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Noite fria, jogo tenso e decisivo!

Em Rosário, o Brasil enfrentava os donos da casa no caldeirão do Estádio Gigante de Arroyito, pela Copa do Mundo de 1978.

Lá está Chicão com a camisa 21, o mesmo número relativo ao “Blackjack”, um jogo de azar, onde o risco é sempre proporcional ao jogador mais corajoso.

E naquela partida arriscar seria o mesmo que morrer. Assim, o técnico Cláudio Coutinho optou pela coragem e disciplina tática de Chicão.

Nesse “Blackjack”, os argentinos pagaram para ver e se deram mal. Chicão jogou muito naquela verdadeira guerra com uma bola no meio!

Chicão na “Batalha de Rosário”. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 7 de julho de 1978.

Crédito: revista Placar – 26 de outubro de 1979.

Ali, na meia cancha, o “Front” de Batalha alinhou guerreiros de todos os estilos. Chicão enfrentou feras manhosas, como nas provocações constantes de Mário Kempes, ou na luta por espaços frente ao incansável Osvaldo Ardiles.

E seguindo o plano traçado pelo Capitão Cláudio Coutinho, o valente Chicão colocou o atacante Leopoldo Luque e seu “bigodão” para longe da área brasileira. Na guerra dos “bigodes” de Rosário, nosso Chicão levou vantagem.

Abaixo, os registros do jogo que ficou conhecido como “A Batalha de Rosário”:

18 de junho de 1978 – Copa do Mundo de 1978 – Segunda fase – Brasil 0x0 Argentina – Estádio Gigante de Arroyito – Rosário – Árbitro: Karoly Palotai (Hungria) – Assistentes: Erich Linemayr (Áustria), Adolf Prokop (Alemanha Oriental) – Cartão Amarelo: Chicão aos 41; Edinho aos 37; Zico aos 76 e Villa aos 76.

Brasil: Leão; Toninho, Oscar, Amaral, Rodrigues Neto (Edinho); Batista, Chicão, Jorge Mendonça (Zico), Dirceu; Gil, Roberto Dinamite. Técnico: Cláudio Coutinho. Argentina: Fillol; Olguin, Galván, Passarella, Tarantini; Gallego, Ardiles (Villa), Kempes; Bertoni, Luque, Ortiz (Alonso). Técnico: César Luis Menotti.

Chicão com a camisa da Ponte Preta nas arquibancadas do Estádio Moisés Lucarelli. Crédito: revista Placar – 20 de julho de 1973.

Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 7 de dezembro de 1973.

Francisco Jesuíno Avanzi, o “Chicão” como ficou conhecido no mundo da bola, nasceu em 30 de janeiro de 1949 na cidade de Piracicaba (SP).

Chicão foi descoberto no juvenil do Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba pelo técnico Otacílio Pires de Camargo (Cilinho).

Mas, no XV de Piracicaba, a situação de Chicão não era das mais fáceis. Na tentativa de voltar ao grupo especial, o Comendador Umberto D’Abronzo contratou Hidalgo, Joaquinzinho, Eli e outras feras mais.

Chicão só teve chance mesmo quando as estrelas contratadas pelo Comendador não deram o resultado esperado e aos poucos foram saindo.

Crédito: revista Placar – 21 de março de 1975.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Depois de boas passagens pela União Agrícola Barbarense e pelo São Bento de Sorocaba, Chicão chegou em Campinas para jogar pela Associação Atlética Ponte Preta, novamente aos cuidados de Cilinho.

Continuou em Campinas até 1973, ano em que foi contratado pelo São Paulo Futebol Clube. Chicão foi uma indicação de Alfredo Ramos, ex-lateral esquerdo que jogou no São Paulo e no Corinthians nos anos cinquenta.

Antes de sair da Ponte Preta, o presidente Sérgio Abdala fez questão de presentear Chicão com uma boa quantia em dinheiro, já que o jogador não tinha direito aos 15%, comum em negociações dessa natureza.

Dentro do Morumbi, Chicão esbarrou inicialmente no reaparecimento de uma antiga e mal curada contusão no Tendão de Aquiles.

Duelo de gigantes entre Chicão e Caçapava do Corinthians. Crédito: revista Placar.

Mas Chicão foi aos poucos se acertando no São Paulo. Em 1974 recebeu oportunidades no time e não demorou para ganhar espaço no meio campo tricolor.

Disputou bem os compromissos da Taça Libertadores da América e ganhou a confiança do exigente José Poy.

Chicão também protagonizou fatos curiosos; como o cartão amarelo recebido antes do início de uma partida contra o Palmeiras, quando, em tom autoritário, proclamou ao árbitro José de Assis Aragão:

– Vê se apita direito essa porcaria!

Pelo São Paulo, Chicão foi campeão paulista de 1975 e campeão brasileiro de 1977, ocasião em que foi acusado injustamente de pisar propositalmente na perna do meio campista Ângelo do Atlético Mineiro, depois de um carrinho de Neca.

Crédito: revista Placar – 24 de julho de 1981.

Chicão despertou o interesse do Fluminense. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 4 de setembro de 1981.

Chicão sempre foi o grande sonho de consumo do presidente Vicente Matheus. No entanto, nunca foi possível ao volante acertar suas bases contratuais com o alvinegro do Parque São Jorge.

Apesar das críticas sempre carregadas, Chicão nunca foi um jogador violento como pregavam os rivais. Apenas jogava sério e respeitava demais a camisa que defendia. Era um profissional muito dedicado!

– Companheiro meu não fica de cabeça baixa… Dou uma sacudida neles e vamos buscar nossa vitória!

Entre a fama de durão e volante competente, Chicão permaneceu no São Paulo até 1979.

Foram 312 jogos disputados com 142 vitórias, 11 empates, 59 derrotas e 19 gols marcados. Os números fazem parte do Almanaque do São Paulo, do autor Alexandre da Costa.

Chicão não dá espaços para Roberto Dinamite. Crédito: revista Placar.

Em clássico entre Corinthians e Santos, Chicão e Sócrates disputam espaço na meia cancha. Foto de Nico Esteves. Crédito: revista Placar – 6 de novembro de 1981.

Transferido para o Clube Atlético Mineiro, o volante foi vice-campeão brasileiro de 1980 e bicampeão mineiro.

Chicão defendeu ainda o Botafogo Futebol Clube (SP), Corinthians de Presidente Prudente (SP), Santos Futebol Clube (SP) e o Londrina Esporte Clube (PR).

Encerrou a carreira em 1986 no Mogi Mirim Esporte Clube (SP), depois de colaborar com a volta do time ao grupo de elite do futebol paulista. Em 1987 trabalhou como treinador no XV de Piracicaba.

Francisco Jesuíno Avanzi faleceu na madrugada do dia 8 de outubro de 2008, no Hospital Nove de Julho em São Paulo (SP).

Chicão no Mogi Mirim. Foto de Nelson Coelho. Crédito: revista Placar – 29 de novembro de 1985.

Foto de Nelson Coelho. Crédito: revista Placar – 16 de fevereiro de 1987.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Aníbal C. Penna, Dagomir Marquezi, JB Scalco, João Carlos Rodriguez, José Maria de Aquino, Kátia Perin, Lemyr Martins, Marcelo Laguna, Nelson Coelho e Nico Esteves), revista Manchete Esportiva, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, campeoesdofutebol.com.br, topicos.estadao.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), spfcpedia.blogspot.com.br, Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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