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Vivendo do suado trabalho na agricultura, a família Raphael desembarcou na cidade de Araraquara em busca de melhores oportunidades.

Gostaram do lugar e fixaram residência em uma casinha simples, na Rua Voluntários da Pátria, no bairro São José.

Filho de Marcílio Raphael e Mercedes Montagna, Mauro Raphael nasceu em Araraquara no dia 6 de junho de 1933.

O tempo passou, Maurinho cresceu e ficou conhecido por seu trabalho como engraxate no centro da cidade. Entre trabalhar e estudar, o jovem foi aos poucos seduzido pelos encantos da bola, o que causava muita preocupação em dona Mercedes.

Até que em 1945 Maurinho foi encaminhado ao infantil do Paulista Futebol Clube de Araraquara, onde ganhou experiência.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 320 – Terça Feira, 5 de fevereiro de 1952.

Ponteiro direito de origem, o rápido Maurinho participou de uma partida que mudou o rumo de sua vida. Foi em 1948, quando o Palmeiras foi até Araraquara para fazer um amistoso contra o Paulista.

O goleiro esmeraldino era o lendário Oberdan Cattani, que durante o jogo foi três vezes ao fundo das redes para buscar a bola. O autor dos três gols foi o jovem Maurinho, que depois mal conseguiu dormir de tanta emoção.

Entusiasmado com tal façanha e incentivado por amigos, Maurinho foi para São Paulo treinar no Corinthians, mas não foi aprovado.

Maurinho só entrou para mostrar suas qualidades no final do treino e mal teve tempo para tocar na bola. Além disso, teve que suportar algumas piadas dos torcedores: “Ei, garoto você acabou com o treino”.

Crédito: revista do Esporte.

Abatido, Maurinho voltou para Araraquara. Na mesma época, o Guarani de Campinas convidou o zagueiro central Guilherme, do Paulista, para um período de testes.

Inibido, Guilherme pediu para Maurinho ir junto. Depois de um certo tempo, Guilherme desistiu e Maurinho continuou no Guarani.

Inseguro nos primeiros meses, Maurinho foi aos poucos se soltando e apresentando um futebol de encher os olhos.

Quando o XV de Novembro de Piracicaba tentou levar Maurinho de Campinas, o conselheiro bugrino Amadeu Sirigate entrou na parada e segurou o ponta direita, que assinou seu primeiro contrato profissional em 1951.

Maurinho disputou o campeonato paulista e conquistou grande reconhecimento, o que despertou o interesse de grandes clubes no cenário paulista e carioca.

Crédito: revista Manchete Esportiva.

Diante de tanta concorrência, o São Paulo foi mais rápido e contratou o ponta magrinho dono de fintas desconcertantes. Também conhecido como “Flecha”, Maurinho foi apresentado aos torcedores nos primeiros dias de 1952.

Conforme matéria assinada pelo jornalista Odilon C. Brás, no Jornal Mundo Esportivo de 25 de janeiro de 1952, Maurinho recebeu 100.000 cruzeiros no ato da assinatura de um contrato de dois anos, além do salário mensal de 7.000 cruzeiros.

O primeiro grande momento no tricolor foi a conquista do campeonato paulista de 1953.

Com a popularidade em alta, Maurinho foi lembrado no selecionado paulista e também no escrete canarinho. O reconhecimento definitivo foi consolidado com sua convocação para disputar o mundial de 1954.

Ao todo, Maurinho disputou 14 partidas pela Seleção Brasileira e marcou 4 gols. Os números foram publicados pelo livro “Seleção Brasileira 90 anos”, dos autores Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora.

A Seleção Brasileira que em 27 de junho de 1954 foi derrotada pela Hungria por 4×2. Partindo da esquerda; Índio, Didi, Humberto Tozzi, Maurinho, Djalma Santos, Brandãozinho, Nilton Santos, Pinheiro, Julinho Botelho, Castilho e Bauer. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Maurinho só não teve mais chances na Seleção Brasileira porque enfrentou fortes concorrentes na posição, entre eles Cláudio Christóvam de Pinho, Garrincha e Julinho Botelho.

Ainda pelo São Paulo, Maurinho participou da conquista do campeonato paulista de 1957. A partida que decidiu o título, entre São Paulo e Corinthians, ficou registrada nos livros de história como “A tarde das Garrafadas”.

Quando o São Paulo vencia por 2×0, Rafael Chiarella diminuiu para o Corinthians. Então, o alvinegro avançou suas linhas e pressionava bastante pelo gol de empate. O São Paulo, prudentemente, se trancou na defesa para explorar os contra-ataques.

Aos 34 minutos Zizinho lançou em profundidade e encontrou Maurinho bem colocado no campo de ataque. Em velocidade, o ponteiro tricolor passou por Olavo na corrida até encontrar pela frente o goleiro Gylmar dos Santos Neves.

Rápido, Maurinho aplicou uma finta de corpo para o lado esquerdo e cutucou o couro para o barbante alvinegro. O gol deu números finais ao placar de 3×1.

Zezé e Maurinho; “panos quentes” não evitaram o desgaste. Crédito: revista do Esporte número 74 – Agosto de 1960.

Crédito: revista do Esporte número 78 – Setembro de 1960.

Os jornais publicaram que logo após o gol, Maurinho teria provocado o goleiro Gylmar, que enfurecido, tratou de correr atrás do atacante para tomar satisfações.

Enquanto isso, os jogadores do Corinthians protestaram junto ao trio de arbitragem sobre um suposto impedimento no gol que decidiu o jogo.

A festa tão esperada pelos jogadores do São Paulo não aconteceu, já que os torcedores do Corinthians estavam revoltados com o árbitro Alberto Gama Malcher.

No segundo semestre de 1959, Maurinho trocou o tricolor paulista pelo tricolor carioca.

Pelo São Paulo, entre os anos de 1952 e 1959, Maurinho disputou um total de 343 partidas com 203 vitórias, 76 empates, 64 derrotas e 135 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do São Paulo, do autor Alexandre da Costa.

Crédito: revista do Esporte número 101 – 11 de janeiro de 1961.

A matéria da revista confirmou o acerto com o Boca Juniors. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 179 – 1961.

Campeão carioca de 1959 e campeão do Torneio Rio-São Paulo em 1960, Maurinho viveu um período de grande instabilidade nas Laranjeiras após desentendimentos com o técnico Zezé Moreira.

Em entrevista publicada na revista do Esporte, Maurinho revelou que dificilmente permaneceria no Fluminense. Seu desejo era voltar ao futebol paulista!

No entanto, os dirigentes do clube carioca não levaram essa preferência em conta e aceitaram uma proposta do Club Atlético Boca Juniors da Argentina. Apresentado na Bombonera em 1961, Maurinho conquistou o campeonato argentino de 1962.

De volta ao Brasil em 1964, Maurinho acertou com o Club de Regatas Vasco da Gama, onde não permaneceu por muito tempo. Logo em seguida sofreu uma séria contusão no joelho, o que o fez desistir do futebol.

Mauro Raphael faleceu na cidade de São Paulo (SP), em 28 de junho de 1995.

Maurinho no Boca Juniors. Crédito: revista El Gráfico.

Linha de ataque do Vasco da Gama. Em pé: Altamiro, Célio e Lorico. Agachados: Sabará e Maurinho. Crédito: revista do Esporte número 244 – 9 de novembro de 1963.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista El Gráfico, Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora, Jornal Mundo Esportivo (por Odilon C. Brás), cacellain.com.br, ferroviariasa.com.br, museudapessoa.net, museudosesportes.blogspot.com.br, saopaulofc.net, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa, Livro: Seleção Brasileira 90 anos – Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

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