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Marco Antônio faz parte do livro de ouro das Copas do Mundo. Seu nome está escrito no rol dos campeões mundiais da FIFA. É reconhecidamente um dos maiores colecionadores de títulos do futebol brasileiro:

– Copa do Mundo de 1970, Copa Roca 1971, Taça Independência 1972, Torneio Bicentenário dos Estados Unidos 1976, Copa Rio Branco 1976, Copa do Atlântico 1976, Campeão Carioca em 1969, 1971, 1973, 1975 e 1977, Taça Guanabara 1969 e 1971, Torneio Roberto Gomes Pedrosa 1970, Torneio de Verão 1973, Copa Cidade de Sevilla 1979, Torneio Colombino Huelva 1980 e Bola de Prata da revista Placar em 1975.

Marcante lateral esquerdo de muito sucesso no futebol carioca, Marco Antônio Feliciano nasceu no dia 6 de fevereiro de 1951, na cidade de Santos (SP).

Marco Antônio foi criado em uma casinha simples da Avenida Rodrigues Alves, onde passou boa parte da infância e juventude buscando e entregando marmitas na casa da clientela.

Crédito: revista Placar – 30 de outubro de 1970.

Crédito: revista Placar – 14 de dezembro de 1973.

Um dos cinco filhos de dona Agripina e seu Feliciano, Marco Antônio acordava cedo e pegava sua bicicleta forrada de marmitas.

Saia em disparada pelo bairro do Macuco, na cidade de Santos, sempre controlando o horário para não deixar o trabalho acumular. 

Quando voltava para casa, Marco Antônio esperava pelo reabastecimento das marmitas e rumava novamente para mais uma rodada de refeições quentinhas para os fregueses.

Quando o trabalho terminava, o garoto pedalava para o campo do Paulistano, onde jogava como centroavante ou ponta esquerda. Além do prazer pelo futebol, Marco Antônio também sonhava em ser um Detetive particular.

Em uma dessas partidas pelo Paulistano, Marco Antônio levou uma forte joelhada no rosto e foi parar na Santa Casa.

Álbum de figurinhas Bola de Prata 1971.
Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: topicos.estadao.com.br.

Crédito: topicos.estadao.com.br.

Depois do atendimento, o próprio médico aconselhou seu Feliciano para levar Marco Antônio para fazer um teste na Portuguesa Santista, que na época tinha um treinador conhecido pelo nome de Papa.

Apresentado ao treinador Papa, Marco Antônio começou sua carreira nas categorias amadoras da Portuguesa Santista, em meados de 1966.

Pouco tempo depois, em 1968, Marco Antônio já estava no quadro juvenil do Fluminense Football Club, na época orientado pelo exigente técnico Pinheiro.

E foi jogando no Fluminense que Marco Antônio conquistou notoriedade.

Lançado no elenco principal em 1969 por Telê Santana, Marco Antônio apresentava um futebol elegante de passadas largas e muita habilidade com o couro nos pés.

Partindo da esquerda; Marco Antônio, o goleiro Felix e Galhardo. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Entre tantas partidas decisivas que disputou ao longo da carreira, Marco Antônio ficou marcado na final do campeonato carioca de 1971, quando participou diretamente do gol que decidiu o título em favor do Fluminense.

O lance foi originado em uma disputa de bola pelo alto, entre Marco Antônio e o goleiro Ubirajara do Botafogo.

Nas imagens da época, Marco Antônio aparece deslocando o goleiro Ubirajara. Na sobra, o ponteiro esquerdo Lula marcou o gol que até hoje rende o que falar.

Por estar sempre bem vestido e não ser de muita conversa, Marco Antônio era rotulado como um jogador “mascarado”.

Na verdade, Marco Antônio era um sujeito tímido e talvez por isso seu nome tenha sido relegado ao banco de reservas em muitas convocações da Seleção Brasileira.

Crédito: fluminense.com.br.

Fluminense e Botafogo na final do campeonato carioca de 1971. O lance polêmico que originou o gol de Lula. Marco Antônio é fotografado no momento do choque com o goleiro Ubirajara. Crédito: oglobo.globo.com.

Em uma época de grande fartura de craques, Marco Antônio foi suplente nos mundiais de 1970 e 1974.

Na Copa do Mundo do México, uma fisgada na virilha fez com que o Dr. Lídio de Toledo o afastasse da partida de estreia contra os Tchecos. Então, o gremista Everaldo Marques da Silva ganhou a camisa de titular.

Ainda assim, Marco Antônio substituiu Everaldo no transcorrer do compromisso contra a Romênia. Também teve boa atuação jogando desde o início contra o selecionado peruano, quando vencemos pela contagem de 4×2.

Marco Antônio foi o lateral esquerdo titular da camisa canarinho na conquista da Taça Independência, ou “Minicopa”, em 1972.

A revista Placar de 3 de março de 1972 mostrou novas e velhas feras do futebol carioca. Vemos o goleiro Andrada, em destaque, Marco Antônio, Jairzinho, Paulo Cesar, Jorge Mendonça, Edu Coimbra e Garrincha com a camisa do Olaria, quando ainda tentava recuperar um pouco do prestígio perdido ao longo dos anos.

Em 1974 integrou o elenco que disputou o mundial da Alemanha. Novamente não foi o titular ao perder a posição para o emergente Marinho Chagas.

Dono de um futebol arrojado, sempre que era possível Marco Antônio dava suas “esticadinhas” ao ataque.

No tricolor das Laranjeiras o lateral esquerdo continuou até 1976, com uma marca considerável de 330 jogos disputados e 29 gols marcados.

Marco Antônio chegou ao Club de Regatas Vasco da Gama ainda em 1976. Fez parte da defesa que raramente era vencida e ficou conhecida como “Barreira do Inferno”: Orlando Lelé, Abel, Geraldo e Marco Antônio.

No Vasco da Gama conquistou o título carioca de 1977 e permaneceu até 1980. Foi uma boa passagem pelo time da “Cruz de Malta”.

Marco Antônio e o meio campista Gerson. Crédito: revista do Fluminense número 156 – Maio/Junho de 1972.

Partindo da esquerda; Marco Antônio, Pelé, Lula (encoberto) e Denílson. Crédito: revista do Fluminense número 158 – Setembro/Outubro de 1972.

Em 1979 seu passe interessou aos dirigentes da Sociedade Esportiva Palmeiras, mas o negócio não vingou.

Marco Antônio jogou ainda pelo Bangu Atlético Clube entre 1981 e 1983 e também pelo Botafogo de Futebol e Regatas de 1983 até 1984, antes de encerrar sua carreira como jogador profissional.

Mas nem só de títulos vivia Marco Antônio. O jornalista Marcelo Rezende da revista Placar revelou algumas particularidades do lateral esquerdo fora dos gramados.

A reportagem especial sobre Marco Antônio foi publicada pela revista Placar em 31 de outubro de 1980, nas páginas 35, 36 e 37.

Nas linhas escritas por Marcelo Rezende, os tocedores conheceram um pouco mais do esbelto e mais bem vestido jogador do futebol carioca, que raramente dormia cedo.

Crédito: revista O Curingão número 246 – Suplemento de Loteria Esportiva – 27 de novembro de 1975.

Quando o dia amanhecia e o relógio cobrava pelo horário do treino, Marco Antônio contava com uma invejável coleção de óculos escuros, que usava para encobrir os efeitos de suas aventuras pela movimentada noite carioca.

Fumante inveterado e frequentador assíduo do boteco Pavão Azul, na Rua Hilário de Gouveia, em Copacabana, o lateral esquerdo colecionou alguns insucessos comerciais.

Por confiar demais nas pessoas, quase perdeu boa parte do próprio patrimônio. Não teve sucesso em uma Confecção de Roupas e depois também perdeu dinheiro em uma Locadora de Automóveis.

Até hoje é lembrado principalmente por sua passagem pelo Fluminense, no grande período de conquistas no início dos anos setenta.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista Placar – 16 de setembro de 1977.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Teixeira Heizer, Luiz Augusto Chabassus, Raul Quadros e Marcelo Rezende), revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista do Fluminense, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista O Curingão, gazetaesportiva.net, oglobo.globo.com, globoesporte.globo.com, topicos.estadao.com.br, flumania.com.br, fluminense.com.br, site do Milton Neves, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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