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Filho do imigrante italiano Francesco Fiume e de dona Estephania Fiume, o paulistano Waldemar Fiume nasceu no dia 12 de outubro de 1922.

Conforme matéria do Jornal Mundo Esportivo em 7 de dezembro de 1951, seu Francesco Fiume sofreu um bocado tentando doutrinar o filho nos estudos.

Para jogar futebol, Waldemar vivia escapando da vigilância severa do pai, que também não poderia prever que um dia o rapazola ficaria conhecido como o “Pai da Bola”.

Quando queria saber onde estava o filho, seu Francesco deixava a tipografia aos cuidados de um empregado e descia até os inúmeros campos de futebol da baixada do Glicério.

E não precisava procurar muito para encontrar o garoto.

Impressora “Frankental” 1940.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 726 – Terça Feira, 8 de março de 1955.

Primeiro, foi o infantil do Santo Alberto Futebol Clube. Depois foi o juvenil de um time chamado Atlas até chegar ao Bangu, uma agremiação que fez bastante sucesso no bairro do Glicério.

E antes mesmo de proclamar o pronto retorno para casa, o velho Fiume repetia um ritual secreto ao filho. Abria um lenço e sentava nos barrancos para assistir um pouquinho da habilidade de Waldemar com o couro nos pés.

Depois, com o avançar das horas, seu Francesco chamava Waldemar e os dois voltavam conversando sobre aquele mesmo assunto dos últimos dias.

Waldemar, de cabeça baixa, apenas ouvia!

O assunto era a nova impressora que seu Francesco tinha comprado com muito sacrifício para sua tipografia. Em meio aos manuais complicados, a única coisa decifrável era o próprio nome do equipamento: “Frankental”.

Fiume na concentração do Palmeiras. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

Os negócios da família até que iam bem, mas Waldemar Fiume ignorava os apelos do pai para aprender os segredos do novo equipamento:

– Você precisa me ajudar… Essa empresa é o que existe hoje de concreto para o nosso futuro… Poucas tipografias tem essa máquina e você só pensa em jogar bola… Tome vergonha rapaz!

No dia seguinte, depois da escola, lá estava o magrinho Waldemar jogando em um dos muitos campinhos do Glicério. E não importava o tipo de partida, fosse casados contra solteiros, ou gordos contra magros, ou ainda, os grandes contra os pequenos.

Em uma dessas jornadas Waldemar Fiume foi observado mais atentamente por Antônio Cavallini, o Canhoto, que já era um meio campista consagrado no Palestra Itália.

E foi o próprio Canhoto que convidou Waldemar para fazer um teste no Parque Antártica.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Waldemar contava então com dezenove anos de idade quando entrou pela primeira vez no Palestra Itália. Treinou duas vezes e o técnico italiano Caetano de Domênico, que não perdia tempo, chamou rapidamente o velho Francesco para assinar o contrato do filho.

Logo depois, em 14 de setembro de 1941, o jovem Waldemar Fiume fazia sua primeira partida como meia direita do Palestra na goleada de 4×0 sobre o Comercial da capital.

Eram dias muito difíceis. O mundo estava em guerra e as letras PI (Palestra Itália) bordadas na camisa, logo foram transformadas em apenas P de Palmeiras.

Mas essa providencial troca das letras no distintivo não era suficiente para evitar maiores problemas. Então, pouco antes da decisão do campeonato paulista de 1942, os diretores decidiram isolar o grupo em uma chácara na cidade de Poá (SP).

Em 20 de setembro de 1942, o ônibus da delegação esmeraldina, já com o nome de Palmeiras, seguiu para o estádio do Pacaembu com uma bandeira nacional na bagagem.

A despedida de Fiume. Crédito: revista Manchete Esportiva número 152 – 18 de outubro de 1958.

A bandeira foi usada para entrar no gramado do Pacaembu. Assim, surgiu o novo campeão paulista, que venceu o São Paulo naquele encontro por 3×1 em mais uma das primorosas atuações de Waldemar Fiume.

Habilidoso no jogo curto, Waldemar Fiume demonstrava claramente dois defeitos: Chutava mal e durante o quarto final das partidas perdia o fôlego, decerto pelo consumo exagerado de cigarros.

O dedicado e polivalente “Pai da Bola”, apelido que demonstra toda sua categoria, envergou o uniforme alviverde em memoráveis conquistas do clube:

– Taça Cidade de São Paulo de 1950 e 1951, Primeira edição da Copa Rio de 1951, Torneio Rio-São Paulo de 1951 e os campeonatos paulistas de 1942, 1944, 1947 e 1950.

Aparência tristonha, calado e sisudo, Waldemar Fiume jamais falou mal de nenhum treinador ou companheiro. Em 17 anos de carreira foi expulso de campo em apenas uma oportunidade diante da Portuguesa de Desportos.

Crédito: revista Placar – 27 de julho de 1979.

Em outubro de 1958, o “Pai da Bola” pendurou suas chuteiras. Posteriormente, Fiume foi homenageado com um busto esculpido pelo artista Ruffo Fanucci nos jardins do Parque Antártica.

Assim como o lendário Nilton Santos do Botafogo, Waldemar Fiume, em toda sua carreira atuou apenas pelo Palmeiras: Foram jogadores de um time só!

Fiume jogou pelo Palmeiras entre os anos de 1941 e 1958. Foram 601 partidas com 337 vitórias, 120 empates, 144 derrotas e 27 gols marcados. Os números fazem parte do Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Depois do futebol, com o falecimento do pai e do único irmão em 1959, Waldemar Fiume assumiu os negócios da família. Seu falecimento ocorreu em 6 de novembro de 1996, em São Paulo (SP).

O busto esculpido pelo artista Ruffo Fanucci nos jardins do Parque Antártica.

O busto esculpido pelo artista Ruffo Fanucci nos jardins do Parque Antártica.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão), revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista Manchete Esportiva, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, gazetaesportiva.net, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal Mundo Esportivo (por Sérgio de Andrade e Odilon C. Brás), Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora, palmeiras.com.br, palestrinos.com.br, forcaverdao.blogspot.com, site do Milton Neves, mlopomoblogesporte.zip.net, reliquiasdofutebol.blogspot.com, lancenet.com.br, fotografia.folha.uol.com.br, memoriafutebol.com.br, museudosesportes.blogspot.com.br, placar.abril.com.br, Folhapress, cbn.globoradio.globo.com, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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