, ainda que seu jeito autoritário pudesse causar alguns estorvos.

A tolerância era algo essencial para os homens que comandavam o futebol em seu estágio amador.

E para que arrumar um mal estar logo com Foguinho, que assim como seus companheiros, não recebia qualquer tipo de pagamento ou incentivo financeiro para entrar em campo.

Foguinho ganhava seu sustento como Alfaiate. Passava horas cortando e medindo tecidos de casimira no balcão da Alfaiataria Aliança, na Rua da Praia com a Rua do Rosário.

Nas horas de folga, além do Futebol, Foguinho apreciava o Remo e a Natação, atividades que praticava com os amigos nas águas do Guaíba.

Crédito: revista Placar – 7 de agosto de 1981.

Oswaldo Azzarini Rolla, o lendário “Foguinho”, nasceu na cidade de Porto Alegre (RS), em 13 de setembro de 1909.

Simpatizante do extinto Sport Club Ruy Barbosa, Foguinho iniciou sua trajetória no Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense em 1928.

Valente e disposto nas divididas, Foguinho não era apenas um executor de arremates certeiros ao gol. Combatente incansável da meia cancha, sua boa impulsão era um motivo constante de preocupação para os adversários.

Foi campeão gaúcho nas edições de 1931, 1932, 1937, 1938 e 1939, além dos títulos citadinos de Porto Alegre em 1930, 1931, 1932, 1933, 1935. (*) Algumas fontes registram os títulos de 1937, 1938 e 1939 como “citadino”.

Como jogador ou treinador, Foguinho faz parte da história do Grêmio. Crédito: revista Placar.

Crédito: futebolgaucho.tumblr.com.

Mas a conquista que ficou marcada na alma de Foguinho e da coletividade gremista foi o citadino de 1935, também conhecido como o “Campeonato Farroupilha”.

O favorito Internacional entrou no Estádio da Baixada precisando apenas do empate. Mas Grêmio venceu o prélio por 2×0 nos minutos finais, com gols de Foguinho e Laci.

Pelo Grêmio, Foguinho jogou até 1942. Foram 116 gols marcados em partidas oficiais, embora divergências nos registros tenham prejudicado essa contagem em razão da fase amadora.

Em seguida, Foguinho defendeu o Hercílio Luz Futebol Clube (SC) até 1943, quando encerrou a carreira como jogador.

Sem conseguir ficar longe dos gramados, Foguinho colocou o apito na boca e foi um árbitro respeitado por um bom tempo. Em 1950 aceitou um convite para treinar o Football-Club Esperança de Novo Hamburgo (RS).

Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Em 1953 assumiu o Cruzeiro de Porto Alegre. Foi um grande trabalho, inclusive participando da primeira excursão de um clube gaúcho pelos gramados da Europa, Ásia e Oriente Médio.

A aventura do time estrelado foi realizada entre 24 de novembro de 1953 e 29 de janeiro de 1954. Foram 15 partidas com 7 vitórias, 3 derrotas e 5 empates.

Nesse período, principalmente enquanto esteve na Europa, Foguinho observou e estudou muito. Assistiu inclusive partidas do Budapest Honvéd Football Club, base da poderosa seleção húngara que encantou o mundo na Copa da Suíça.

Enquanto isso, no cenário doméstico, o Grêmio vivia um período de estiagem de títulos desde o ano de 1949.

Inaugurado o Estádio Olímpico, em setembro de 1954, um plano de renovação foi colocado em prática e Foguinho foi o técnico escolhido em 1955.

Crédito: revista do Grêmio número 18 – 1958.

Com o aprendizado adquirido na excursão internacional do Cruzeiro, Foguinho adaptou e colocou em prática os fundamentos do futebol competitivo de marcação e velocidade.

Em uma época carente de profissionais específicos para uma preparação física adequada, Foguinho fazia seus jogadores subirem e descerem pelas arquibancadas, um esforço sem o amparo acadêmico, mas com resultados inquestionáveis.

Marcado pela exigência nos treinamentos físicos, Foguinho também carregou o rótulo da preferência por jogadores altos, o que talvez tenha causado a dispensa do goleiro Sérgio Moacir.

Por outro lado, Foguinho acertou ao pedir a contratação do centroavante Juarez, que deixou Santa Catarina aos 27 anos de idade para virar o “Leão do Olímpico”.

Pelo Grêmio, o treinador conquistou os títulos gaúchos 1956, 1957, 1958, 1959, além dos citadinos de 1956, 1957, 1958, 1959 e 1960.

Crédito: revista Placar – 23 de janeiro de 1976.

Foto de JB. Scalco. Crédito: revista Placar – 23 de janeiro de 1976.

Ainda em 1960, Foguinho comandou a Seleção Brasileira no vice-campeonato do Pan-Americano disputado na Costa Rica.

Foguinho encerrou seu vínculo com o Grêmio em 1961. Voltou ao Cruzeiro de Porto Alegre e em seguida treinou o Esporte Clube Pelotas, no período compreendido entre 1965 e 1966.

Em 1968 comandou o Sport Club Internacional, até ser substituído por Daltro Menezes. Só voltou ao cenário do futebol em 1976, ao assinar novamente com o Grêmio, uma passagem sem o mesmo brilho da anterior.

Seu nome está perpetuado nos livros de história do tricolor gaúcho. Até hoje é o técnico recordista de participações com 378 jogos.

Oswaldo Azzarini Rolla, que ainda fez sucesso como comentarista de rádio, faleceu em Porto Alegre, no dia 27 de outubro de 1996.

Foto de JB. Scalco. Crédito: revista Placar – 23 de janeiro de 1976.

Em foto da revista Placar (esquerda), Foguinho é um dos dez jogadores que fazem parte da obra do autor Marcelo Ferla, “Os Dez mais do Grêmio”,  uma publicação da Editora Maquinária.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Ari Borges, Cláudio Dienstmann, Divino Fonseca, JB. Scalco, Leandro Behs e Mílton Ivan), revista do Globo, revista do Grêmio, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Panorama Esportivo, campeoesdofutebol.com.br, clicrbs.com.br (por David Coimbra), cruzeiropoa.com.br, ecpelotas.com.br, futebolgaucho.tumblr.com, gazetaesportiva.com, globoesporte.globo.com, gremio.net, historiaecpelotas.blogspot.com.br (por Fred Mendes), Livro: Os Dez mais do Grêmio – Marcelo Ferla – Editora Maquinária, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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