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Jogador dedicado com sobrenome de marca famosa, o lateral esquerdo Ferrari marcou época na inesquecível primeira Academia do Palmeiras, um verdadeiro esquadrão comandado por Dom Ernesto Filpo Nuñez.

Filho de Luís Ferrari e de Rosa Ferrari, Gilberto José Ferrari nasceu na cidade de Campinas (SP), no dia 9 de janeiro de 1937.

Depois de jogar por equipes amadoras da região, o jovem Ferrari foi encaminhado em 1955 aos quadros amadores do Guarani Futebol Clube.

Com 1,70 de altura e 68 quilos, Ferrari atuava pelo lado direito, como lateral ou ainda ponteiro, sendo aos poucos deslocado para corredor esquerdo do gramado, onde se fixou na lateral esquerda.

O Guarani em 1961. Em pé: Nicanor, Ferrari, Ditinho, Hilton, Heraldo e Diogo. Agachados: Paulo Leão, Dorival, Cabrita, Benê e Osvaldo. Crédito: revista do Esporte.

Ferrari estava muito feliz com sua transferência para o Palmeiras. Crédito: revista do Esporte número 213 – 6 de abril de 1963.

Conforme reportagem publicada pela revista do Esporte, seu primeiro contrato como profissional foi assinado no Guarani em 1958, com 3.600 cruzeiros mensais.

Morador do bairro de São Bernardo, em Campinas, Ferrari formou ao lado do goleiro Dimas, Ditinho, Walter, Eraldo e Diogo, uma das linhas defensivas mais regulares do Bugre nos primeiros anos da década de 60.

Apesar de ser um fumante assumido, o que representava mais de uma carteira de cigarros por dia, Ferrari sempre foi um jogador dotado de muita disposição.

Em 1963, por 18 milhões de cruzeiros, seu passe foi negociado com a Sociedade Esportiva Palmeiras, que procurava um substituto depois da séria contusão de Geraldo Scotto.

Conforme divulgado pela revista do Esporte em 6 de abril de 1963, Ferrari assinou por 2 anos e recebeu 1, 5 milhão de luvas. Além do ordenado de 60.000 cruzeiros mensais, o Palmeiras também se comprometeu com o aluguel de um apartamento.

Ferrari no gramado do Maracanã. Crédito: revista Futebol número 33.

De acordo com o site palmeiras.com.br, Ferrari realizou sua primeira partida pelo quadro esmeraldino em 3 de abril de 1963, no empate em 2×2 diante do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.

Enquanto Geraldo Scotto se recuperava, Ferrari foi aos poucos se firmando no time.

Além de Geraldo Scotto e Ferrari, o alviverde também contou naquele período com Vicente Arenari Filho, lateral e zagueiro que mais tarde trabalhou como treinador no próprio Palmeiras.

Com a camisa do Palmeiras, Ferrari disputou ao todo 293 jogos com 171 vitórias, 65 empates, 57 derrotas e 6 gols marcados.

Conquistou o Torneio Rio-São Paulo 1965, Torneio Roberto Gomes Pedrosa 1967, Taça Brasil também em 1967 e o campeonato paulista, nas edições de 1963 e 1966.

Em 1965, sem Ademir da Guia, O Palmeiras venceu a Portuguesa Santista por 2×1 na Vila Belmiro. Em pé: Djalma Santos, Donah, Carabina, Djalma Dias, Zequinha e Ferrari. Agachados: Dario Alegria, Ademar Pantera, Servílio, Dudu e Rinaldo. Crédito: revista Futebol e Outros Esportes número 5. Colaborou claudioaldecir@fasternet.

O lateral esquerdo também participou da histórica partida amistosa realizada no dia 7 de setembro de 1965, quando o Palmeiras representou o Brasil e venceu o Uruguai por 3×0. O confronto fez parte das festividades de inauguração do Estádio do Mineirão.

Ferrari, que também era chamado pelos companheiros de “Bruxa”, disputou a Taça Libertadores da América de 1968. No ano seguinte voltou ao mesmo Guarani, onde permaneceu até 1970.

Em seguida, Ferrari atuou pelo Comercial Futebol Clube de Ribeirão Preto e finalmente pelo Paulista Futebol Clube de Jundiaí, seu último time como jogador profissional.

A saída de Ferrari do Palmeiras rendeu muito falatório no Parque Antártica e boas matérias para os jornais e revistas esportivas.

Em partida contra o Vasco no Maracanã, Ferrari (em destaque) sobe para afastar o perigo da área esmeraldina. Crédito revista Grandes Clubes Brasileiros.

Na reclamação junto ao árbitro, podemos identificar, partindo da esquerda; Dudu com o dedo em riste, Tupãzinho encoberto pelo árbitro, Baldochi, Serginho e Ademir da Guia, encoberto por Ferrari. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva.

Dispensado do elenco palmeirense junto com o atacante Servílio, Ferrari acusou Filpo Nuñez de atitudes de completa indiferença, antes mesmo dos diretores do alviverde comunicarem oficialmente o interesse do Cruzeiro de Belo Horizonte.

Ferrari não procurou saber maiores detalhes sobre o interesse do clube mineiro e deixou claro sua preferência em continuar no futebol paulista.

Em reportagem especial publicada na revista do Esporte número 516, Ferrari disse que os problemas com Dom Filpo começaram algum tempo depois da conquista da Taça Brasil de 1967.

Depois do futebol, Ferrari fixou moradia em Campinas e se aposentou como funcionário público da prefeitura. Gilberto José Ferrari faleceu no dia 15 de julho de 2016.

Figurinha carimbada de Ferrari no Palmeiras. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Do sucesso no Palmeiras ao fim da linha no Paulista de Jundiaí. Crédito: reprodução Jornal A Gazeta Esportiva.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Sérgio Martins), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Futebol, revista Futebol e Outros Esportes, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista Periquito 70, Jornal A Gazeta Esportiva, campeoesdofutebol.com.br, claudioaldecir@fasternet, gazetaesportiva.net, jogadoresdopalmeiras.blogspot.com.br, palmeiras.com.br, site do Milton Neves,  albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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