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Durante muitos anos, o mascote do Clube de Regatas do Flamengo (RJ) foi o Marinheiro Popeye, um simpático personagem dos desenhos animados e quadrinhos.

Criado na década de 1920 pelo famoso cartunista americano Elzie Crisler Segar, o Marinheiro Popeye foi adotado pelo time da Gávea por representar coragem e força. Além disso, o Flamengo também tinha tradição nos esportes aquáticos, principalmente o Remo.

Bem longe do Rio de Janeiro, o pequeno e inquieto menino Valentino insistia em desenhar o personagem Popeye. Os traços, no começo imperfeitos, aos poucos foram ganhando uma forma bem mais acabada!

E de tanto rabiscar aquela figura, seus coleguinhas de grupo escolar, que não sabiam falar corretamente o nome do personagem, o chamavam erradamente de “Pompéia”.

Conhecido como Pompéia, Ponte Aérea ou também como “Constellation”, José Valentino da Silva nasceu na cidade de Itajubá (MG), em 27 de setembro de 1934.

Em 1954, o América contratou Pompéia e seus “vôos espetaculares”. Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Paralelo ao prazer pelo desenho, a enorme facilidade para saltos espetaculares começou de forma precoce e quase foi interrompido. Foi quando seu Joaquim Valentino descobriu que o filho estava trabalhando no Circo Bandeirantes, como um humilde varredor de serragem.

Sem concordar com o que julgava ser uma exploração, o pai de José Valentino decidiu terminar de vez com o sonho do garoto de um dia ser um reconhecido trapezista!

Então, o pequeno José Valentino percebeu que não poderia mais se divertir em cima da cama elástica. Mas, o sonho continuou de outra forma, momento em que o futebol apareceu em sua vida!

José Valentino, que já era conhecido pelos amigos como Pompéia, começou sua trajetória nos gramados jogando como centroavante no time que tinha o mesmo nome da cidade. Naqueles tempos, o Itajubá disputava os compromissos da segunda divisão do futebol mineiro.

Posteriormente, o apenas limitado atacante Pompéia foi defender o time amador do São Paulo, da mesma localidade.

O “Marinheiro Popeye” aparece em caixa de fósforos da década de 1950. O personagem foi adotado como o mascote oficial do Flamengo, um símbolo de força e coragem!

Clássica formação do América no Maracanã. Em pé: Rubens, Pompéia, Édson, Ivan, Agnelo e Hélio. Agachados: Canário, Romeiro, Leônidas da Selva, Alarcon e Alvinho. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Em uma partida na cidade de Três Pontas (MG), o goleiro titular adoeceu. Sem muitas alternativas, o treinador olhou para o considerável tamanho de Pompéia e não teve mais dúvidas.

Foi uma grata surpresa! Com um desempenho acima do esperado, Pompéia não voltou mais para sua posição de centroavante e esqueceu o número 9 para sempre.

A fama avançou rapidamente, inclusive no cenário paulista, com representantes de várias equipes observando de perto o novo talento que despontava.

Mas Pompéia estava irredutível: Só deixaria a cidade de Itajubá para jogar no futebol carioca, onde o marinheiro Popeye representava o Flamengo.

Em 1953 o Bonsucesso Futebol Clube (RJ) foi jogar em Itajubá. O árbitro, que também acompanhava o quadro carioca como integrante da comissão técnica, não poupou elogios aos saltos incríveis do promissor guarda-metas mineiro.

Uma curiosidade de sua marcante carreira era o fato de que Pompéia não conseguia decorar o nome de boa parte de seus companheiros. Crédito: revista do Esporte número 65.

Terminado o jogo, um dirigente do Bonsucesso convidou Pompéia para jogar pelo “Rubro-Anil”. Assim, no início do mês de abril de 1953, o aventureiro Pompéia arrumou suas malas e partiu para os encantos da “Cidade Maravilhosa”.

Alfinete, seu primeiro treinador no Bonsucesso, costumava levar Pompéia para assistir aos grandes clássicos disputados no Maracanã.

E Pompéia, maravilhado, dividia os olhares entre a imponente arquitetura do estádio e o desempenho dos goleiros Barbosa e Castilho, os maiores da posição naquele período!

Em 1954, o América (RJ) contratou Pompéia e seus “vôos espetaculares”. Brigando inicialmente pela posição com Osni do Amparo e posteriormente com Ari, Pompéia marcou época e conquistou notoriedade.

Sem perder muito tempo, o locutor esportivo Waldir Amaral tratou de apelidar Pompéia como o goleiro “Ponte Aérea”. Empolgado, o respeitado radialista logo emendou outro apelido: “Constellation”, uma referência aos voos da ponte aérea Rio-São Paulo, que operavam com o lendário avião Lockheed Constellation.

Pompéia segura mais uma agressiva investida do ataque do Botafogo. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 74 – 1956.

Empolgado com suas defesas acrobáticas, o locutor esportivo Waldir Amaral logo tratou de apelidar Pompéia como o goleiro “Ponte Aérea”. Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 118 – 1958.

Depois do vice-campeonato carioca nas edições de 1954 e 1955, Pompéia escreveu definitivamente seu nome na história do clube com o título de 1960, chegando também com méritos ao escrete canarinho.

Uma curiosidade de sua marcante carreira era o fato de que Pompéia sempre foi um péssimo fisionomista e, por esse motivo, não conseguia decorar o nome de boa parte de seus companheiros.

Em uma participação pela Seleção Brasileira, Pompéia tentava com enorme dificuldade orientar o posicionamento da defesa antes de um escanteio. Sem lembrar o nome dos colegas de equipe, o goleiro adotou o que considerou como uma prática segura:

– Ei número 6, orienta o número 4 para fazer a marcação no primeiro pau!

Os referidos eram nada menos do que os já veteranos e bicampeões mundiais Nilton Santos e Djalma Santos, figuras conhecidas em qualquer parte do mundo!

Estupenda foto de Pompéia publicada em anúncio da equipe de esportes da Rádio Globo. Crédito: revista do Esporte.

Pelé e Pompéia. Crédito: revista do Esporte número 148 – Janeiro 1962.

Pompéia defendeu o América por 11 anos, que somente foram interrompidos quando jogou por empréstimo pelo Botafogo Futebol Clube de Ribeirão Preto (SP).

Depois do América, Pompéia jogou no futebol venezuelano defendendo o Deportivo Itália e depois o Deportivo Português, onde foi campeão nacional em 1967.

Em 1969 um acidente em uma partida entre Deportivo Português e Real Madrid tirou sua visão esquerda e o afastou definitivamente dos gramados.

Algumas fontes registram ainda passagens pelo Futebol Clube do Porto de Portugal e pelo Galícia da Venezuela.

Vagando pelas ruas do Rio de Janeiro, Pompéia se entregou ao vício álcool, até reencontrar o ex-companheiro Amaro, que o levou para treinar os goleiros do Bonsucesso (RJ). José Valentino da Silva faleceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 18 de maio de 1996.

Pompéia era acima de tudo um artista! Fotos de Fernando Pimentel. Crédito: revista Placar – 5 de janeiro de 1973.

Totalmente entregue ao vício álcool, Pompéia aceitou um convite oportuno do ex-companheiro Amaro e foi treinar os goleiros do Bonsucesso (RJ). Foto de Fernando Pimentel. Crédito: revista Placar – 5 de janeiro de 1973.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Aristélio Andrade, Fernando Pimentel e Teixeira Heizer), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada (por Sérgio Barbosa), revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista Manchete Esportiva, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, Jornal Última Hora, agenciaoglobo.com.br, campeoesdofutebol.com.br, site do Milton Neves.

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