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Quem viu não esquece! Um craque acima da média com seu temperamento forte e a constante emotividade em busca da vitória. Meu maior ídolo no futebol!

Roberto Rivellino nasceu em São Paulo (SP) no primeiro dia do mês de janeiro de 1946. 

Foi no futebol de salão do Clube Atlético Indiano e do Esporte Clube Banespa, que o jovem canhoto aprimorou suas fenomenais habilidades com a bola.

A biografia “Sai da Rua Roberto”, escrita por Osvaldo Pascoal Pugliese (Editora Master Book), relata em suas páginas iniciais que Rivellino também gostava das peladas de rua e adorava cantar o clássico “Saudosa Maloca”, lançada em 1955 pelo saudoso Adoniran Barbosa.

Crédito: revista do Esporte.

Crédito: revista do Esporte.

Crédito: revista do Esporte número 457.

Crédito: revista do Esporte número 457.

Dessa mania de cantar o sucesso de Adoniran Barbosa nasceu o apelido de “Maloca”, que carregou durante boa parte de sua adolescência e juventude.

Quando atuava pelo Banespa, em uma final de campeonato contra o Palmeiras, um diretor do time esmeraldino, que assistia ao jogo, ficou impressionado com o futebol do menino e comentou com pessoas ao seu redor:

– Será que esse garoto joga tudo isso no campo também?

O pai de Rivellino, que estava próximo, respondeu que o filho também era bom na grama. No desfecho da conversa, o diretor do Palmeiras ofereceu um cartão para que o garoto fosse treinar no Palestra Itália.

Crédito: revista do Esporte.

Crédito: revista do Esporte.

Com origens italianas na família, ser um jogador do alviverde era um sonho para Rivellino. Apoiado pelo irmão Abílio e pelo pai, um palmeirense “Roxo”, o “Maloca” foi treinar no Palmeiras.

Em seu terceiro treinamento no Palestra Itália, o técnico Mário Travaglini, responsável pelas categorias de base na época, reuniu um grupo de garotos onde Rivellino também se encontrava.

Travaglini disse que eles poderiam colocar o uniforme, mas isso não era nenhuma garantia de que entrariam em campo.

Magoado e ofendido, Rivellino nunca mais voltou ao Palmeiras. E foi através de um diretor do próprio Banespa, amigo de um dirigente do Corinthians, que Rivellino foi recomendado para se apresentar no Parque São Jorge.

Crédito: revista Capricho número 223.

Crédito: revista Capricho número 223.

Em seu primeiro treino, o olhar clínico do técnico José Castelli, o Rato, responsável pelas categorias inferiores, identificou algo de diferente no futebol de Rivellino e imediatamente decretou seu parecer final:

– É garoto, acho que dá para você ficar… Na próxima vez traga retratos 3×4 que vou preparar sua ficha.

Em suas primeiras participações nos coletivos, jogando entre os reservas, ganhou a posição do então titular Sérgio Andonassi, que acabou recuado como volante.

Com o passar do tempo, seu Nicola demonstrava seu incômodo ao ouvir os companheiros o chamarem de “Maloca”: Aqui ninguém vai chamar meu filho de “Maloca” ou qualquer outro apelido. O nome do garoto é Rivellino!

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A gota d’água nesse assunto do apelido aconteceu quando seu Nicola percebeu que os jornalistas também usavam o “Maloca”, argumentando que o nome Rivellino era muito complicado.

O velho Nicola Rivellino, mais do que depressa, respondeu energicamente: 

– Preste atenção nele porque um dia você terá esse nome na ponta da língua e muito bem decorado…

Ai o apelido de “Maloca” foi desaparecendo… Assim nasceu o “Garoto” que posteriormente virou “Garoto do Parque” e depois, finalmente, “Reizinho do Parque”, graças ao técnico Rato, que tinha o hábito de chamá-lo inicialmente de “Garoto”.

Crédito: revista do Esporte número 527.

Crédito: revista do Esporte número 527.

Crédito: revista do Esporte número 561 – 2 de janeiro de 1970.

Crédito: revista do Esporte número 561 – 2 de janeiro de 1970.

Então, Rivellino se transformou numa grande atração das tardes de domingo no Pacaembu, quando desfilava sua classe no time de Aspirantes. Era tão “fora de série” que muitos torcedores faziam questão de ir mais cedo ao estádio.

Ainda usando o número oito em suas costas, encantava pelos lançamentos precisos e pelos dribles com sua canhota, entre eles o consagrado drible “elástico”. Como o próprio Rivellino sempre afirmou, o inventor do “elástico” foi o japonês Sérgio Echigo, que atuou nos Aspirantes com o próprio Riva.

Mesmo com toda cautela do técnico Brandão, existia uma forte corrente por parte de alguns diretores para antecipar sua estréia entre os profissionais.

Em quase onze anos de Corinthians, Rivellino venceu o Torneio Rio São Paulo 1966, Torneio do Povo, Torneio Laudo Natel… No entanto, não conseguiu realizar o sonho de ser campeão paulista.

Até hoje Rivellino confessa ser essa sua maior frustração dentro do futebol.

Crédito: revista Placar - 24 de julho de 1970.

Crédito: revista Placar – 24 de julho de 1970.

Em todo final de temporada sempre surgiam especulações sobre sua saída. No entanto, Riva sempre acabava renovando seu contrato com o Corinthians.

Em janeiro de 1972, foi emprestado pelo Corinthians para participar das festividades de inauguração do estádio Independência (Canindé). Jogando pela Portuguesa de Desportos, Riva marcou um gol de perna direita, fato raro em sua carreira.

Na primeira partida do paulistão de 1974, Rivellino marcou um gol histórico na “Fazendinha”, em uma bola chutada do meio de campo contra o América de São José do Rio Preto, que tinha o distraído e cabeludo goleiro Pirangi.

Ainda naquele campeonato, mostrou seu temperamento forte e determinado em busca da vitória ao agredir o bandeirinha Mário Molina em uma partida contra o Botafogo de Ribeirão Preto, disputada no Parque São Jorge.

Crédito: revista Placar - 10 de abril de 1970.

Crédito: revista Placar – 10 de abril de 1970.

O jogo, que abriu o segundo turno, foi disputado no dia 12 de outubro de 1974 e o Botafogo venceu com um gol solitário (e impedido) de Geraldão, que encobriu o goleiro Ado aos 15 minutos da segunda etapa.

Parcialmente absolvido, o Reizinho pegou apenas um gancho de cinco partidas. A torcida respirou aliviada, enquanto o time seguia em sua preparação na cidade de Águas de Lindóia (SP) para o encontro final contra o Palmeiras.

Após a sofrida derrota para o Palmeiras na final do campeonato paulista, Rivellino foi mais um corintiano desolado ao deixar o estádio do Morumbi em 22 de dezembro de 1974.

De cabeça baixa e usando um boné, não permitiu que ninguém reconhecesse seu bigode inconfundível. Colocou uma mochila nas costas, e caminhou sozinho no meio da multidão. Não sofreu assédio nem foi incomodado quando cruzou a ponte Cidade Jardim na direção de sua casa.

O julgamento de Rivellino em 1974. Crédito: revista Veja.

O julgamento de Rivellino em 1974. Crédito: revista Veja.

No primeiro jogo do segundo turno do campeonato paulista de 1974, Corinthians e Botafogo (SP), jogavam na Fazendinha até Geraldão marcar um gol em duvidosa situação de impedimento. Rivellino irritou-se e chutou o bandeira Mário Molina. A suspensão foi de apenas 5 partidas. Crédito: revista Placar.

No primeiro jogo do segundo turno do campeonato paulista de 1974, Corinthians e Botafogo (SP), jogavam na Fazendinha até Geraldão marcar um gol em duvidosa situação de impedimento. Rivellino irritou-se e chutou o bandeira Mário Molina. A suspensão foi de apenas 5 partidas. Crédito: revista Placar.

Responsabilizado individualmente pela derrota naquela final, o presidente Vicente Matheus, levado pela pressão da torcida e de alguns segmentos da imprensa, acabou negociando Rivellino com o Fluminense pela quantia de 3 milhões de cruzeiros.

O roteiro da transferência começou nos primeiros dias de janeiro de 1975, quando o hábil presidente Francisco Horta tomou conhecimento da indefinição sobre o futuro de Rivellino no Corinthians.

Munido por um sonho de verão, o “gentleman” Horta desembarcou no aeroporto de Congonhas e foi até uma floricultura preparar um buquê de rosas vermelhas com arranjos nas cores do Fluminense.

Então, Horta rumou para o endereço que tinha em mãos e quando chegou foi recebido pela esposa de Rivellino. Se apresentou e depois das formalidades foi informado que Rivellino não demoraria para chegar.

Crédito: revista Placar – Série Grandes Perfis.

Crédito: revista Placar – Série Grandes Perfis.

Ai estou eu, em destaque, grudado no alambrado para ver Rivellino passar. Corinthians 5x0 América S. José do Rio Preto. Partida disputada em 4 de agosto de 1974, na Fazendinha. Crédito: revista Placar - Série Grandes Reportagens.

Ai estou eu, em destaque, grudado no alambrado para ver Rivellino passar. Corinthians 5×0 América S. José do Rio Preto. Partida disputada em 4 de agosto de 1974, na Fazendinha. Crédito: revista Placar – Série Grandes Reportagens.

Horta, conhecedor da força da opinião das esposas sobre os maridos, aproveitou o momento e iniciou sua campanha de “encantamento pelo Fluminense”, com dona Maysa Rivellino. 

Depois de conversar com Roberto Rivellino, Horta, tratou de seguir para o escritório de Vicente Matheus, que no início da conversa, disse ao presidente do Fluminense que na verdade não gostaria de abrir mão do jogador.

Ouvindo isso, dona Maysa prontamente interferiu, dizendo que uma mudança seria providencial para todos os envolvidos.

Matheus percebeu então que não dava mais para segurar Rivellino no Parque São Jorge. Inicialmente, Matheus pediu 8 milhões de cruzeiros e Horta quase caiu duro. No final das contas, o cartola carioca disse que poderia chegar aos 3 milhões. Matheus topou!

Horta voltou ao Rio, pegou um cheque de 300 mil cruzeiros com o empresário Almeida Braga e ofereceu como sinal. O restante do compromisso seria liquidado em 45 dias. Matheus topou novamente… E assim, Rivellino foi apresentado como jogador do Fluminense!

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista do Fluminense – Abril de 1975. 

Crédito: revista do Fluminense – Abril de 1975.

A notícia da transferência, divulgada na sexta feira de 31 de janeiro de 1975, não foi encarada com muita surpresa. No entanto, poucos esperavam que Rivellino fosse se adaptar tão bem ao futebol carioca e tão pouco fosse abrir mão dos 15% que tinha direito na transação.

Sua estréia no Fluminense ficou acertada em duas partidas amistosas contra o Corinthians. A primeira aconteceu no Maracanã, com vitória do Fluminense por 4×1, com três gols anotados por Rivellino, um deles de cabeça.

O estádio do Pacaembu recebeu o segundo encontro, vencido pelo Fluminense por 2×1. Naquele dia, uma faixa que poucos poderiam um dia imaginar foi fixada no tradicional portão de entrada do estádio:

“A FIEL JÁ SE ESQUECEU DO RUINZINHO DO PARQUE”.

Um triste final para um dos maiores ídolos da história do alvinegro. Pelo Corinthians, Rivellino disputou 474 jogos, obtendo 238 vitórias, 136 empates, 100 derrotas e 144 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Corinthians, de autoria de Celso Dario Unzelte.

Crédito: revista Placar - 7 de novembro de 1975.

Crédito: revista Placar – 7 de novembro de 1975.

Crédito: revista Manchete Esportiva.

Crédito: revista Manchete Esportiva.

No Fluminense, Rivellino finalmente encontrou o caminho dos títulos. Conquistou a Taça Guanabara de 1975 e o bicampeonato carioca 1975/76. Era o maestro daquele time montado pelo presidente Horta e que ficou conhecido como “A Máquina”.

Permaneceu nas Laranjeiras até 1978, quando foi negociado com o Al-Hilal Saudi Football Club da Arábia Saudita, onde foi campeão da Copa do Rei e campeão nacional. Em 1981, Rivellino encerrou sua carreira aos 35 anos de idade.

Pela Seleção Brasileira, foi tricampeão mundial em 1970 com atuações memoráveis. Apelidado de “Patada Atômica”, disputou ainda os mundiais de 1974 e de 1978, quando uma contusão o retirou antecipadamente da competição.

Participou da conquista da Taça Independência em 1972 e do Torneio Bicentenário dos Estados Unidos em 1976, mesmo ano da conquista da Copa do Atlântico.

A paixão pelos pássaros. Crédito: revista Placar - 30 de dezembro de 1977.

A paixão pelos pássaros. Crédito: revista Placar – 30 de dezembro de 1977.

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Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, Lemyr Martins, José Maria de Aquino, Michel Laurence e Narciso James), revista do Esporte, revista Veja, revista Manchete Esportiva, revista O Cruzeiro, revista do Fluminense, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Capricho, gazetaesportiva.net, esporte.ig.com.br, esportes.r7.com, topicos.estadao.com.br, rivellinosportcenter.com.br, site do Milton Neves, Livro: Sai da Rua Roberto – Osvaldo Pascoal Pugliese – Editora Master Book, Livro: Timão 100 anos – Celso Dario Unzelte – Editora Gutenberg, Livro: Rivellino – Maurício Noriega – Editora Contexto, soumaisflu.com.br, campeoesdofutebol.com.br, Jornal Folha de São Paulo, Jornal A Gazeta Esportiva, Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte.

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