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Ao longo de sua carreira, Orlando Fantoni testemunhou muitos jogadores caírem em desgraça por falta de orientação e de um bom conselho amigo.

Formado em direito, Fantoni pregava esclarecimento e educação. Sabia que dentro dos clubes os jovens não eram preparados para investir o dinheiro proveniente do sucesso no futebol. Em uma de suas últimas entrevistas na Bahia, Fantoni declarou:

– Sem cultura não existe prosperidade…

Conhecido pelos boleiros como “Titio”, Fantoni era respeitado pelo discurso bondoso e pausado, carregado de sinceridade e muita preocupação com o futuro de seus comandados.

Crédito: revista Placar -  6 de maio de 1977.

Crédito: revista Placar –  6 de maio de 1977.

Orlando Fantoni em sua época de Palestra Itália (atual Cruzeiro).

Orlando Fantoni em sua época de Palestra Itália (atual Cruzeiro).

Filho de imigrantes italianos, Orlando Fantoni nasceu em 13 de maio de 1917, no bairro da Floresta, em Belo Horizonte.

Fantoni era o caçula da família Fantoni, Irmão de Niginho, Ninão e Nininho, que também trilharam com sucesso pelo mundo da bola.

Além dos irmãos, os sobrinhos de Fantoni também jogaram futebol: Benito (ex-Atlético Mineiro e Cruzeiro) e Fernando (ex-América mineiro), ambos zagueiros.

Com uma trajetória iniciada nas peladas do Sete de Setembro, do mesmo bairro da Floresta, Fantoni chegou ao juvenil do Palestra Itália (atual Cruzeiro) em 1935, onde mais tarde, em meados de 1938, foi aproveitado no quadro principal.

Crédito: revista Placar - 30 de abril de 1976.

Crédito: revista Placar – 30 de abril de 1976.

Além do Cruzeiro, Fantoni também passou rapidamente pelo Siderúrgica (MG) e pelo Palmeiras antes de embarcar para o futebol italiano.

Na Lázio, Fantoni também ficou conhecido como “Fantoni IV”.

Conforme matéria publicada pela revista Placar, edição de 30 de abril de 1976, no retorno ao Brasil, Fantoni passou pelo Vasco da Gama e pelo Canto do Rio antes de voltar ao futebol mineiro para encerrar sua carreira como jogador.

Com um diploma de treinador obtido na Itália, suas primeiras experiências aconteceram no futebol venezuelano, onde permaneceu com sucesso por quase 14 anos.

Crédito: revista Placar - 1 de abril de 1977.

Crédito: revista Placar – 1 de abril de 1977.

Crédito: revista Placar - 18 de fevereiro de 1977.

Crédito: revista Placar – 18 de fevereiro de 1977.

Em 1967 o Cruzeiro enviou Carmine Furletti para buscar Fantoni no Valência da Venezuela. Naquela temporada o quadro Celeste apresentava muita instabilidade e provavelmente perderia o campeonato.

Sob o comando de Fantoni, o Cruzeiro reagiu muito bem na competição e chegou ao tricampeonato mineiro.

Depois, Fantoni passou pelo América (MG), retornou ao Cruzeiro, voltou para o América, trabalhou na Caldense… Até então, um treinador tipicamente mineiro.

Crédito: revista Placar - 1 de abril de 1977.

Crédito: revista Placar – 1 de abril de 1977.

Fantoni nos braços de Abel. Campeão carioca de 1977. Crédito: wanderleynogueira.com.br.

Fantoni nos braços de Abel. Campeão carioca de 1977. Crédito: wanderleynogueira.com.br.

Fantoni só ganhou outros ares quando passou rapidamente pelo Londrina e depois foi campeão pernambucano com o Clube Náutico Capibaribe, em 1974, quebrando o domínio regional do Santa Cruz.

Em 1976 teve sua primeira passagem pelo Bahia. Contratado pelo então diretor de futebol Paulo Maracajá, Fantoni conquistou o elenco com seu carisma e jeitão de pai, levando o Tricolor ao tetra-campeonato Baiano.

Em seguida, foi para o Vasco da Gama, onde, muito questionado no início de seu trabalho, conquistou o campeonato carioca de 1977.

Quando deixou o Rio de Janeiro, conquistou um título estadual pelo Grêmio em 1979, antes de voltar a encarar o futebol no Sudeste.

Crédito: revista Placar - 6 de outubro de 1986.

Crédito: revista Placar – 6 de outubro de 1986.

Crédito: revista Placar - 6 de outubro de 1986.

Crédito: revista Placar – 6 de outubro de 1986.

Trabalhou ainda no Corinthians, Palmeiras, Botafogo (RJ) e finalmente no Vitória (BA), clube onde se aposentou em 1989.

Durante sua carreira, Fantoni retornou ao Cruzeiro por mais duas vezes, ao Vasco da Gama e ao Bahia nos anos oitenta, onde se sentia em casa.

No Bahia realizou um excelente trabalho na conquista do bicampeonato estadual e no preparo da base que chegou brilhantemente ao título brasileiro de 1988.

Orlando Fantoni faleceu em Salvador (BA), no dia 5 de junho de 2002, vítima de enfisema pulmonar.

Fantoni e o goleiro Manga nos tempos de Grêmio. Crédito: revista Placar - 26 de janeiro de 1979.

Fantoni e o goleiro Manga nos tempos de Grêmio. Crédito: revista Placar – 26 de janeiro de 1979.

Crédito: revista Placar - 19 de janeiro de 1987.

Crédito: revista Placar – 19 de janeiro de 1987.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto:  revista Placar (por Luís Augusto Chabassus, Arthur Ferreira, Dagomir Marquezi, Raul Quadros, Washington de Souza Filho e Maurício Azêdo), revista Manchete Esportiva, revista Mineirão, Jornal dos Sports, Jornal A Gazeta Esportiva, campeoesdofutebol.com.br, kikedabola.blogspot.com.br, wanderleynogueira.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti).

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