Tags

, , ,

Muitas versões procuram reproduzir ao certo os acontecimentos daquele dia em que o garotinho Reinaldo teve seu destino apontado para o Clube Atlético Mineiro. A história foi mais ou menos assim…

Era o feriado de 7 de setembro de 1971 e o juvenil do Atlético Mineiro foi até Ponte Nova para realizar um compromisso amistoso.

O técnico do “Galo” era o conhecido e respeitado Barbatana. Durante o jogo, nas conversas com dirigentes do Pontenovense Futebol Clube, Barbatana soube da existência de um garoto muito talentoso:

–  Você precisa ver o “Kaburé” jogando… O Tostão não chega nem aos pés dele!

Crédito: revista Placar – 30 de abril de 1976.

Na final do campeonato mineiro de 1976, Reinaldo marcou o primeiro gol da vitória por 2×0 sobre o Cruzeiro e faturou seu primeiro título estadual. Crédito: revista Placar – Julho de 1993.

Sentindo algo de especial no ar, Barbatana teve um estalo! Seguiu imediatamente para o endereço da família do suposto jovem talento que tinha apenas 13 anos de idade.

Ao chegar, tomou conhecimento de que o garoto estava assistindo ao desfile da independência.

Mesmo assim, aproveitou para conversar com os pais de Reinaldo. Depois de algum tempo, lá estava o “kaburé”, apelido de Reinaldo, espremido no fusquinha do treinador rumo ao sucesso em Belo Horizonte.

José Reinaldo de Lima nasceu em Ponte Nova (MG), 11 de janeiro de 1957.

Crédito: revista Placar – 2 de dezembro de 1977.

Reinaldo e Dario. Crédito: revista Placar – 17 de novembro de 1978.

Desde pequeno, Reinaldo tinha uma técnica acima do normal, razão pela qual não o deixavam jogar com os garotos de sua idade. Então, o pequeno “Kaburé” jogava com os mais velhos.

Um de seus irmãos queria levá-lo ao Botafogo do Rio de Janeiro. No entanto, foi convencido que o menino ainda era muito novo para enfrentar um desafio em outra cidade.

Naquela época, era comum o time juvenil realizar jogos treinos contra o elenco de profissionais. Foi assim que Reinaldo, sem saber ao certo quem enfrentaria, foi escalado em seu primeiro treino para jogar contra o time principal treinado por Telê Santana.

Ainda sem nenhum tipo de vínculo assinado, Reinaldo desconcertou os experientes Grapete e Vantuir marcando três gols e aplicando fintas desconcertantes. Só não fez chover!

Perplexos, Telê e Barbatana pareciam não acreditar no que assistiam. Para Reinaldo, qualquer metro quadrado era transformado em um latifúndio.

Crédito: revista Placar – 20 de janeiro de 1978.

Tão logo o treino acabou, Barbatana abraçou o garoto e o levou para uma sala da diretoria onde assinou seu primeiro contrato (em branco) profissional.

Em 28 de Janeiro de 1973, com apenas 16 anos de idade, Reinaldo fazia sua primeira partida no time profissional contra o Valeriodoce no estádio do Mineirão.

Naquele mesmo ano, Reinaldo foi eleito pela crônica esportiva como a grande revelação do futebol mineiro. No final da temporada sofreu sua primeira lesão no joelho.

De acordo com relatos do próprio jogador, um buraco no campo foi o responsável pela torção no joelho esquerdo. O resultado foi uma primeira cirurgia com o menisco interno extraído.

Crédito: revista Placar – 31 de março de 1978.

Mesmo não totalmente recuperado, Reinaldo foi lembrado na Seleção Brasileira pela primeira vez em 30 de julho de 1975 contra a Venezuela, em Caracas.

Em Agosto de 1975 outro menisco operado.

Agora porém, Reinaldo poderia ficar gravemente prejudicado em razão da perda das propriedades originais de lubrificação, estabilização e amortecimento oferecida pelos meniscos.

Reinaldo precisava constantemente fortalecer os músculos da coxa para evitar uma sobrecarga nos ossos das pernas, que até poderiam causar uma artrose precoce.

Crédito: revista Manchete Esportiva número 30 – 9 de maio de 1978.

Em 1976 Reinaldo conquistou seu primeiro campeonato mineiro. A essa altura, o centroavante já era um grande ídolo da torcida atleticana e sua fama já se estendia por todo o território nacional.

E o joelho não dava tréguas. Em 6 de novembro de 1976, foi necessária uma nova extração, dessa vez dos dois meniscos externos.

O atacante iniciou então um trabalho de  “cobaltoterapia”, coisa pesada mesmo, além das constantes infiltrações para conseguir jogar.

Reinaldo vivia com o joelho cheio de ataduras e bastava um treino ou mesmo uma única partida, para que os derrames voltassem. E tome infiltrações de cortisona…

Crédito: revista Manchete Esportiva número 31 – 16 de maio de 1978.

Em 1978, na vitória do Atlético por 6×0 contra o América (RN) pelo campeonato brasileiro do mesmo ano, Reinaldo anotou um dos tentos mais belos da história do Mineirão.

Maravilhado, o ex-goleiro atleticano Kafunga, que na época era comentarista esportivo, presenteou o jogador com uma placa de metal fixada no Hall de entrada no estádio do Mineirão.

Vice campeão brasileiro de 1977, Reinaldo foi o artilheiro do certame com a maior média de gols (28 gols em 18 partidas).

Convocado para o mundial de 1978, na Argentina, o centroavante do Atlético era uma grande esperança no time dirigido pelo técnico Cláudio Coutinho.

Na copa Reinaldo atuou somente contra a Suécia (autor do gol de empate) e depois contra os espanhóis no empate dramático por 0x0. Depois do mundial, o martírio pessoal continuou e o craque foi encaminhado para uma nova cirurgia nos Estados Unidos.

Crédito: revista Placar – 9 de maio de 1980.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

De volta ao Brasil, buscou ajuda na religião, na parapsicologia e nas doutrinas espirituais. A essa altura, Reinaldo já demonstrava sinais evidentes que sua carreira seria curta.

É memorável sua participação na partida final do campeonato brasileiro de 1980 entre Atlético Mineiro e Flamengo no estádio do Maracanã. Mesmo visivelmente contundido e se arrastando pelo gramado, foi o autor dos dois gols do Atlético na derrota por 3×2.

Em 1982 Reinaldo foi convocado para o mundial da Espanha. Mais uma vez, os problemas nos joelhos ocasionaram seu corte do elenco.

Vice campeão brasileiro em 1977 e 1980, campeão mineiro nas edições de 1976, 1978, 1979, 1980, 1981, 1982, 1983 e 1985, Reinaldo deixou o Atlético Mineiro em 1985 como o maior artilheiro da história do clube com 255 gols em 475 partidas.

Seu nome faz parte do “Melhor Atlético Mineiro de Todos os Tempos”, eleição realizada pela revista Placar em setembro de 1982: Kafunga, Mexicano, Murilo, Luisinho, Toninho Cerezo, Haroldo, Zé do Monte, Lucas, Reinaldo, Carlyle e Éder.

Crédito: revista Placar – 6 de setembro de 1985.

Crédito: revista Placar – 6 de setembro de 1985.

Com o passe livre nas mãos, Reinaldo foi contratado pela Sociedade Esportiva Palmeiras, não permanecendo por muito tempo no Parque Antártica.

Em seguida, teve passagens discretas pelo Rio Negro do Amazonas e pelo Cruzeiro Esporte Clube, onde jogou apenas em duas oportunidades.

Como uma última tentativa foi atuar fora do país jogando pelo desconhecido BK Häcken da Suécia. Posteriormente, ainda defendeu o SC Telstar da segunda divisão holandesa. E foi lá que Reinaldo encerrou sua brilhante carreira em 1988, aos 31 anos de idade.

Em 1996 o craque envolveu-se no mundo das drogas. Viciado confesso, viveu praticamente durante oito anos na dependência química. Depois de dois anos de tratamento, Reinaldo conseguiu reassumir o controle da própria vida.

Crédito: revista Placar – 11 de agosto de 1986.

Crédito: revista Placar – 8 de setembro de 1986.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Sérgio A. Carvalho, Flávio Seabra, Arthur Ferreira, Hideki Takizawa, Aníbal C. Penna e Nelson Urt), revista Manchete Esportiva, memorianacional.com.br, kigol.com.br, globoesporte.globo.com, gazetaesportiva.net, voudekombi.blogspot.com, webgalo.comze.com, galomineiro.com.br, galoucuravaledoaco.xpg.com.br, rapogalo.blogspot.com, site do Milton Neves, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Anúncios