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Flávio Almeida da Fonseca, gaúcho de Porto Alegre nascido no dia 9 de setembro de 1944, passou grande parte de sua vida, dentro e fora dos gramados, fazendo contas para comprovar que também tinha chegado na incrível marca dos 1000 gols.

Em entrevista especial publicada nas páginas da revista Placar, Flávio estava convicto de seu grande feito:

“Na minha cabeça dá 1.046 gols. Não tenho tudo exatamente anotado, mas passei dos mil gols faz muito tempo… Sou um dos maiores goleadores da história do futebol brasileiro”.

A identificação do menino Flávio com os encantamentos do mundo da bola foram curiosamente forjados no ambiente religioso, quando aprendeu que todo sonho cobra uma parcela de sacrifício.

Flávio, o segundo agachado partindo da esquerda, neste time do Inter campeão de 1961. Crédito: revista do Esporte.

Flávio, o segundo agachado partindo da esquerda, neste time do Inter campeão de 1961. Crédito: revista do Esporte.

Crédito: revista do Esporte.

Crédito: revista do Esporte.

Antes mesmo de frequentar o grupo escolar, o pequeno Flávio já trocava suas tabelinhas com o “irmão Lino”, da Paróquia de São Judas, na própria cidade de Porto Alegre.

Naquela época, existia apenas uma condição para entrar no time do irmão Lino: Era necessário frequentar a missa aos domingos.

Dona Juventina, a mãe, que dava um duro danado para criar sozinha os três filhos, não gostava muito dessa fixação do filho com esse tal de jogo de bola.

E aos dez anos de idade Flávio foi encaminhado ao estabelecimento da casa do pequeno trabalhador. Na juventude, ajudava nas despesas da casa tocando saxofone e entregando jornais. Eram mais de uma centena de exemplares entregues diariamente nas casas da região.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Flávio: Uma grande esperança no Corinthians. Crédito: revista Placar - 27 de julho de 1973.

Flávio: Uma grande esperança no Corinthians. Crédito: revista Placar – 27 de julho de 1973.

Mas Flávio queria mesmo era ser um artilheiro, assim como Ademir Menezes do Vasco, Baltazar do Corinthians ou ainda Adãozinho, do “Rolo Compressor” do Internacional.

Aos finais de semana, jogava pelo Real Madrid, um time do futebol varzeano de Porto Alegre. Com o número 8 estampado nas costas, Flávio já estufava o barbante dos adversários com grande facilidade.

Até que certo dia, o seu “Girafa”, o respeitado treinador daquele time do Real Madrid, disse nos ouvidos do pequeno artilheiro Flavinho, enquanto este calçava suas surradas chuteiras:

– Meu filho, nesse nosso imenso Brasil os músicos e os entregadores de jornais morrem de fome!

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 256.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 256.

Flávio e Pelé nos preparativos da Seleção Brasileira para o mundial de 1966. Crédito: revista do Esporte número 329 – 1965.

Flávio e Pelé nos preparativos da Seleção Brasileira para o mundial de 1966. Crédito: revista do Esporte número 329 – 1965.

Então, em 1959, Flávio decidiu ir ao lendário estádio dos Eucaliptos para tentar sua sorte nas peneiras do Sport Club Internacional. Seguindo os conselhos do seu “Girafa”, procurou um tal de Abílio Reis e se apresentou.

Afinal, pouco teria para perder se não fosse aprovado. O pior cenário seria continuar tocando saxofone e entregando jornais.

Iniciado o teste, com 35 minutos de jogo, sua estrela já tinha brilhado por três vezes, uma incrível média de um gol para cada dez minutos de jogo.

Ao lado da mãe, assinou seu primeiro contrato profissional em 1961 e fez parte do grupo que conquistou o estadual daquele ano. Naquele tempo era conhecido apenas como “Flávio Bicudo”.

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Crédito: revista do Esporte número 342 – 25 de setembro de 1965.

Crédito: revista do Esporte número 342 – 25 de setembro de 1965.

Em 1963 o trombador e fazedor de gols Flávio, recebeu sua primeira convocação para o escrete nacional, o que continuou acontecendo em boa parte daqueles anos sessenta.

Foi quando surgiu o forte interesse do Corinthians, que contagiado pela fama do centroavante, ofereceu 110 milhões de cruzeiros pelo seu passe.

Para muitos, era o que faltava dentro do Parque São Jorge para acabar com aqueles anos difíceis do jejum.

Finalmente em 1964, depois de muitas negociações, o atacante chegou ao Corinthians trazendo muita esperança para os torcedores alvinegros, que já amargavam dez anos de fila sem um título estadual.

Flávio, em partida contra o Fluminense, divide com o goleiro Castilho pelo alto. Crédito: revista do Esporte número 322 - 1965.

Flávio, em partida contra o Fluminense, divide com o goleiro Castilho pelo alto. Crédito: revista do Esporte número 322 – 1965.

Jogando no Corinthians, Flávio marcava e também perdia gols com uma incrível facilidade. Idolatrado e ao mesmo tempo criticado, o jovem centroavante foi o artilheiro do paulistão de 1967, com 21 gols marcados.

Em 1968 Flávio entrou definitivamente para os livros de história da nação alvinegra quando marcou um dos gols (o outro foi de Paulo Borges) que quebraram o histórico tabu de 11 anos sem vitórias contra o Santos em campeonatos paulistas.

Nessa mesma época, o saudoso narrador Geraldo José de Almeida, o apelidou de “Flávio Minuano”, uma referência ao vento característico da região dos pampas gaúchos.

Tudo corria bem até aquele trágico mês de abril de 1969, quando um acidente automobilístico vitimou o lateral Lidu e o ponta esquerda Eduardo. O acontecimento abateu os ânimos do time que realizava ótima campanha no paulistão.

Crédito: gazetaesportiva.net.

Crédito: gazetaesportiva.net.

Crédito: revista do Esporte.

Crédito: revista do Esporte.

Pouco depois da tragédia que vitimou Lidu e Eduardo, Flávio foi definitivamente negociado com o Fluminense, que já vinha progredindo nas negociações desde o mês de março.

Conforme registros publicados no reconhecido Almanaque do Corinthians, de autoria de Celso Dario Unzelte, Flávio anotou 166 tentos enquanto defendeu o alvinegro paulista.

No Fluminense, Flávio logo se transformou num verdadeiro talismã da torcida tricolor depois de um dos maiores Fla x Flu da história.

O centroavante marcou um dos gols da sensacional virada por 3×2, garantindo assim o título carioca daquele ano de 1969.

Crédito: revista Placar - 7 de agosto de 1970.

Crédito: revista Placar – 7 de agosto de 1970.

Sua passagem vitoriosa pelas Laranjeiras rendeu conquistas significativas, como a Taça de Prata de 1970 e o campeonato carioca de 1971. Nesse período, o centroavante marcou 92 tentos em 115 partidas disputadas.

No final de 1971, Flávio foi negociado com o Porto (Portugal) por 580 mil cruzeiros. Em pouco tempo, conquistou os torcedores lusitanos anotando 54 gols nas 90 partidas que disputou até meados do segundo semestre de 1974.

Nesse meio tempo, em julho de 1973, Flávio voltou ao seu confortável apartamento no Rio de Janeiro.

Estava cansado de ficar em Portugal e queria voltar para o Brasil. Oficialmente, ninguém do Fluminense foi procurar o atacante.

Álbum de figurinhas Bola de Prata 1971. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Álbum de figurinhas Bola de Prata 1971. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista do Esporte número 529 - Abril de 1969.

Crédito: revista do Esporte número 529 – Abril de 1969.

Mas, o banqueiro Wilson Xavier, homem forte no Tricolor das Laranjeiras, conversou com o atacante e o orientou para retornar ao Porto e cumprir o seu contrato até o fim.

Quando finalmente terminou seu vínculo com o Porto e sua situação ficou regularizada para voltar ao futebol brasileiro, Flávio recebeu um convite do Internacional, que já montava sua equipe para o campeonato brasileiro daquele ano.

Sua estréia pelo Inter aconteceu justamente em um Grenal, no mês de julho, quando marcou, já na etapa da prorrogação, o gol que representou o hepta-campeonato ao Colorado.

Crédito: revista Placar - 27 de julho de 1973.

Crédito: revista Placar – 27 de julho de 1973.

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Nos meses seguintes, foi o artilheiro do campeonato brasileiro ajudando o time de Falcão e Manga na conquista de seu primeiro campeonato nacional em 1975.

Em 1977, Flávio foi defender o Pelotas (RS) e voltou a ser o artilheiro do campeonato gaúcho.

O centroavante ainda teve uma curta passagem pelo Santos F.C, também no ano de 1977. Atuou também pelo Figueirense, pelo Brasília e pelo Jorge Wilstermann da Bolívia.

Flávio afirma ter feito aproximadamente 1080 gols durante toda sua carreira. No entanto, os arquivos da revista Placar em conjunto com um levantamento realizado junto de registros oficiais, aponta somente o total documentado de 448 gols.

Flávio e Falcão na máquina colorada dos anos setenta.

Flávio e Falcão na máquina colorada dos anos setenta.

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Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Lemyr Martins, Teixeira Heizer, Divino Fonseca e Raul Quadros), revista do Esporte, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista Manchete Esportiva, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista do Fluminense, fluminense.com.br, gazetaesportiva.net, internacional.com.br, Livro: Timão 100 anos – Celso Dario Unzelte – Editora Gutenberg, Almanaque do Corinthians- Celso Dario Unzelte, albumefigurinhas.no.comunidades.net, site do Milton Neves.

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