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Sempre associei o ponteiro-direito Paulo Borges com o saudoso cantor paulista Jair Rodrigues. Uma associação talvez estabelecida pela aparência física, pelo hábito de sempre aparecer sorrindo ou ainda pelo grande sucesso que ambos fizeram em suas carreiras.

Paulo Luís Borges nasceu em Laranjais – município de Itaocara (RJ) – em 24 de dezembro de 1944. Na infância, o gosto pelo futebol chegou depois, já que seu passatempo preferido era caçar passarinhos e pescar.

Conhecido inicialmente pelo apelido de “Laranjeiras”, o sempre agitado Paulo Borges iniciou sua caminhada esportiva no início da década de 1960, como meio-campista nas fileiras amadoras do Bangu Atlético Clube (RJ).

Em 1962 recebeu suas primeiras oportunidades no elenco principal pelo técnico Francisco de Souza Ferreira, o popular Gradim, que primeiramente o escalou na posição de centroavante.

Foi o técnico Elba de Pádua Lima, o famoso Tim, que colocou Paulo Borges para jogar como ponta-direita no transcorrer do campeonato carioca de 1963, quando o time de “Moça Bonita” tinha tudo para conquistar o título mas terminou em terceiro lugar da competição!

Paulo Borges aparece em destaque no time campeão do Torneio Início do campeonato carioca de 1964. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Paulo Borges aparece calibrando o pneu de seu fusquinha. Crédito: revista do Esporte número 369 – 2 de abril de 1966.

Seu primeiro título foi o Torneio Início do certame carioca de 1964. Depois foi vice-campeão carioca nas edições de 1964 e 1965. Em seguida participou da memorável conquista do campeonato carioca de 1966, uma decisão bastante tumultuada contra o Flamengo no Maracanã.

Foi o artilheiro do campeonato carioca de 1966 com 16 gols marcados, feito repetido em 1967, quando chegou aos 13 gols.

Lépido e habilidoso, o jovem ponteiro-direito do Bangu foi lembrado para servir o escrete canarinho no período de preparação para o mundial da Inglaterra em 1966.

Contudo, seu nome não foi relacionado no grupo que embarcou para disputar a Copa do Mundo. Vice-campeão carioca de 1967, Paulo Borges foi considerado o jogador mais caro do Brasil em 1968.

Vivendo um grande momento, o passe de Paulo Borges despertou o interesse de vários clubes. Mas o presidente do Bangu – Euzébio Gonçalves de Andrade e Silva – fixou o preço nas alturas e não abria mão de um centavo sequer!

Partindo da esquerda com o agasalho da Seleção Brasileira; Paulo Borges, Djalma Dias e Garrincha. Crédito: revista O Cruzeiro.

Conhecido inicialmente pelo apelido de “Laranjeiras”, Paulo Borges foi outro grande valor revelado na “fábrica” de craques do Bangu. Crédito: revista do Esporte número 417.

Finalmente em fevereiro de 1968, depois de um enorme trabalho para arrecadar o montante estabelecido de 1 milhão de cruzeiros pelos dirigentes cariocas, o presidente Wadih Helu conseguiu trazer Paulo Borges para o Parque São Jorge.

Nas manchetes, em letras garrafais, os jornais anunciavam a quantia milionária investida no vistoso futebol de uma das maiores revelações do cenário carioca!

Em entrevista publicada nas páginas da revista Placar, Paulo Borges revelou aos leitores como tomou conhecimento de sua transferência para o Corinthians.

O atacante afirmou que tudo foi definido rapidamente pelo dirigente Castor de Andrade, que o surpreendeu enquanto andava de bicicleta pelas ruas de Bangu:

– O seu Castor de Andrade parou o carro e me disse: Vá para casa e troque de roupa. Você vai para o Corinthians… É só por três meses. E me deu em dinheiro vivo 12 milhões de Cruzeiros.

Paulo Borges e Fidélis, grandes valores do Bangu na temporada de 1967. Crédito: revista do Esporte número 453 – 11 de novembro de 1967.

Paulo Borges ao lado do cantor Jerry Adriani. Crédito: revista Melodias.

O jogador carioca descobriu mais tarde que os três meses prometidos por Castor de Andrade não eram exatamente três meses. Foram muitos anos defendendo a camisa do Corinthians!

A contratação de Paulo Borges significou muita esperança para a tão sofrida Fiel Torcida. Sua primeira participação aconteceu em fevereiro de 1968, com uma boa vitória por 3×0 sobre o Juventus na acanhada “Fazendinha”.

Seu primeiro gol – o mais lembrado – foi marcado no dia 6 de março de 1968 no Pacaembu, quando Paulo Borges foi escalado como meia-direita.

Em noite de muita festa, o Corinthians finalmente derrotou o Santos com gols de Paulo Borges e Flávio Minuano. Era o fim de um longo tabu em partidas pelo campeonato paulista!

Produto de uma época em que os dirigentes do Corinthians acreditavam que grandes contratações bastariam para solucionar velhos problemas, o alegre Paulo Borges não suportou o prolongado jejum de títulos.

Flávio Minuano e Paulo Borges no Pacaembu. O fim do tabu de 11 anos sem vitórias do Corinthians sobre o Santos em partidas pelo campeonato paulista. Crédito: revista Placar.

Produto de uma época em que os dirigentes do Corinthians acreditavam que grandes contratações bastariam para solucionar velhos problemas, o alegre Paulo Borges não suportou o prolongado jejum de títulos! Fotos de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar.

O “Risadinha” ou também “Gazela”, em razão das pernas compridas e da grande velocidade, não conseguiu manter uma regularidade no Parque São Jorge e seu futebol entrou em franco declínio.

A mesma torcida, que antes condenou Buião e Garrincha, logo tratou de ajustar sua alça de mira em Paulo Borges. Nas arquibancadas, o clima de insatisfação beirava o volumoso valor pago aos cofres do Bangu.

Campeão do popular Torneio do Povo em 1971, Paulo Borges encerrou assim seu primeiro período no Corinthians, sem no entanto conseguir realizar o sonho do tão esperado título paulista.

Seus números pelo alvinegro do Parque São Jorge apontam 233 partidas com 61 gols marcados. Os registros foram publicados pelo reconhecido Almanaque do Corinthians, do autor Celso Dario Unzelte.

Com o forte interesse do Corinthians pelo consagrado zagueiro Baldochi, os direitos de Paulo Borges foram emprestados em 1971 para o Palmeiras, uma negociação que também envolveu o zagueiro Polaco.

A mesma Fiel Torcida, que antes vibrou com a queda do tabu sobre o Santos, logo tratou de condenar Paulo Borges. Foto de Fernando Pimentel. Crédito: revista Placar.

O sorriso contagiante de Paulo Borges permanecerá para sempre na memória da Fiel Torcida. Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – Série Grandes Perfis.

Paulo Borges continuou nas fileiras do alviverde até 1972, quando foi acusado de indisciplina por permanecer no Rio de Janeiro para visitar os familiares após uma partida contra o América.

O jogador se defendeu alegando que solicitou uma autorização para os membros da comissão técnica. Ao término do empréstimo junto ao Palmeiras, equipe onde realizou apenas 12 partidas, Paulo Borges retornou ao Corinthians.

Emprestado ao Pontagrossense Futebol Clube (PR) em 1973 e depois ao Fast Clube de Manaus (AM) em 1974, o atacante ainda tentou voltar ao mesmo Bangu, mas sua documentação não foi regularizada no prazo.

Encerrou sua carreira profissional em 1975 no Vasco da Gama Esporte Clube de Sergipe. Fora do futebol profissional, Paulo Borges continuou firme no time de estrelas do Milionários, ao lado de grandes craques do passado.

Eternizado na calçada da fama do Corinthians, Paulo Luís Borges faleceu na cidade de São Paulo (SP), em 15 de julho de 2011. Sua alegria contagiante permanecerá para sempre na memória da Fiel Torcida!

A discreta e rápida passagem pelo Palmeiras. Crédito: gazetaesportiva.net.

Depois de passar pelo Fast Clube de Manaus (AM), Paulo Borges ainda tentou voltar ao Bangu, mas sua documentação não foi regularizada no prazo. Fotos de Fernando Pimentel. Crédito: revista Placar – 20 de setembro de 1974.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Albino Castro Filho, Fernando Pimentel, Lemyr Martins, Michel Laurence, Pio Pinheiro e Sebastião Marinho), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte (por Adílson Povil), revista Esporte Ilustrado, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Melodias, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista O Cruzeiro, revista Veja, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal do Brasil, Jornal da Tarde, Jornal dos Sports, acervo.oglobo.globo.com, bangu.net, campeoesdofutebol.com.br, corinthians.com.br, gazetaesportiva.net, site do Milton Neves, Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, Livro: Corinthians – O Time do Povo – André Martinez – Editora Lafonte, Livro: Timão 100 Anos – Celso Dario Unzelte – Editora Gutenberg.

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