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Durante muitos anos o mascote do Clube de Regatas do Flamengo foi o marinheiro Popeye, um simpático personagem dos desenhos animados.

Criado na década de 20 pelo cartunista americano Elzie Crisler Segar, o marinheiro Popeye foi adotado no time da Gávea por representar força e coragem. Além disso, o Flamengo também tinha tradição nos esportes aquáticos, principalmente no remo.

Bem longe do Rio de Janeiro, o pequeno Valentino insistia em desenhar o personagem Popeye. Os traços, no começo imperfeitos, aos poucos foram ganhando uma forma bem mais acabada.

E de tanto rabiscar aquela figura, seus coleguinhas de grupo escolar, que não sabiam pronunciar corretamente o nome do famoso marinheiro, o chamavam de Pompéia.

O marinheiro Popeye – Força e coragem!

Pompéia, uma legenda na meta do América. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

José Valentino da Silva, o famoso goleiro Pompéia ou ainda o goleiro “Ponte Aérea” ou também “Constellation”,  nasceu na cidade de Itajubá (MG), no dia 27 de setembro de 1934.

O talento para os saltos espetaculares começou de forma precoce e quase foi interrompido. Foi quando o velho Joaquim Valentino descobriu que o filho estava trabalhando no circo Bandeirantes, como um humilde varredor de serragem.

Sem concordar com o que julgava ser uma exploração, o pai de José Valentino decidiu acabar com o sonho do garoto em ser um famoso trapezista.

Então, o pequeno José Valentino percebeu que não poderia mais se divertir em cima da cama elástica. Mas, o prazer de sonhar continuou quando o futebol apareceu em sua vida!

José Valentino, que naquele tempo já era conhecido como Pompéia, começou jogando como centroavante no time que tinha o mesmo nome da cidade. Naquele tempo, o Itajubá disputava a segunda divisão do futebol mineiro.

Pompéia, o arrojado goleiro que saia do chão com muita facilidade. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

Formação do América no Maracanã. Em pé: Rubens, Pompéia, Édson, Ivan, Agnelo e Hélio. Agachados: Canário, Romeiro, Leônidas da Selva, Alarcon e Alvinho.

Posteriormente, o apenas limitado atacante Pompéia foi defender o time amador do São Paulo, da mesma localidade.

Em uma partida na cidade de Três Pontas, o goleiro titular adoeceu. Sem muitas alternativas, o treinador olhou para o considerável tamanho do jovem Pompéia e lhe convenceu para jogar como goleiro naquele dia.

E foi uma grata surpresa! Com um desempenho acima do previsto, Pompéia não voltou mais para sua posição e esqueceu o número 9 para sempre.

A fama ganhou proporções que não eram esperadas e com isso, equipes do futebol paulista foram observar o novo talento que despontava.

O lendário avião Lockheed Constellation. Crédito: caixa do Kit Revell – Plastimodelismo.

Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 118 – 1958.

Mas Pompéia era irredutível: Só deixaria a cidade se fosse para jogar no futebol carioca, onde o marinheiro Popeye representava o Flamengo.

Em 1953 o Bonsucesso foi jogar em Itajubá. O árbitro, que também acompanhava o time carioca, ficou impressionado com os saltos espetaculares do jovem goleiro de Itajubá.

Terminado o jogo, um representante do Bonsucesso convidou Pompéia para jogar no Rio de Janeiro. No início do mês de abril de 1953, o promissor Pompéia arrumou suas malas e partiu para os encantos da “Cidade Maravilhosa”.

Alfinete, seu primeiro técnico no Bonsucesso, costumava levar Pompéia para assistir aos grandes clássicos disputados no Maracanã.

Crédito: revista do Esporte número 65.

E Pompéia, maravilhado, dividia os olhares entre o imponente estádio e o desempenho dos goleiros Barbosa e Castilho, os maiores da posição naquela época!

Em 1954, o América contratou Pompéia e seus “vôos espetaculares”. Sem perder tempo, o locutor esportivo da rádio Globo, Waldir Amaral, tratou de apelidar Pompéia como o goleiro “Ponte Aérea”.

Empolgado com suas defesas acrobáticas, Waldir Amaral logo emendou outro apelido: “Constellation”, uma referência aos voos da ponte aérea Rio-São Paulo, que operavam com o lendário avião Lockheed Constellation.

Depois do vice-campeonato em 1954 e 1955, Pompéia escreveu definitivamente seu nome na história do clube com o título carioca de 1960, chegando com méritos ao escrete nacional.

Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Pompéia sempre foi o titular absoluto da meta americana e poucas vezes cedeu seu lugar para o suplente Ari.

Uma curiosidade em sua marcante carreira era o fato de que Pompéia sempre foi um péssimo fisionomista e, em razão disso, não conseguia decorar o nome de grande parte de seus companheiros.

Em uma partida pela Seleção Brasileira, Pompéia tentava orientar o posicionamento da defesa antes de um escanteio. Sem lembrar o nome dos colegas de equipe, adotou o que considerou uma prática segura:

– Ei número seis, orienta o número quatro para marcar no primeiro pau!

Os referidos “quatro” e “seis” eram nada menos do que os já veteranos e bicampeões mundiais Nilton Santos e Djalma Santos, conhecidos em qualquer lugar do mundo!

Clássica foto de Pompéia publicada em anúncio da equipe de esportes da rádio Globo na revista do Esporte.

Pelé e Pompéia. Crédito: revista do Esporte número 148 – Janeiro 1962.

Pompéia defendeu o América por onze anos, que foram interrompidos apenas pelos oito meses em que jogou por empréstimo pelo Botafogo Futebol Clube de Ribeirão Preto.

Depois do América, Pompéia jogou no futebol venezuelano defendendo o Deportivo Itália e depois o Deportivo Português, onde foi campeão nacional em 1967.

Em 1969 um acidente em uma partida internacional entre Deportivo Português e o famoso Real Madrid, tirou sua visão esquerda e liquidou com sua carreira.

Algumas fontes registram ainda passagens de Pompéia pelo Futebol Clube do Porto de Portugal e pelo Galícia da Venezuela.

Triste pelas ruas do Rio de Janeiro, Pompéia se entregou ao álcool até encontrar Amaro, ex-companheiro do América, que o levou para treinar os goleiros do Bonsucesso. Pompéia faleceu na cidade do Rio de Janeiro, no dia 18 de maio de 1996.

Crédito: revista Placar – 5 de janeiro de 1973.

Crédito: revista Placar – 5 de janeiro de 1973.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Teixeira Heizer), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista Esporte Ilustrado, revista do Esporte, campeoesdofutebol.com.br, esporte.uol.com.br, sosumulas.blogspot.com.br, boemiaenostalgia.blogspot.com, Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora, site do Milton Neves, Revell – Plastimodelismo.

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