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Foi uma rica e longa experiência.

Enquanto viveu do futebol, Lanzoninho sempre foi um profissional intenso e dedicado.

Jogador respeitado, Lanzoninho foi também um treinador de muito sucesso, principalmente nas inúmeras oportunidades em que comandou o Coritiba.

Mesmo com os alicerces de sua carreira erguidos no futebol paranaense, Lanzoninho brilhou no cenário paulista, sendo um dos poucos que ao longo da história defendeu os três times do chamado “Trio de Ferro” paulistano.

João Lanzone Neto, mais conhecido nos meios esportivos como Lanzoninho, nasceu na cidade de Curitiba (PR), em 22 de agosto de 1930.

Crédito: revista Manchete Esportiva número 163.

Em 25 janeiro de 1957, o primeiro jogo treino no gramado do Morumbi. Na foto, Lanzoninho ao lado do diretor da Gazeta Esportiva, Carlos Joel Nelli. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Lanzoninho começou sua trajetória na segunda metade dos anos 40, pelo Água Verde (PR). No findar de 1948 chegou aos Aspirantes do Coritiba Foot Ball Club.

A calvície, evidenciada desde sua tenra juventude, sempre foi um sinal de maturidade com o couro nos pés.

Irmão dos jogadores Neno e Lanzoni, o rápido ponteiro direito Lanzoninho, que também atuava pela meia cancha, fez sua primeira partida pelo Coritiba na disputa da Taça Cidade de Curitiba, em fevereiro de 1949.

Sua despedida do Alto da Glória aconteceu em 21 de janeiro de 1951, no empate em 2×2 com o Ferroviário, partida válida pela última rodada do campeonato paranaense de 1950.

Em março de 1951 seu passe foi negociado com a Associação Atlética Ponte Preta. Permaneceu na cidade de Campinas até 1953, quando acertou suas bases pela primeira vez com o São Paulo Futebol Clube.

Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 68 – Julho de 1956.

E foi no time do Morumbi que Lanzoninho viveu seu período mais produtivo e itinerante.

Na temporada de 1954 foi cedido por empréstimo ao Esporte Clube Noroeste de Bauru, onde jogou ao lado do grande ponteiro Colombo (ex-Corinthians).

Passou também pela Associação Atlética Portuguesa Santista, antes de retornar ao tricolor na temporada de 1955. Jogou pelo São Paulo até 1957, ano em que foi fazer história no futebol pernambucano pelo Santa Cruz.

Depois da conquista do título pernambucano de 1957, Lanzoninho passou rapidamente pelo Coritiba e em seguida desembarcou mais uma vez no time do Morumbi.

Os números totais de Lanzoninho com a camisa do São Paulo somam 144 participações com 52 gols marcados.

Crédito: revista do Esporte número 791.

Lanzoninho chegou ao Corinthians para provar que careca não é velhice. Crédito: revista do Esporte número 791.

Sua próxima parada foi o Clube Atlético Juventus em 1959. No time da Rua Javari, Lanzoninho participou da famosa partida contra o Santos, em 2 de agosto de 1959, quando Pelé marcou o gol mais bonito de sua carreira.

Apesar da beleza do lance, as imagens da jogada se perderam no tempo. Com base em depoimentos dos jogadores que participaram da partida, o lance foi reproduzido em computação gráfica e faz parte do Documentário “Pelé Eterno”.

Abaixo, os registros do histórico confronto que originou o reconhecido Documentário:

2 de agosto de 1959 – Campeonato Paulista – Santos 4×0 Juventus – Estádio Conde Rodolfo Crespi (Rua Javari) – Árbitro: Sebastião Mairinques – Gols: Pelé aos 23′, 53′ e 87′ e Dorval aos 72′.

Santos: Manga; Pavão e Mourão; Formiga, Ramiro e Zito; Dorval, Jair Rosa Pinto, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula. Juventus: Mão de Onça; Julinho e Homero; Lima, Clóvis e Pando; Lanzoninho, Zeola, Buzzone, Cassio e Rodrigues.

Lanzoninho também jogou pelo Juventus. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 206.

Foto de Sérgio Sade. Crédito: revista Placar -18 de janeiro de 1974.

Depois do Juventus, o já experiente Lanzoninho foi contratado pelo Sport Club Corinthians Paulista em 1960.

Questionado pela revista do Esporte se pretendia encerrar sua carreira como jogador no time do Parque São Jorge, Lanzoninho foi breve:

– Que nada, estou em ótima forma. Se um dia o Corinthians não me quiser mais vou continuar em outro clube por mais alguns anos.

Pelo Corinthians foram 54 partidas disputadas e 17 gols marcados. Depois, Lanzoninho defendeu ainda o Independiente (Argentina), Palmeiras (SP), Sport Recife (PE), Sport Boys (Peru), Britânia (PR), Tupy (SC) e o Milionários (Colômbia).

A jornada como treinador foi iniciada no Coritiba. Depois de trabalhar nas categorias amadoras do clube, o bom careca assumiu o time principal e escreveu uma rica história de conquistas.

Foto de Sérgio Sade. Crédito: revista Placar – 18 de janeiro de 1974.

Tim sai na bronca com os cartolas do Coritiba e deseja boa sorte para Lanzoninho. Foto de Sérgio Sade. Crédito: revista Placar – 18 de janeiro de 1974.

Além do Coritiba, Lanzoninho trabalhou no Vitória (BA), Ferroviário (CE), Goiânia (GO), Santa Cruz (PE), Atlético Paranaense (PR) e o XV de Jaú (SP).

Mas foi na direção do Coritiba que Lanzoninho obteve seu melhor desempenho como treinador. Várias vezes campeão paranaense, Lanzoninho foi o nono treinador que mais vezes comandou o time “Coxa Branca”.

Nos últimos anos de vida se afastou do futebol e fixou residência em Matinhos (PR), cidade praiana localizada no Paraná.

João Lanzone Neto faleceu no dia 13 de setembro de 2014, em Matinhos, vitimado por um acidente vascular cerebral.

Lanzoninho quando treinou o Santa Cruz. Foto de Armando Filho. Crédito: revista Placar -18 de outubro de 1974.

Foto de Sérgio Sade. Crédito: revista Placar – 21 de outubro de 1977.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Armando Filho, Hélio Teixeira, Lenivaldo Aragão, Milton Ivan e Sérgio Sade), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Corinthians, revista do Esporte, revista Manchete Esportiva, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal Mundo Esportivo, campeoesdofutebol.com.br, coritiba.com.br, gazetadopovo.com.br, historiadordofutebol.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), scratchcorinthiano.blogspot.com.br.

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