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Cervejas na mesa e cigarros queimando no cinzeiro. Naquela conversa com o saudoso amigo Flávio, carioca e torcedor fanático do Fluminense, lembramos de várias passagens do futebol dos anos setenta.

Falamos de diversos jogadores do passado e em especial sobre o grande time do Fluminense, campeão da Taça de Prata de 1970. Seus olhos brilharam quando recordamos daquela famosa escalação do Tricolor das Laranjeiras:

– Felix; Oliveira, Galhardo, Assis e Marco Antônio; Denílson e Didi; Cafuringa, Cláudio, Mickey e Lula.

E no desenrolar daquele festival de memórias ao lado do amigo Flávio, entramos no assunto da discutida final do campeonato carioca de 1971, entre Fluminense e Botafogo.

O lance polêmico que originou o gol de Lula na final do campeonato carioca de 1971 contra o Botafogo. Marco Antônio empurrou o goleiro Ubirajara?

O lance polêmico que originou o gol de Lula na final do campeonato carioca de 1971 contra o Botafogo. Marco Antônio empurrou o goleiro Ubirajara?

Falar sobre essa polêmica final de 1971 é falar também do gol que decidiu o campeonato em favor do Fluminense, em um lance que envolveu diretamente o goleiro Ubirajara e o sempre elegante lateral esquerdo Marco Antônio.

Marco Antônio foi um dos maiores colecionadores de títulos do futebol brasileiro. Se não esqueci de nenhum, vamos para a considerável lista de conquistas:

– Campeão Carioca em 1969, 71, 73, 75, 77, Taça Guanabara 1969 e 71, Torneio Robertão de 1970 (Taça da Prata 1970), Copa do Mundo 1970, Copa Roca, Taça Independência em 1972, Torneio de Verão 1973, Torneio Bicentenário dos Estados Unidos 1976, Copa Rio Branco 1976, Copa do Atlântico 1976, Copa cidade de Sevilla – Espanha em 1979, Torneio Colombino Huelva – Espanha em 1980 e a concorrida Bola de Prata da revista Placar em 1975.

Marco Antônio Feliciano nasceu no dia 6 de fevereiro de 1951, na cidade de Santos (SP).

Crédito: revista Placar - 14 de dezembro de 1973.

Crédito: revista Placar – 14 de dezembro de 1973.

Crédito: revista Placar - 30 de outubro de 1970.

Crédito: revista Placar – 30 de outubro de 1970.

Um dos cinco filhos de dona Agripina e seu Feliciano, o menino Marco Antônio acordava cedo, pegava sua bicicleta e saia pelo bairro do Macuco, em Santos, apanhando marmitas de casa em casa.

As atividades naquela casa simples, porém espaçosa, da Avenida Rodrigues Alves estavam sempre a todo vapor. Quando Marco retornava com as marmitas vazias era um enorme corre corre para reabastecer.

Em seguida, caminhava Marco Antônio novamente, com suas canelas sujas de óleo entregando refeições quentinhas para os fregueses. Feito o serviço, pedalava para o campo do Paulistano, onde jogava como centroavante ou ponta esquerda.

Em uma dessas partidas pelo Paulistano, Marco Antônio levou uma forte joelhada no rosto e foi parar na Santa Casa.

Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Depois do atendimento, o próprio médico aconselhou seu Feliciano a levar Marco Antônio para fazer um teste na Portuguesa Santista, que na época tinha um treinador conhecido pelo nome de Papa.

Apresentado ao treinador Papa, Marco Antônio começou sua carreira nas categorias amadoras da Portuguesa Santista em meados de 1966.

Pouco tempo depois, em 1968, Marco Antônio  já estava jogando pelo juvenil do Fluminense, orientado pelo exigente técnico Pinheiro.

E foi no Fluminense que Marco ganhou notoriedade. Lançado entre os profissionais em 1969 pelo mestre Telê Santana, Marco Antônio apresentava um futebol elegante de passadas largas e muita habilidade com o couro nos pés.

Marco Antônio e Gerson. Crédito: revista do Fluminense.

Marco Antônio e Gerson. Crédito: revista do Fluminense.

Por estar sempre bem vestido e não ser de muita conversa, era rotulado por alguns torcedores como um cara mascarado.

Na verdade, Marco Antônio era um sujeito tímido e talvez por isso, tenha sido injustamente relegado ao banco de reservas em muitas convocações da Seleção Brasileira.

O lance mais polêmico de sua carreira aconteceu na final do campeonato carioca de 1971 contra o Botafogo no estádio do Maracanã. De forma incontestável, Marco deslocou o goleiro Ubirajara para que o ponteiro esquerdo Lula marcasse o gol que deu o título ao Fluminense.

Até hoje, esse lance é lembrado e discutido por alvinegros, tricolores e até por torcedores de outros clubes.

Partindo da esquerda vemos Marco Antônio, Pelé, o ponteiro Lula (encoberto) e Denílson. Crédito: revista do Fluminense.

Partindo da esquerda vemos Marco Antônio, Pelé, o ponteiro Lula (encoberto) e Denílson. Crédito: revista do Fluminense.

Dono de um futebol arrojado, sempre que podia dava suas “esticadinhas” ao ataque. Jogando pelo tricolor das Laranjeiras, o lateral esquerdo permaneceu até 1976, realizando uma marca considerável de 330 jogos com 29 gols marcados.

Em uma época de grande fartura de craques, Marco Antônio foi suplente nos mundiais de 1970 e 1974.

Na copa do México, uma fisgada na virilha fez com que o Dr. Lídio de Toledo o afastasse da partida de estréia contra os Tchecos. Então, o gremista Everaldo ganhou o posto de titular.

Ainda assim, Marco Antônio substituiu Everaldo no transcorrer da partida contra a Romênia. Também teve boa atuação jogando desde o início contra o selecionado peruano, quando vencemos pela contagem de 4×2.

Álbum de figurinhas Bola de Prata 1971. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Álbum de figurinhas Bola de Prata 1971.
Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

A revista Placar, em sua edição de 3 de março de 1972, mostrava novas e velhas feras do futebol carioca. Vemos o goleiro Andrada, em destaque, Marco Antônio, Jairzinho, Paulo Cesar, Jorge Mendonça, Edu Coimbra e Garrincha, que ainda tentava recuperar um pouco do prestígio perdido ao longo dos anos.

A revista Placar, em sua edição de 3 de março de 1972, mostrava novas e velhas feras do futebol carioca. Vemos o goleiro Andrada, em destaque, Marco Antônio, Jairzinho, Paulo Cesar, Jorge Mendonça, Edu Coimbra e Garrincha, que ainda tentava recuperar um pouco do prestígio perdido ao longo dos anos.

Marco Antônio foi o lateral esquerdo titular da camisa canarinho na conquista da Taça Independência de 1972.

Em 1974 integrou o elenco que disputou o mundial da Alemanha e novamente não foi o titular, perdendo sua posição para o emergente Marinho Chagas.

Marco Antônio chegou ao Vasco da Gama em 1976. Fazia parte da defesa que foi batizada como “Barreira do Inferno” porque raramente era vencida: Orlando Lelé, Abel, Geraldo e Marco Antônio. O técnico daquele time era Orlando Fantoni.

No Vasco da Gama, onde permaneceu até 1980, Marco Antônio teve uma excelente passagem e marcou época no time da Cruz de Malta.

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Crédito: fluminense.com.br.

Crédito: fluminense.com.br.

Em 1979 seu passe interessou ao Palmeiras mas o negócio não vingou. Jogou ainda pelo Bangu (1981 até 1983) e pelo Botafogo (1983 até 1984), antes de encerrar sua carreira profissional.

Mas nem só de títulos e glórias vivia Marco Antônio. O jornalista Marcelo Rezende, na edição da revista Placar de 31 de outubro de 1980, páginas 35, 36 e 37, revelou algumas passagens e particularidades do lateral esquerdo fora dos gramados.

O esbelto e mais bem vestido jogador do futebol carioca, raramente dormia cedo.

Quando o dia amanhecia e o relógio cobrava o horário do treino, Marco Antônio dispunha de sua invejável coleção de óculos escuros para disfarçar os efeitos de suas aventuras pela movimentada noite carioca.

Crédito: revista O Curingão número 246 - Suplemento de Loteria Esportiva - 27 de novembro de 1975.

Crédito: revista O Curingão número 246 – Suplemento de Loteria Esportiva – 27 de novembro de 1975.

A "Barreira do Inferno". Partindo da esquerda; Orlando, Abel, Geraldo e Marco Antônio. Crédito: revista Placar - 23 de fevereiro de 1979.

A “Barreira do Inferno”. Partindo da esquerda; Orlando, Abel, Geraldo e Marco Antônio. Crédito: revista Placar – 23 de fevereiro de 1979.

Fumante inveterado, jogador de cartas e frequentador assíduo do boteco Pavão Azul, na Rua Hilário de Gouveia, em Copacabana, o lateral esquerdo colecionou também alguns insucessos comerciais.

Por confiar demais nas pessoas, quase perdeu boa parte de seu próprio patrimônio.

Não teve sucesso em uma confecção de roupas e depois também perdeu dinheiro em uma locadora de automóveis.

Até hoje, Marco é lembrado principalmente pelos torcedores do Fluminense, que acompanharam de perto o grande período de conquistas do início dos anos setenta.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista Placar – 16 de setembro de 1977.

Crédito: revista Placar – 16 de setembro de 1977.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Teixeira Heizer, Luiz Augusto Chabassus, Raul Quadros e Marcelo Rezende), revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista do Fluminense, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista O Curingão, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, flumania.com.br, fluminense.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net, site do Milton Neves, topicos.estadao.com.br.

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