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Em 16 de abril de 1971, a revista Placar publicou a matéria intitulada “O Homem de 30”, com vários jogadores que chegavam ao limite de idade considerado arriscado para renovar contrato.

Antes da costumeira fotografia para o artigo da revista, Nélson Coruja fez questão de alertar o fotógrafo Lemyr Martins:

– “Não publique que já passei dos 30 anos. Se isso acontecer só vou encontrar time para jogar de Jundiaí para cima”.

Em processo de recuperação de uma antiga contusão, Nelson Coruja revelou que um determinado dirigente o alertou para voltar depressa aos gramados: “Sabe como é Nélson, você já está na casa dos 30 e ainda continua machucado? Logo os homens vão procurar um substituto”.

Naquela época, essa situação era um tanto comum no mundo da bola. Hoje, com o avanço na medicina esportiva, o cenário mudou um pouco, mas ainda continua fabricando seus fantasmas!

Bons tempos na Lusa. Partindo da esquerda; Nardo, Felix e Nélson Coruja. Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 194 – Outubro de 1961.

Em 12 de outubro de 1969, o Palmeiras venceu o Santos por 2×1 no Pacaembu, compromisso válido pelo campeonato nacional. Partindo da esquerda; Nélson Coruja, Luís Pereira e o goleiro Leão. Crédito: revista do Esporte número 559 – 22 de novembro de 1969.

Mais conhecido como “Nelson Coruja”, Nélson Alves Moreno nasceu na cidade de São Paulo (SP), em 7 de março de 1940. (*) Não foram encontrados registros sobre a origem do apelido “Coruja”.

Depois de perambular por equipes do futebol amador, Nélson Coruja foi encaminhado aos quadros de base da Associação Portuguesa de Desportos em 1956.

Também aproveitado como lateral-direito, Nélson Coruja recebeu suas primeiras oportunidades no time principal da Portuguesa em 1959.

Ainda em 1959 jogou ao lado de Pelé no selecionado das Forças Armadas, a forte equipe que conquistou o Torneio Sul-Americano da categoria. Depois, Nélson Coruja e Pelé seguiram em lados opostos durante muito tempo.

Foi na Portuguesa que Nélson Coruja firmou seu primeiro compromisso profissional. Ganhou experiência ao lado de Ditão e outros grandes valores daquele período.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

O Palmeiras no gramado do Morumbi. Em pé: Neves, Nélson, Dudu, Dé, Luís Pereira e Neuri. Agachados: Copeu, Jaime, César, Ademir da Guia e Pio. Crédito: revista Placar – 1 de maio de 1970.

Sua primeira passagem pela Sociedade Esportiva Palmeiras aconteceu entre 1963 e 1965, ano em que participou do elenco que conquistou o Torneio Rio-São Paulo.

Com a forte concorrência no alviverde, Nélson Coruja foi emprestado ao América Futebol Clube da cidade de São José do Rio Preto (SP).

No América, Nélson Coruja viveu bons momentos ao lado do goleiro Reis e do massagista Antônio Sutto, o Tio Nico; companheiros de incontáveis pescarias nos rios da região de São José do Rio Preto.

Continuou nas fileiras do América de São José do Rio Preto até 1968, quando teve uma rápida passagem pelo Clube Náutico Capibaribe (PE), inclusive participando da campanha do título pernambucano de 1968.

Mais experiente, o zagueiro voltou ao Palmeiras e formou ao lado de Baldochi uma linha de zaga que deixou saudades.

Defesa do Palmeiras em 1970. Partindo da esquerda; Eurico, Nélson, Baldochi e Dé. Crédito: revista Placar – 30 de outubro de 1970.

Partindo da esquerda; Eurico, Leão e Nélson. Crédito: revista Placar – 4 de dezembro de 1970.

Nélson Coruja jogava um futebol sério e de poucas firulas. Nunca foi considerado um jogador clássico, embora de grande utilidade no esquema de vários treinadores com quem trabalhou.

Em 1969 conquistou o Torneio Roberto Gomes Pedrosa e cruzou o Atlântico para ser campeão do Troféu Ramón de Carranza, na Espanha.

Abaixo, uma das importantes participações de Nélson Coruja no Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1969:

2 de novembro de 1969 – Torneio Roberto Gomes Pedrosa – Atlético Mineiro 0x1 Palmeiras – Estádio do Mineirão – Árbitro: Armando Marques – Gol: César Lemos aos 2’ do segundo tempo.

Atlético Mineiro: Careca; Humberto Monteiro, Vânder, Normandes e Cincunegui; Vanderlei Paiva e Oldair; Ronaldo, Dario, Lola (Vaguinho) e Tião. Técnico: Yustrich. Palmeiras: Leão; Eurico, Baldochi, Nélson e Zeca; Dudu e Ademir da Guia; César (Pio), Jaime, Cardoso e Edu. Técnico: Rubens Minelli.

Nélson Coruja em ação contra o Fluminense no Morumbi, compromisso válido pela Taça de Prata de 1970. Crédito: revista Placar.

Nélson Coruja participou também da campanha do vice-campeonato paulista de 1971. Na partida decisiva em 27 de junho de 1971, Nélson Coruja não foi escalado pelo técnico Rubens Minelli, que formou o miolo de zaga com Luís Pereira e Minuca.

O alviverde foi derrotado pelo São Paulo por 1×0, gol marcado por Toninho Guerreiro. Naquela oportunidade, o árbitro Armando Marques anulou um gol legítimo do atacante Leivinha.

O zagueiro permaneceu no Palmeiras até o findar da temporada de 1971. Ao todo foram 183 participações com 98 vitórias, 51 empates, 34 derrotas e apenas 1 gol marcado.

Os registros fazem parte do conceituado Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Conforme divulgado pelo site do Milton Neves, Nélson Coruja está aposentado e reside atualmente na cidade de Mairiporã (SP).

Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 16 de abril de 1971.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão e Lemyr Martins), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, america-rp.com.br (por Edwellington Villa), campeoesdofutebol.com.br, gazeta esportiva.net, palmeiras.com.br, site do Milton Neves, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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