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Estudioso e estrategista, Ênio Andrade foi um dos maiores arquitetos de equipes competitivas da história do futebol brasileiro. Foram três títulos nacionais em um intervalo de apenas sete temporadas, todos por equipes da região Sul.

Adepto da simplicidade bem feita, Ênio Vargas de Andrade nasceu na cidade de Porto Alegre (RS), em dia 31 de janeiro de 1928.

Iniciou jogando como zagueiro em 1943, no time do Marquês de Alegrete. Em 1948 defendeu o Esporte Clube São José (RS), até ser transferido para o Sport Club Internacional em 1950.

No Internacional, Ênio Andrade foi aproveitado pela meia-cancha, posição que o consagrou mais tarde na Seleção Brasileira de 1956 e no Palmeiras entre 1958 e 1960.

Depois de conquistar os certames gaúchos de 1950 e 1951 pelo Internacional, o promissor Ênio Andrade foi transferido para o Grêmio Esportivo Renner, equipe que defendeu até 1957.

Em destaque Ênio Andrade, na festa do Renner campeão gaúcho de 1954. Crédito: revista O Cruzeiro número 20 – 26 de fevereiro de 1955.

Pedrinho e Ênio Andrade, uma dupla que ganhou muito prestígio no Grêmio Esportivo Renner. Crédito: revista do Globo número 739 – Abril de 1959.

A passagem pelo Renner foi um verdadeiro divisor de águas! Sob o comando do treinador Selviro Rodrigues, Ênio Andrade fez parte de uma linha ofensiva de respeito; ao lado dos companheiros Breno, Joecy, Juarez e Pedrinho.

Com a conquista do campeonato gaúcho de 1954, Ênio Andrade ganhou fama e seu nome foi lembrado no combinado gaúcho que representou o Brasil em 1956, na disputa do campeonato Pan-Americano realizado no México.

O título no Pan-Americano do México consagrou definitivamente aquela geração de grandes talentos, um feito que despertou o imediato interesse de muitos clubes, principalmente no cenário paulista!

No findar da temporada de 1957, os dirigentes da Sociedade Esportiva Palmeiras entraram em entendimentos para firmar compromisso com Ênio Andrade, que só foi apresentado no alviverde em 1958.

Meia-esquerda de futebol refinado, sua percepção de jogo proporcionava uma enorme facilidade para encontrar espaços nas linhas da retaguarda adversária.

Meio-campista de futebol refinado, o tarimbado Ênio Andrade foi apresentado aos torcedores do Palmeiras em 1958. Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Seu primeiro grande triunfo com a camisa esmeraldina aconteceu na conquista do “Super-Campeonato” paulista de 1959, embora o técnico Brandão não tenha utilizado Ênio Andrade nas partidas decisivas contra o Santos.

Naquele ano, Palmeiras e Santos terminaram empatados na classificação geral por pontos corridos. Assim, o regulamento determinou mais duas partidas para decidir quem levaria o “caneco”.

Com empates em 1×1 e 2×2; um terceiro confronto foi necessário para decidir o certame. No duelo derradeiro realizado em 10 de janeiro de 1960, no Pacaembu, o Palmeiras venceu de virada por 2×1 e faturou o título paulista de 1959.

Conforme divulgado pelo site “palmeiras.com.br”, na memorável campanha de 1959 o Palmeiras disputou 41 jogos com 30 vitórias, 7 empates e 4 derrotas. Foram 112 gols marcados e 36 gols sofridos.

Ainda na temporada de 1960, Ênio Andrade fez parte do elenco campeão da Taça Brasil, quando a linha ofensiva considerada titular contava com Julinho, Humberto, Nardo, Chinesinho e Cruz, sem esquecer de Romeiro.

Sua primeira passagem no comando do Grêmio! Fotos de Ricardo Chaves. Crédito: revista Placar – 24 de janeiro de 1975.

Mesmo exigindo muita dedicação e marcação, Ênio Andrade também sabia como colocar seu time no ataque! Crédito: revista do Grêmio número 71 – Janeiro de 1975.

Abaixo, uma importante participação de Ênio Andrade na primeira partida da semifinal da Taça Brasil de 1960, um jogo equilibrado com o Fluminense (RJ):

9 de novembro de 1960 – Taça Brasil – Semifinal – Palmeiras 0x0 Fluminense – Estádio do Pacaembu – Árbitro: Eunápio de Queiroz.

Palmeiras: Valdir; Djalma Santos, Carabina, Aldemar e Jorge; Zequinha e Chinesinho; Ari (Valter Prado), Humberto, Ênio Andrade e Cruz. Técnico: Oswaldo Brandão. Fluminense: Castilho; Jair Marinho, Pinheiro e Altair; Edmílson e Clóvis; Maurinho, Paulinho, Almir, Jair Francisco e Escurinho. Técnico: Zezé Moreira.

(*) O quadro paulista só confirmou sua classificação para enfrentar o Fortaleza (CE) nas finais depois da vitória por 1×0 no dia 16 de novembro, diante do mesmo Fluminense no Maracanã. 

Ênio Andrade permaneceu nas fileiras do Palmeiras até 1961, ocasião em que foi negociado com o Clube Náutico Capibaribe (PE).

Pelo Inter, Ênio Andrade foi brilhante ao conquistar o título nacional de forma invicta em 1979. Crédito: revista Placar.

Reconhecimento e respeito nos dois gigantes do Rio Grande do Sul. Foto de Nico Esteves. Crédito: revista Placar – 18 de setembro de 1981.

Pelo alviverde foram 138 partidas; com 77 vitórias, 36 empates, 25 derrotas e 35 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Carregando o peso dos 33 anos de idade, Ênio Andrade jogou pelo Náutico por apenas uma temporada, quando também arriscou seus primeiros passos como orientador.

Depois voltou ao Sul para defender novamente o Esporte Clube São José (RS), equipe onde encerrou sua caminhada como jogador profissional em 1962.

Em seguida iniciou oficialmente sua trajetória no papel de treinador. O primeiro trabalho aconteceu no Clube Esportivo de Bento Gonçalves (RS), no início da década de 1960.

Sempre com uma filosofia de jogo metódica e sobretudo pautada na dedicação pela marcação, Ênio Andrade também sabia como posicionar suas equipes ofensivamente!

O segredo do sucesso! Ênio Andrade jamais abandonou suas convicções de um futebol bem jogado. Crédito: revista Placar.

Em 1985 no Maracanã, o Coritiba treinado por Ênio Andrade superou o Bangu nas penalidades e ficou com o título brasileiro! Foto de Sérgio Sade. Crédito: revista Placar – 9 de agosto de 1985.

Trabalhou também no Coritiba (PR), Grêmio (RS), Juventude (RS) e no Pelotas (RS), até desembarcar para sua primeira passagem no Internacional (RS) e conquistar o título brasileiro de forma invicta em 1979.

Em 1981 conquistou novamente o campeonato brasileiro com o Grêmio. Repetiu o feito em 1985 com o Coritiba, quando os paranaenses derrotaram o Bangu na cobrança de penalidades no Maracanã.

No cenário pernambucano, Ênio Andrade conquistou títulos com o Náutico e com o Santa Cruz. Era um profissional querido e respeitado pelos torcedores e pela imprensa local, independente da grande rivalidade existente!

Orientou ainda o Sport Recife (PE), Bragantino (SP), Corinthians (SP), Palmeiras (SP) e o Cruzeiro (MG), onde conquistou o título mineiro de 1990 e 1994, a Supercopa da Libertadores em 1991, além de uma Copa Ouro.

O estrategista Ênio Vargas de Andrade faleceu de complicações pulmonares em Porto Alegre (RS), no dia 22 de janeiro de 1997.

Ênio Andrade ofereceu sua competência nas praças mais competitivas do futebol brasileiro! Foto de Josenildo Tenório. Crédito: revista Placar – 6 de outubro de 1986.

Um disciplinador considerado moderado, o astuto Ênio Andrade sabia como tirar o melhor de seus jogadores! Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 27 de novembro de 1987.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Divino Fonseca, Emanoel Mattos, Josenildo Tenório, Lemyr Martins, Lenivaldo Aragão, Mário Sérgio Venditti, Nico Esteves, Ricardo Chaves, Roberto José da Silva e Sérgio Sade), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista do Globo, revista do Grêmio, revista Esporte Ilustrado, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete Esportiva, revista O Cruzeiro, campeoesdofutebol.com.br, internacional.com.br, palmeiras.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), tribunapr.com.br, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Documentário Papão de 54 – A Trajetória Gloriosa do Renner, albumefigurinhas.no.comunidades.net.