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Pé de Valsa; o dançarino, o bailarino, o driblador…

Um jogador que parece ter sido moldado para fazer sucesso vestindo camisas tricolores ao longo de sua marcante carreira.

Antônio Machado de Oliveira, que ficou conhecido no mundo da bola como “Pé de Valsa”, nasceu na cidade do Rio de janeiro, em primeiro de dezembro de 1924.

Conforme reportagem especial publicada pelo Jornal Mundo Esportivo, em sua edição de 16 de outubro de 1953, Pé de Valsa jogava no time amador do Unidos da Coroa, em Ramos, antes de chegar ao Bonsucesso Futebol Clube no início dos anos quarenta.

Índio, Pé de Valsa e Bigode no Fluminense em 1949. Crédito: albumdosesportes.blogspot.com.br.

Índio, Pé de Valsa e Bigode no Fluminense em 1949. Crédito: albumdosesportes.blogspot.com.br.

Em razão de sua grande habilidade, Pé de Valsa permaneceu por pouco tempo no quadro de Aspirantes e logo foi aproveitado no elenco de profissionais.

Em sua primeira partida no time principal do Bonsucesso, Pé de Valsa precisou ser acalmado pelos companheiros em razão da forte tremedeira que tomou conta de suas pernas ainda no vestiário do Maracanã.

“Fiquei mal, bati castanholas com meus joelhos de tanto tremer”, disse Pé de Valsa ao repórter Solange Bibas do Jornal Mundo Esportivo.

Conhecido inicialmente como Oliveira, Pé de Valsa se tornou profissional em 1943, quando disputou seu primeiro campeonato carioca na posição de médio volante, sendo também aproveitado em algumas oportunidades como zagueiro.

Pé de Valsa, Édson e Jaiminho. Crédito: revista O Globo Sportivo número 657.

Pé de Valsa, Édson e Jaiminho. Crédito: revista O Globo Sportivo número 657.

São Paulo 5x1 Fluminense. Amistoso disputado no estádio do Pacaembu em 1950. Um dos gols do São Paulo foi este, anotado por Ponce de Leon, que aparece chutando contra o goleiro Veludo, enquanto Pé de Valsa (esquerda) acompanha o lance. Crédito: revista Tricolor número 10 - 1950.

São Paulo 5×1 Fluminense. Amistoso disputado no estádio do Pacaembu em 1950. Um dos gols do São Paulo foi este, anotado por Ponce de Leon, que aparece chutando contra o goleiro Veludo, enquanto Pé de Valsa (esquerda) acompanha o lance. Crédito: revista Tricolor número 10 – 1950.

Com passadas longas e rápidas, facilitadas pela composição física esbelta, Pé de Valsa era dotado de grande talento para driblar seus adversários, o que não era muito comum para os jogadores que atuavam naquele setor do gramado.

Por essas característica ganhou de seus companheiros de clube o diferenciado apelido de “Pé de Valsa”, sem contar com os mais irritados, que de tanto lhe pedir a bola, o chamavam de fominha.

Permaneceu na equipe “Rubro-Anil” do Bonsucesso até o final da temporada de 1944 e em seguida foi negociado com o Fluminense Football Club  no início de 1945.

Logo em sua segunda temporada atuando pelo time das Laranjeiras, Pé de Valsa foi campeão carioca de 1946, o que representou uma das maiores emoções de sua vida.

Figurinha de Pé de Valsa no Fluminense. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Figurinha de Pé de Valsa no Fluminense. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Pé de Valsa e sua família. Crédito: Jornal Mundo Esportivo.

Pé de Valsa e sua família. Crédito: Jornal Mundo Esportivo.

Com o calção sempre levantado acima do umbigo, o que destacava o tamanho considerável de suas pernas, Pé de Valsa era dotado de grande mobilidade dentro do gramado.

Parecia valer por dois, tal era sua constante presença, tanto na marcação como na facilidade para distribuir o jogo.

No Fluminense formou grandes linhas defensivas ao lado de companheiros como Gualter, Édson, Jaiminho, Haroldo, Mirim, Robertinho, Castilho, Hélvio Piteira, Vicentini e o lateral esquerdo Bigode.

Seus triunfos pelo Fluminense registram ainda a conquista do Torneio Municipal do Rio de Janeiro em 1948, o vice-campeonato carioca de 1949 e o título de campeão carioca de 1951, ano em que acabou deixando o tricolor carioca para vestir mais uma camisa de três cores em sua carreira.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 496 – Sexta Feira, 16 de outubro de 1953.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 496 – Sexta Feira, 16 de outubro de 1953.

Pé de Valsa (agachado), Mauro Ramos de Oliveira e o goleiro Poy (em pé). Crédito: revista Tricolor número 40 - Agosto de 1954.

Pé de Valsa (agachado), Mauro Ramos de Oliveira e o goleiro Poy (em pé). Crédito: revista Tricolor número 40 – Agosto de 1954.

Contratado pelo São Paulo Futebol Clube no princípio do mês de outubro, Pé de Valsa também se deu bem no futebol paulista, apesar das dificuldades iniciais em sua adaptação.

O hábito de driblar demasiadamente, e em alguns casos desnecessariamente, causou problemas de ordem disciplinar junto ao rigoroso técnico Bélla Guttmann.

O treinador do São Paulo, cansado de orientar o jogador sobre os riscos do excesso de fintas no sistema defensivo, precisava tomar uma atitude que não fosse o afastamento do jogador do time titular.

Então, Bélla Guttmann pensou bastante e não encontrou outra alternativa que não fosse multá-lo em seus vencimentos.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 455 – Terça Feira, 21 de junho de 1955.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 455 – Terça Feira, 21 de junho de 1955.

Crédito: revista O Cruzeiro - Encarte ídolos do futebol brasileiro.

Crédito: revista O Cruzeiro – Encarte ídolos do futebol brasileiro.

Formando um sistema defensivo notável ao lado de Alfredo Ramos, De Sordi, o goleiro Poy, Mauro Ramos de Oliveira e Bauer, Pé de Valsa foi campeão paulista de 1953.

Naquele título de 1953, o tricolor realizou uma ótima campanha nos 28 compromissos disputados. Foram 70 gols marcados e 21 gols sofridos com 24 vitórias, 2 empates e apenas 2 derrotas.

Pé de Valsa permaneceu no time do Morumbi até o mês de junho do ano de 1956, quando foi transferido novamente para outro time tricolor, o Paulista Futebol Clube da cidade de Jundiaí (SP), onde também encerrou sua carreira profissional.

Jogando pelo São Paulo, o bailarino Pé de Valsa disputou 230 partidas com 10 tentos marcados. Não foram encontrados registros sobre sua trajetória profissional depois de deixar o futebol.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 57 - Fevereiro de 1956.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 57 – Fevereiro de 1956.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista Esporte Ilustrado, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista Manchete Esportiva, revista O Cruzeiro, revista O Globo Sportivo, revista Tricolor, Jornal O Estado de São Paulo, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal Mundo Esportivo (por Solange Bibas), site do Milton Neves, albumefigurinhas.no.comunidades.net, soumaisflu.com.br, museudosesportes.blogspot.com, jogadores tricolores.blogspot.com.br, Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora, albumdosesportes.blogspot.com.br.

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