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Nem mesmo os protestos inflamados de dona Graciosa adiantavam alguma coisa. O guri não saia de perto do velho rádio quando o seu Fluminense jogava. 

Mágicas narrações misturadas aos alaridos das arquibancadas o faziam sonhar acordado. Era assim que o tempo passava e os afazeres escolares ficavam de lado.

E mesmo que sonhasse alto demais, o pequeno Evaldo jamais poderia imaginar que um dia jogaria ao lado de grandes estrelas; como Altair, Castilho e Pinheiro. 

Filho de Benedito Cruz e Graciosa Cruz, Evaldo Cruz nasceu no município de Campos dos Goytacazes (RJ), em 12 de janeiro de 1945.

Baixinho e bom de bola, sua trajetória foi iniciada no infantil do Americano Futebol Clube (RJ). Aos 16 anos de idade foi lançado no juvenil, onde ganhou destaque rapidamente.

Partindo da esquerda; Zezé Moreira, Carlos Alberto Torres e Evaldo. Crédito: revista do Esporte número 184 – 15 de setembro de 1962.

Valdir e Evaldo. Crédito: revista do Esporte número 194 – 24 de novembro de 1962.

Com 1;65 de altura e 65 quilos, o habilidoso Evaldo ganhou fama e pouco depois foi encaminhado aos quadros amadores do Fluminense por Jorge Pinheiro, irmão do famoso jogador João Carlos Batista Pinheiro.

Conhecido pelos companheiros como “Buda” ou “Porquinho”, Evaldo foi apresentado nas Laranjeiras no findar de 1961, ano em que também assinou o seu primeiro compromisso profissional.

No ano seguinte, seu bom futebol foi aproveitado pelo técnico Zezé Moreira no time principal. A primeira participação aconteceu contra o América no Maracanã e Evaldo não decepcionou!

Vice-campeão carioca de 1963, Evaldo encontrou em Elba de Pádua Lima o conselheiro e amigo que transformou sua maneira de jogar e pensar.

Em grande fase, Evaldo chegou com brilho ao selecionado carioca. Também participou da conquista da medalha de ouro pela Seleção Brasileira nos Jogos Pan-Americanos de 1963.

Partindo da esquerda; Evaldo, Joaquinzinho e Denílson. Crédito: revista do Esporte número 295 – 31 de outubro de 1964.

Evaldo recebe os cuidados do médico Valdir Luz. Crédito: revista do Esporte número 302 – 19 de dezembro de 1964.

No campeonato carioca de 1964, Evaldo estava voando em campo. Depois de um ótimo primeiro turno, o aparecimento de dores no joelho foram aos poucos minando sua resistência em campo.

Avaliados pela equipe do médico Valdir Luz, Evaldo e o companheiro Edinho apresentavam o mesmo quadro clínico no joelho direito. Sem ter mais como adiar o procedimento cirúrgico, Evaldo perdeu praticamente todo o segundo turno.

Em 23 de novembro de 1964, no Hospital Samaritano, Evaldo e Edinho foram operados do menisco interno do joelho direito. Mesmo contente pela grande conquista dos companheiros frente ao sempre perigoso Bangu, o título carioca de 1964 não amenizou o sentimento de frustração! 

Na renovação de contrato com o Fluminense em 1966, Evaldo foi surpreendido com uma oferta que apresentava os mesmos valores do contrato em vigência. Como os dirigentes foram inflexíveis ao diálogo, Evaldo largou tudo e deixou o clube!

Naquele espaço de tempo, enquanto ainda removia o sentimento de decepção, Evaldo recebeu uma proposta do Cruzeiro Esporte Clube (MG), o que o fez partir quase que imediatamente para Belo Horizonte.

Crédito: cruzeiro.com.br.

O Cruzeiro no gramado do Mineirão. Em pé: Zé Carlos, Neco, Darci, Pedro Paulo, Procópio e Raul. Agachados: Natal, Evaldo, Tostão, Dirceu Lopes e Rodrigues. Crédito: revista do Esporte.

Em seus primeiros dias no Cruzeiro, o ainda tímido Evaldo foi recebido pelo técnico Ayrton Moreira, irmão de Zezé e Aymoré Moreira.

Aproveitado inicialmente pela meia-direita, Evaldo foi aos poucos ganhando seu lugar como titular. Era esforçado nos treinamentos e sua alegria contagiava companheiros, dirigentes e torcedores.

Tetracampeão mineiro nas edições de 1966 até 1969, Evaldo participou também da conquista da Taça Brasil de 1966, com vitórias incontestáveis contra o quase imbatível Santos de Pelé.

Ao lado de Dirceu Lopes, Hilton Oliveira, Natal e Tostão; Evaldo formou uma das linhas ofensivas mais famosas do clube ao longo de sua história.

Em 1967 Evaldo participou da excelente campanha do Cruzeiro na Taça Libertadores da América, quando foi o artilheiro da equipe com 6 gols marcados.

O trágico momento da fratura de Evaldo. Crédito: revista Placar – 29 de outubro de 1971.

Foto de Célio Apolinário. Crédito: revista Placar – 29 de outubro de 1971.

Contudo, na tarde de 3 de outubro de 1971 no Mineirão, o Santos novamente cruzou o caminho do atacante. Em uma dividida com o goleiro Cejas, Evaldo fraturou a perna direita em vários lugares.

Apesar do grande trabalho do médico Neylor Lasmar e sua equipe, Evaldo ficou 15 meses em recuperação e só voltou ao futebol na temporada de 1972.

Evaldo jogou ainda pelo Marília Atlético Clube (SP) e depois pelo ESAB Esporte Clube (MG). (*) Algumas fontes apontam ainda um retorno ao mesmo Cruzeiro.

A passagem pelo ESAB foi especialmente marcante pelo reencontro com o público no gramado do Mineirão. Conforme publicado pela revista Placar em 24 de janeiro de 1975, Evaldo queria voltar com um sorriso no rosto, mas o choro foi inevitável.

Encerrou a carreira no futebol venezuelano em 1977. Em seguida, trabalhou como treinador e posteriormente dedicou seu tempo ao comércio de escapamentos para automóveis.

Evaldo no ESAB Esporte Clube. Foto de Célio Apolinário. Crédito: revista Placar – 24 de janeiro de 1975.

Evaldo em sua oficina de escapamentos. Foto de Amâncio Chiodi. Crédito: revista Placar – 28 de abril de 1986.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Amâncio Chiodi, Arthur Ferreira, Célio Apolinário e Zinho Siqueira), revista do Esporte, revista do Fluminense, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista Mineirão – Enciclopédia do Futebol Mineiro, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, almanaquedocruzeiro.blogspot.com.br, bjd.com.br, campeoesdofutebol.com.br, cruzeiro.com.br, fluminense.com.br, mg.superesportes.com.br, site do Milton Neves, Almanaque do Cruzeiro – Henrique Ribeiro, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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