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Flávio passou grande parte de seu tempo fazendo contas para provar que também tinha chegado aos 1000 gols. Em entrevista especial publicada nas páginas da revista Placar, Flávio estava convicto de seu grande feito:

“Na minha cabeça dá 1.046 gols. Não tenho tudo exatamente anotado mas passei dos mil gols faz muito tempo… Sou um dos maiores goleadores da história do futebol brasileiro”.

A identificação do menino Flávio com os encantamentos do mundo da bola foram curiosamente forjados no ambiente religioso, quando aprendeu que todo sonho cobra sua parcela de sacrifício.

Flávio Almeida da Fonseca nasceu em Porto Alegre no dia 9 de setembro de 1944. Antes mesmo de frequentar o grupo escolar, o pequeno Flávio já trocava suas tabelinhas com o “irmão Lino” da Paróquia São Judas, em Porto Alegre.

Os primeiros tempos no Internacional. Crédito: revista do Esporte.

Crédito: revista Placar.

Naquela época existia apenas uma condição para entrar no time do irmão Lino: Era necessário frequentar a missa aos domingos.

A mãe, dona Juventina, que dava um duro danado para criar sozinha os três filhos, não aprovava a fixação do filho com esse tal de jogo de bola.

Aos dez anos de idade o menino foi encaminhado ao estabelecimento da casa do pequeno trabalhador. Bom filho, Flávio ajudava nas despesas da casa tocando saxofone e entregando jornais.

Eram mais de uma centena de exemplares entregues diariamente nas casas da região.

Mas Flávio queria mesmo era ser um grande artilheiro, assim como Ademir Menezes do Vasco, Baltazar do Corinthians ou ainda Adãozinho do Internacional.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 256.

Nos finais de semana jogava pelo Real Madrid, um time do futebol varzeano de Porto Alegre. Com o número 8 nas costas, Flávio já balançava o barbante dos adversários com enorme facilidade.

Até que seu “Girafa”, o respeitado treinador do Real Madrid, se aproximou e disse nos ouvidos do pequeno artilheiro, enquanto este calçava suas surradas chuteiras:

– Meu filho, nesse nosso imenso Brasil os músicos e os entregadores de jornais morrem de fome!

Em 1959 Flávio aceitou os conselhos do seu “Girafa” e tomou o caminho do estádio dos Eucaliptos para tentar a sorte no Internacional. Em seu bolso, um pequeno papel amassado com o nome de Abílio Reis.

Afinal, pouco teria para perder se não fosse aprovado. O pior cenário seria continuar tocando saxofone e entregando jornais.

Crédito: revista do Esporte número 342 – 25 de setembro de 1965.

Iniciado o teste, com 35 minutos de jogo, sua estrela já tinha brilhado por três vezes, uma incrível média de um gol para cada dez minutos de jogo. Foi o suficiente para ser aprovado no Colorado.

Ao lado da mãe, Flávio assinou seu primeiro contrato profissional em 1961. Fez parte do grupo que conquistou o estadual daquele ano. Naquele tempo era conhecido apenas como “Flávio Bicudo”.

Em 1963 o trombador e fazedor de gols Flávio recebeu sua primeira convocação para o escrete nacional, o que continuou acontecendo em boa parte daqueles anos sessenta.

Foi quando surgiu o forte interesse do Corinthians, que contagiado pela fama do centroavante ofereceu 110 milhões de cruzeiros pelo seu passe.

Flávio divide com o goleiro Castilho do Fluminense. Crédito: revista do Esporte número 322 – 1965.

Flávio: Uma boa passagem pelo Corinthians. Crédito: revista Placar – 27 de julho de 1973.

Finalmente em 1964, depois de muitas negociações, o atacante chegou ao Corinthians trazendo muita esperança para os torcedores alvinegros. Era o que faltava no Parque São Jorge para tentar acabar com o incômodo jejum de títulos.

Campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1966, (título dividido entre Corinthians, Santos, Botafogo e Vasco da Gama) Flávio foi convocado pelo técnico Feola para o período de preparação do escrete visando o mundial de 1966.

Artilheiro do campeonato paulista de 1967 com 21 gols marcados, Flávio marcava e também perdia gols com incrível facilidade.

Foi o saudoso narrador Geraldo José de Almeida que o apelidou de “Flávio Minuano”, uma referência ao vento característico da região dos pampas gaúchos.

Flávio e Pelé nos preparativos da Seleção Brasileira para o mundial de 1966. Crédito: revista do Esporte número 329 – 1965.

Em 1968 Flávio entrou definitivamente para os livros de história do clube ao marcar um dos gols (o outro foi de Paulo Borges) que quebraram o histórico tabu de 11 anos sem vitórias contra o Santos em campeonatos paulistas.

Em abril de 1969 Flávio foi negociado com o Fluminense Football Club. Conforme registros publicados pelo Almanaque do Corinthians, de autoria de Celso Dario Unzelte, Flávio marcou 166 gols enquanto defendeu o alvinegro paulista.

No Fluminense, Flávio se transformou em um verdadeiro talismã depois de sua atuação em um dos maiores “Fla x Flu” da história. Flávio marcou um dos gols da sensacional virada por 3×2, garantindo assim o título carioca de 1969.

Além do título carioca de 1969, Flávio também participou de outras importantes conquistas:

– Campeão da Taça Guanabara em 1969 e 1971, Taça de Prata de 1970 e o campeonato carioca de 1971. Nesse período, o centroavante marcou 92 gols em 115 partidas disputadas.

Crédito: revista do Esporte número 529 – Abril de 1969.

Crédito: revista Placar – 7 de agosto de 1970.

Ainda em 1971 Flávio foi negociado com Futebol Clube do Porto (Portugal) por 580 mil cruzeiros. Foram 54 gols nas 90 partidas que disputou até meados do segundo semestre de 1974.

Em julho de 1973 Flávio chegou ao Rio de Janeiro para curtir suas férias. Cansado das invenções do técnico do Porto, Fernando Riera, o atacante queria urgentemente voltar para o Brasil.

Um dos homens fortes nas Laranjeiras, o banqueiro Wilson Xavier, conversou com Flávio e o orientou para cumprir seu contrato com o Porto até o fim.

Enquanto isso, Wilson Xavier tentaria um acordo para tratar do seu retorno ao Fluminense, apesar do interesse manifestado também pelo Vasco da Gama.

Quando finalmente terminou seu vínculo com o time português, Flávio recebeu um convite para voltar ao Internacional e disputar os compromissos finais do campeonato gaúcho e do campeonato brasileiro.

Cromo de Flávio no Fluminense. Álbum de figurinhas Bola de Prata 1971. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Flávio queria deixar o Porto. Crédito: revista Placar – 27 de julho de 1973.

No Grenal decisivo de 1975, Flávio marcou o gol que valeu o hepta-campeonato estadual ao Colorado. Aos 14 minutos da prorrogação, Valdomiro cruzou na área e Flávio aproveitou o rebote do goleiro e marcou o gol do título.

Artilheiro do campeonato brasileiro de 1975, Flávio fez parte do grande time do Inter na conquista de seu primeiro campeonato nacional em 1975.

No segundo semestre de 1976 Flávio foi defender o Esporte Clube Pelotas (RS) e novamente foi o artilheiro do campeonato gaúcho.

O centroavante ainda teve uma curta passagem pelo Santos Futebol Clube em 1977. Jogou também pelo Figueirense, pelo Brasília e pelo Jorge Wilstermann da Bolívia encerrando sua carreira em 1981.

Flávio e Falcão na máquina Colorada dos anos setenta. Crédito: revista Placar.

Flávio e Falcão na máquina Colorada dos anos setenta. Crédito: revista Placar.

Depois da passagem pelo Porto, Flávio sempre foi destaque na revista Placar nos anos setenta.

Depois da passagem pelo Porto, Flávio sempre foi destaque na revista Placar nos anos setenta.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Lemyr Martins, Teixeira Heizer, Divino Fonseca e Raul Quadros), revista do Esporte, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista Manchete Esportiva, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista do Fluminense, fluminense.com.br, gazetaesportiva.net, internacional.com.br, Livro: Timão 100 anos – Celso Dario Unzelte – Editora Gutenberg, Almanaque do Corinthians- Celso Dario Unzelte, albumefigurinhas.no.comunidades.net, site do Milton Neves.

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